Paulo Octavio tentou impedir acesso do MP a documentos

Investigação registrou o momento em que o ex-governador do DF pediu ao então administrador de Taguatinga, Carlos Jales, para não entregar ao Ministério Público os documentos do JK Shopping. Na gravação, o empresário diz que abriria o empreendimento com ou sem autorização. Apuração da Polícia Civil aponta que o funcionamento do empreendimento foi autorizado mesmo estando em condições irregulares

Investigação registrou o momento em que o ex-governador do DF pediu ao então administrador de Taguatinga, Carlos Jales, para não entregar ao Ministério Público os documentos do JK Shopping. Na gravação, o empresário diz que abriria o empreendimento com ou sem autorização. Apuração da Polícia Civil aponta que o funcionamento do empreendimento foi autorizado mesmo estando em condições irregulares
Investigação registrou o momento em que o ex-governador do DF pediu ao então administrador de Taguatinga, Carlos Jales, para não entregar ao Ministério Público os documentos do JK Shopping. Na gravação, o empresário diz que abriria o empreendimento com ou sem autorização. Apuração da Polícia Civil aponta que o funcionamento do empreendimento foi autorizado mesmo estando em condições irregulares (Foto: Leonardo Araújo)

Brasília 247 - Com autorização judicial, escutas telefônicas registraram o ex-governador Paulo Octavio (PP), pedindo ao então administrador de Taguatinga, Carlos Jales, para não entregar ao Ministério Público os documentos do JK Shopping, de propriedade dele. Na gravação, ele diz que abriria o empreendimento com ou sem autorização. Investigações da Polícia Civil apontam que o funcionamento do centro de compras foi autorizado mesmo com o empreendimento estando em condições irregulares que violavam normas urbanísticas. Paulo Octavio foi preso na noite desta segunda-feira (2) acusado de participar de um esquema para liberação de alvarás de construções irregulares.

O JK Shopping foi inaugurado em novembro de 2013 e funciona com alvará provisório, concedido pela Justiça em caráter liminar. Em depoimento à polícia, um funcionário da Administração Regional de Taguatinga disse que a recomendação de Carlos Jales era de não criar dificuldades para empreendedores. “Tem que ser feito tudo o que os empresários querem, porque quem paga os nossos salários são os empresários”, disse o funcionário em depoimento.

A investigação sobre o suposto esquema de corrupção envolvendo a liberação de alvarás foi realizada pela operação Átrio. O período investigado foi de novembro de 2011 a 2013. A operação resultou na prisão temporária do então administrador de Águas Claras, Carlos Sidney de Oliveira. Também foi pedida a prisão de Jales, que encontrava-se na época internado sob escolta policial no hospital particular Santa Marta. Segundo a denúncia do Ministério Público, ambos recebiam dinheiro para liberar os alvarás. Um vídeo feito por câmeras de segurança de um shopping de Águas Claras mostra Carlos Jales entregando um envelope para Carlos Sidney. De acordo com o MP, era pagamento de propina.
Denúncia. Ao todo, o Ministério Público denunciou dez pessoas por suspeita de participação no esquema de liberação de alvarás.

Paulo Octavio responde a sete ações na Justiça pelos crimes de organização criminosa, falsidade ideológica e corrupção ativa e passiva. Além disso, é réu no mensalão do DEM – suposto esquema de pagamento de propina que envolveu o ex-governador José Roberto Arruda (PR), deputados distritais, empresários e membros do Ministério Público. O escândalo acabou levando à renúncia de Arruda e depois à de Paulo Octavio do governo do Distrito Federal.

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