Odebrecht comprou MPs mesmo depois de início da Lava Jato

Delatores da Odebrecht afirmam que o pagamento a políticos para a "compra" de Medidas Provisórias e alterações na legislação favoráveis à empreiteira continuou mesmo após o início da Lava Jato, em 2014; os últimos acertos relatados pela empresa ocorreram quando a operação já estava em andamento –trata-se da medida provisória 677 de 2015, que prorrogou contratos de energia de grandes indústrias no Nordeste; Claudio Melo Filho, ex-diretor da empresa, tinha como seu maior interlocutor o senador Romero Jucá (PMDB-RR), a quem tratava como "resolvedor da República no Congresso"; ele diz ter pago, ao longo desse período, R$ 22 milhões ao peemedebista

Senador Romero Jucá (PMDB-RR)
Senador Romero Jucá (PMDB-RR) (Foto: Giuliana Miranda)

Brasília 247 - O início das investigações da Lava Jato não inibiu a Odebrecht de seguir com sua rotina de pagamentos irregulares a políticos com o objetivo de alterações na legislação que fossem favoráveis aos interesses da empreiteira. 

Em depoimentos ao Ministério Público, ex-executivos da Odebrecht afirmaram que, de 2005 a 2015, a empresa pagou propina, fez contribuições oficiais ou doou por meio de caixa dois para tentar influenciar o destino de pelo menos 20 atos do Legislativo e do Executivo, em sua maioria a edição e a aprovação de medidas provisórias.

Os últimos acertos relatados pela empresa ocorreram quando a Operação Lava Jato já estava em andamento –trata-se da medida provisória 677 de 2015, que prorrogou contratos de energia de grandes indústrias no Nordeste.

As informações são de reportagem da Folha de S.Paulo.

"O exame dos depoimentos mostra que o trabalho do grupo se voltava principalmente para influenciar a elaboração de normas ligadas à tributação e à renegociação de dívidas com o governo.

Os movimentos da companhia eram articulados por uma dobradinha: Marcelo Odebrecht mantinha interlocução com o Executivo, e Melo Filho, com o Congresso.

Melo Filho tinha como seu maior interlocutor o senador Romero Jucá (PMDB-RR), a quem tratava como "resolvedor da República no Congresso". Ele diz ter pago, ao longo desse período, R$ 22 milhões ao peemedebista, que seriam divididos com Renan e com seu sucessor, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Em geral, os textos eram previamente discutidos por Odebrecht com integrantes do governo e, depois, Melo Filho atuava para ajustá-los e aprová-los no Congresso.

Em pelo menos um dos depoimentos, ele usa a palavra "comprar" para descrever a ação da empreiteira em relação à aprovação das normas."

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