O beijo do Brasil por sobre o muro de Michel Temer e Eduardo Cunha

"O muro da Esplanada é um crime de dois mandantes: Eduardo Cunha e Michel Temer. E de muitos cúmplices. É mais uma infâmia, para constar do corolário de infâmias que a História reserva a todos os golpistas e às suas tentativas de golpes", diz Carlos Odas, em artigo especial para o 247; "O muro da Esplanada é um crime em muitos sentidos, entre eles o político e o estético. É, por todos os ângulos, a estética do golpe. Por isso será derrubado, como o golpe, e por sobre seus escombros construiremos pontes. Para nos encontramos na democracia, onde há ternura e tensão, como num beijo entre pessoas que se amam"

"O muro da Esplanada é um crime de dois mandantes: Eduardo Cunha e Michel Temer. E de muitos cúmplices. É mais uma infâmia, para constar do corolário de infâmias que a História reserva a todos os golpistas e às suas tentativas de golpes", diz Carlos Odas, em artigo especial para o 247; "O muro da Esplanada é um crime em muitos sentidos, entre eles o político e o estético. É, por todos os ângulos, a estética do golpe. Por isso será derrubado, como o golpe, e por sobre seus escombros construiremos pontes. Para nos encontramos na democracia, onde há ternura e tensão, como num beijo entre pessoas que se amam"
"O muro da Esplanada é um crime de dois mandantes: Eduardo Cunha e Michel Temer. E de muitos cúmplices. É mais uma infâmia, para constar do corolário de infâmias que a História reserva a todos os golpistas e às suas tentativas de golpes", diz Carlos Odas, em artigo especial para o 247; "O muro da Esplanada é um crime em muitos sentidos, entre eles o político e o estético. É, por todos os ângulos, a estética do golpe. Por isso será derrubado, como o golpe, e por sobre seus escombros construiremos pontes. Para nos encontramos na democracia, onde há ternura e tensão, como num beijo entre pessoas que se amam" (Foto: Leonardo Attuch)

Por Carlos Odas

O muro da Esplanada é um crime de dois mandantes: Eduardo Cunha e Michel Temer. E de muitos cúmplices. É mais uma infâmia, para constar do corolário de infâmias que a História reserva a todos os golpistas e às suas tentativas de golpes, sejam elas bem-sucedidas ou não. O golpista é despido, pela História e oportunamente, do simulacro de honra que usa, em seu tempo, para encobrir as vergonhas. Quem é Carlos Lacerda, hoje? Quem são Magalhães Pinto, Ademar de Barros e todos os golpistas de 1954 e 1964? Quem são os juízes das cortes que legitimaram os golpes? Frequentam, todos, a mesma lixeira reservada àqueles que em nada contribuíram para o avanço de nossa sociedade ou, ao contrário até, atuaram em nome de seu atraso. Esse mesmo nicho frequentará, miseravelmente, a memória deste senhor que ocupa o posto de vice-presidente da República, aliado inconteste do larápio a quem outros larápios elegeram para o comando da Câmara dos Deputados.

A História demonstra: dos crimes imperfeitos, os golpes de estado estão entre os mais imperfeitos. São indisfarçáveis porque requerem que muitos agentes abram mão de suas responsabilidades institucionais e rifem, à luz do dia, as suas consciências. Golpes são a vitória do cinismo sobre a verdade, mas acontece que a verdade é uma força da natureza, o cinismo não. Contra si, no entanto, os golpistas da presente ocasião têm a velocidade da informação, que desmente seu discurso, e também o seu parco talento para lidar com símbolos que a informação constrói todos os dias. Sabem nada de semiótica, os “inocentes”. Os novos canais e meios por onde flui a informação verdadeira fazem da narrativa golpista um castelo de cartas que desmorona antes que seus arquitetos possam encaixar nele a última peça.

Lastimo profundamente este vergonhoso muro, que tenta reduzir a questão fundamental da democracia no Brasil a dois carnavais distintos, por ele separados; envergonho-me profundamente disto, como brasileiro. Lastimo pelo trabalhador que o tenha construído, e que, certamente, vive premido pelas más condições econômicas que um dos lados desse muro alimentou, por não aceitar as regras do jogo democrático, e por não se importar com quantos muros ainda separem, nesse país, os que “não dormem” dos que “não comem”. E, para melhor situar a menção a Josué de Castro, se é certo que já não há os que não comem, propriamente, há ainda os que não foram saciados da justiça social que lhes é historicamente devida. Essa sociedade não terá cura enquanto canalhas detentores de contas secretas em paraísos fiscais puderem esconder-se atrás das paredes de seus gabinetes, ao passo em que encarceram a juventude pobre e negra atrás dos muros do sistema penitenciário.

Uma cena, porém, há de ser tomada como símbolo dessa sexta-feira, 15, em que teve início no plenário da Câmara a mãe das batalhas contra o golpe: duas pessoas que se encontram e se beijam por sobre o muro de Cunha e Temer. Ainda que tenha sido produzida a foto, o símbolo é forte: há que haver amor, compreensão, tolerância, apreço por valores humanitários, para superarmos as barreiras que nos dividem. O beijo por sobre o muro liquefaz a narrativa golpista porque nenhum dos valores expressos na imagem pode ser associado às figuras de Michel Temer e Eduardo Cunha. Para que o Brasil se reencontre, ambos devem ser derrotados.

O muro da Esplanada é um crime em muitos sentidos, entre eles o político e o estético. É, por todos os ângulos, a estética do golpe. Por isso será derrubado, como o golpe, e por sobre seus escombros construiremos pontes. Para nos encontramos na democracia, onde há ternura e tensão, como num beijo entre pessoas que se amam.

Carlos Odas é militante do Partido dos Trabalhadores

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