“Máfia das Próteses”: MPDF denuncia 19 pessoas

Os denunciados são suspeitos de participarem de uma organização criminosa formada por médicos e empresários que lucravam com a prescrição de cirurgias sem necessidade ou com materiais de qualidade inferior ao que era determinado; segundo a polícia e o MP, o esquema movimentou mais de R$ 30 milhões nos últimos cinco anos; estima-se que cerca de 60 pacientes tenham sido lesados neste ano por apenas uma empresa suspeita de irregularidade, apontaram as investigações; de acordo com a polícia, uma testemunha que tentou denunciar o esquema sofreu tentativa de homicídio; se a Justiça aceitar a denúncia, os suspeitos se tornam réus na ação

Brasília - Entrevista do promotor de justça do MPDFT, Mauricio Miranda e do delegado chefe Luiz Henrique Dourado, para falar sobre a Operação Mister Hyde. (José Cruz/Agência Brasil)
Brasília - Entrevista do promotor de justça do MPDFT, Mauricio Miranda e do delegado chefe Luiz Henrique Dourado, para falar sobre a Operação Mister Hyde. (José Cruz/Agência Brasil) (Foto: Leonardo Lucena)

Brasília 247 - O Ministério Público do Distrital Federal (MPDF) ofereceu denúncia nesta terça-feira (20) contra 19 pessoas supostamente envolvidas no esquema conhecido como a “Máfia das Próteses”. Eles são suspeitos de participarem de uma organização criminosa formada por médicos e empresários que lucravam com a prescrição de cirurgias sem necessidade ou com materiais de qualidade inferior ao que era determinado. Se a Justiça aceitar a denúncia, os suspeitos se tornam réus na ação. Segundo a polícia e o MP, o esquema movimentou mais de R$ 30 milhões nos últimos cinco anos. Estima-se que cerca de 60 pacientes tenham sido lesados neste ano por apenas uma empresa suspeita de irregularidade, apontaram as investigações. 

Existem casos de cirurgias sabotadas para que o paciente seja continuamente operado, gerando lucro para o esquema, segundo a Justiça. Os médicos, supostamente, destinaram produtos vencidos para os pacientes, trocando produtos mais caros por mais baratos. Na casa de um deles, foram encontrados R$ 51 mil. Em outras casas, foram achados R$ 100 mil, US$ 90 mil e cédulas em euros.

Escutas telefônicas obtidas pela Polícia Civil do Distrito Federal e reveladas pelo 'Fantástico' mostram a conversa entre um médico e um fornecedor de órteses e próteses sobre como continuar "enrolando" um paciente e faturar mais. O diálogo é entre o médico Juliano Almeida e Silva e o empresário Micael Bezerra Alves, um dos sócios da TM Medical, empresa que fornecia as próteses. 

Médico: Eu estou tentando melhorar aqui, entendeu? O que mais a gente pode colocar aqui?
Fornecedor: É...

Médico: O que mais a gente pode colocar aqui? Botei bipolar, botei brill, dois drill, botei mostático, botei motorização, equipo de ligação. O que mais?

Fornecedor: Essa cânola. O que que é? Debridação?

Médico: É a canolazinha que vem no kit da assectomia. Aí é só para enrolar mesmo.

Segundo a polícia, uma testemunha que tentou denunciar o esquema sofreu tentativa de homicídio. 

 

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