Vorcaro cita Dark Horse e Ciro Nogueira em nova delação
Dono do Banco Master incluiu filme sobre Jair Bolsonaro e relação com senador em proposta que investigadores tendem a rejeitar novamente
247 – Em nova proposta de delação premiada, o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, citou o financiamento do filme Dark Horse e a relação com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo o Portal G1, apesar da inclusão destes fatos, investigadores avaliam que Vorcaro não apresentou elementos novos capazes de avançar nas apurações e veem tendência de nova rejeição do acordo. O ex-banqueiro não trata os pagamentos destinados ao filme como propina. A Polícia Federal havia rejeitado a proposta inicial sob o argumento de que havia "seletividade" dos fatos na colaboração premiada feita pela defesa do empresário.
O caso Dark Horse entrou no centro das negociações após a revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro a Vorcaro para financiar a produção sobre o pai. A informação foi divulgada pelo Intercept Brasil - a reportagem afirmou que o banqueiro chegou a repassar R$ 61 milhões ao projeto.
Na nova proposta, a defesa também apresentou informações sobre a relação entre Vorcaro e o senador Ciro Nogueira, presidente do PP. Segundo a avaliação de investigadores, o material atenua responsabilidades em relação ao que a Polícia Federal (PF) já identificou.
O senador foi alvo de uma operação da PF em maio, sob acusação de usar o mandato para favorecer o Banco Master. A investigação afirma que Vorcaro enviou ao senador um envelope com um projeto de lei que atendia a interesses do banqueiro.
A PF também identificou o pagamento de uma espécie de mesada de R$ 500 mil. Esse ponto integra a linha de apuração sobre possíveis contrapartidas e atos de ofício envolvendo autoridades citadas nas investigações.
Celulares alimentam novas frentes da apuração
A defesa de Vorcaro teve acesso ao conteúdo do primeiro celular apreendido com o banqueiro no momento de sua primeira prisão, em novembro do ano passado. Esse material tem servido de base para as investigações, que seguem avançando sem a colaboração formal do dono do Banco Master.
A PF apreendeu mais de oito celulares de Daniel Vorcaro. A perícia inicial de parte desses aparelhos já indicou, segundo a apuração, que o caso vai além de suspeitas de fraudes financeiras. Os investigadores apontam indícios de corrupção, organização criminosa e uso de uma milícia privada para atacar adversários e acessar dados sigilosos.
Primeira proposta foi recusada
No mês passado, a PF rejeitou uma primeira versão da delação apresentada pela defesa. As tratativas continuam de forma conjunta com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Investigadores vinham afirmando que o material entregue acrescentava pouco ao que a polícia já havia levantado. A avaliação interna era de que Vorcaro buscava proteger pessoas próximas.
Segundo o blog do Valdo Cruz, no portal G1, a negociação da colaboração premiada tem como eixo a devolução de recursos e a eventual comprovação de atos de ofício praticados por autoridades mencionadas. Investigadores disseram que a lógica do acordo é técnica, sem alvos previamente definidos e sem exclusões antecipadas.
Em 22 de maio, interlocutores do banqueiro afirmaram ao blog que Vorcaro aceitou elevar de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor a ser devolvido caso feche uma colaboração premiada com a PGR.



