Alexandre Motta: governo Bolsonaro não é pedagógico, é destruidor

Médico infectologista de formação e ex-supervisor do programa Mais Médicos, Alexandre Motta Câmara, de Natal, fala sobre a situação econômica do Nordeste e o modo petista de governar a região. Para ele, “Bolsonaro é uma grande fraude sob todos os aspectos. Ele é a antítese de tudo o que presta”

Alexandre Motta e Jair Bolsonaro
Alexandre Motta e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução | Alan Santos/PR)
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247 - Médico Infectologista de formação, Alexandre Motta Câmara, como muitos brasileiros, mergulhou de vez na política quando se viu obrigado a defender o governo Dilma Rousseff das sucessivas tentativas de golpe que acabaram por se concretizar em 2016. A partir dali, ele uniu o seu trabalho como médico às possibilidades de combater a desigualdade social através do ativismo público e das ações concretas junto ao debate político.

Apaixonado por Natal (sua cidade natal), ele faz um movimento de agregar lideranças e agentes políticos comprometidos com a democracia para, assim, derrotar o fascismo nas eleições municipais de 2020 que, para ele, são mais que eleições municipais: são justamente a primeira possibilidade soberana de restabelecer a democracia no país, ferida de morte com o golpe e com um governo declaradamente fascista e autoritário.

Seguindo uma tradição de lideranças progressistas do Nordeste, curiosamente menos “radicais” que as lideranças progressistas do Sul (característica subscrita na conhecida capacidade pragmática de articulação de Lula, um nordestino), Motta verbaliza a possibilidade plena de alianças soberanas com forças políticas não necessariamente progressistas, mas fundamentalmente democráticas.

“Quando a gente fala em Frente de Esquerda, a gente está pensando ‘pequeno'. É preciso falar em Frente Democrática”, defende, em entrevista concedida à TV 247 durante participação no programa Boa Noite 247 deste sábado, 28 de dezembro (assista abaixo).

Ele destaca a situação dramática do emprego e dos salários no Nordeste. Segundo Motta, o desemprego, a baixa remuneração, a precarização do trabalho, a redução dos programas sociais e a redução de direitos na aposentadoria são os fatores que mais justificam o aumento da pobreza na região.

Os governos nordestinos, entretanto, diz ele, estão bem avaliados. A população percebe o esforço gigantesco dos governadores para manter as condições mínimas de cidadania, em contraponto ao governo destruidor de Bolsonaro.

Para Motta, o grande ativo desse conjunto de governadores é a criação do Consórcio Nordeste. Os governos passaram a agir, do ponto de vista administrativo e econômico, como um conjunto. “Isso traz investimentos externos e potencializa a economia da região.”

Sobre Bolsonaro, Motta é taxativo: “Bolsonaro é uma grande fraude sob todos os aspectos. Ele é a antítese de tudo o que presta”.

Como pré candidato à prefeitura de Natal-RN pelo PT, o médico infectologista quer oferecer ao munícipe a maneira “petista de governar, a mesma do presidente Lula”: com o olhar voltado às periferias, mas sem tutela. Motta quer empoderar as lideranças da periferia para que, junto ao poder público, elas possam construir soluções para suas comunidades. Soluções no campo do trabalho, da saúde, da educação e da mobilidade urbana.

Ele entende ainda que o poder público abandonou as periferias nas cidades de maneira geral (daí, o crescimento exponencial das milícias, o poder paralelo, violento e criminoso). Ele diz: “a periferia precisa entrar no orçamento do poder público.”

“É preciso pensar a cidade da periferia para o centro e não do centro para a periferia. É preciso inverter essa lógica conservadora”, avalia ainda.

Sobre a governadora de seu Estado, Fátima Bezerra, também do PT, Motta destaca que ela faz um governo com olhar humanístico voltado para as periferias e que constrói ativo importante de recuperação da confiança no poder público, degradada pela administração anterior.

Supervisor do Programa Mais Médicos entre 2015 e 2018, o médico e político afirma que “faltou uma conversa mais aprofundada com a classe médica, para explicar a ela os benefícios do programa” e, assim, conquistar a opinião pública para subscrever uma ação que melhorou sensivelmente o acesso à saúde no país.

Alexandre Motta entende que 2020 será um ano terrivelmente difícil para o governo Bolsonaro. Os dados econômicos e sociais são catastróficos e o governo apenas sobreviveu até aqui graças ao anteparo narrativo propiciado por uma imprensa venal e adesista.

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