Em assembleia, rodoviários decidem manter greve

Rodoviários optaram por manter a paralisação total de suas atividades até que os empresários sinalizem com alguma proposta; entre as reivindicações, categoria quer reajuste salarial de 16%; São Luís está há nove dias sem ônibus; a Prefeitura de São Luís já descartou a possibilidade de aumento no valor das passagens de ônibus

Rodoviários optaram por manter a paralisação total de suas atividades até que os empresários sinalizem com alguma proposta; entre as reivindicações, categoria quer reajuste salarial de 16%; São Luís está há nove dias sem ônibus; a Prefeitura de São Luís já descartou a possibilidade de aumento no valor das passagens de ônibus
Rodoviários optaram por manter a paralisação total de suas atividades até que os empresários sinalizem com alguma proposta; entre as reivindicações, categoria quer reajuste salarial de 16%; São Luís está há nove dias sem ônibus; a Prefeitura de São Luís já descartou a possibilidade de aumento no valor das passagens de ônibus (Foto: Itevaldo Junior)

Maranhão 247 - A greve dos rodoviários chega ao nono dia hoje, quarto consecutivo de paralisação geral, e ainda não há previsão de término. Em assembleia geral na sede do sindicato da categoria, os trabalhadores decidiram manter a paralisação de 100% da frota, sob a justificativa de que o sindicato patronal não está discutindo o reajuste salarial, já que em oito rodadas de negociações nenhuma proposta foi apresentada. Por enquanto, a única possibilidade de resolução do problema é o julgamento de dissídio coletivo pelo Tribunal Regional do Trabalho do Maranhão (TRT).

A assembleia durou pouco mais de 20 minutos. Durante o debate, Isaías Castelo Branco, diretor administrativo do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema), informou aos trabalhadores que a convocação da assembleia aconteceu porque a desembargadora Solange Cordeiro, que presidiu a audiência de conciliação realizada na sede do TRT, na tarde de quarta-feira, dia 28, pediu à categoria que voltasse a cumprir a determinação da desembargadora Ilka Esdra, segundo a qual 70% da frota deveria permanecer em circulação durante a greve.

O movimento grevista foi deflagrado na quinta-feira da semana passada (22), após uma série de reuniões entre o Sindicato dos Rodoviários e o das Empresas (SET). Apesar da mediação do Ministério Público do Trabalho (MPT-MA), não houve consenso sobre o percentual de reajuste solicitado pelo rodoviários.

Os rodoviários querem reajuste salarial de 16%, reajuste do vale-alimentação para R$ 500 por mês, inclusão de um dependente no plano de saúde e implantação de plano odontológico. O Sindicato das Empresas de Transporte (SET) afirmou não ter condições de ceder qualquer aumento, e atribuiu a resolução do caso à Prefeitura de São Luís.

Para o presidente do SET, a única forma de atender as reivindicações dos grevistas é receber recursos do município. "Só existe uma forma de resolver o impasse: é dar recurso, condições para as empresas pagarem os trabalhadores", afirmou o empresário, José Luiz Medeiros, que também disse que desde o fim de 2009, a cada mês os empresários acumulam um prejuízo superior a R$ 9 milhões.

A Prefeitura de São Luís já descartou a possibilidade de aumento no valor das passagens de ônibus. Durante a primeira audiência do dissídio coletivo, realizada nessa quarta-feira (28), o município sugeriu o combate às fraudes nas gratuidades e meias-passagens, o fim da chamada 'Domingueira' (gratuidade), além da redução do ICMS para combustíveis, o que pode representar um ganho de aproximadamente R$ 2.125.000,00 por mês ao setor."Aumento de passagens descartado, porque o sistema não comporta. O sistema está todo quebrado. Eles só rodam 75% da frota que deveriam rodar, então, para que dar um aumento de tarifas?", questionou o secretário de Trânsito e Transportes de São Luís, Canindé Barros.

Multa - Somando os R$ 96 mil de multa somente desta sexta-feira (30) pelo descumprimento da decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MA), o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Maranhão (Sttrema) já soma R$ 672 mil em penalidades pelos dias em que não circulou o mínimo de 70% da frota na capital, nos dias de greve dos rodoviários. Além desta quinta, o percentual mínimo não foi atendido na quarta-feira (28), na quinta-feira (22), sexta (23), segunda (26) e terça-feira (27).

A desembargadora chegou a este cálculo após ser comunicada oficialmente pela Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte (SMTT). Pelos números repassados pela secretaria, no primeiro dia de greve apenas 35% da frota de ônibus circulou por São Luís. No dia seguinte, 59%; no sábado e domingo a frota circulou normalmente; ontem, 63%; e, na terça e quarta-feira, a paralisação foi total.
Além da multa, o novo despacho da desembargadora determinou que o movimento grevista cessasse imediatamente. No entanto, até o momento, o Sindicato dos Rodoviários afirma ter sido oficialmente notificado da multa aplicada apenas no primeiro dia de paralisação. Na quinta-feira (22), a desembargadora determinou que 70% da frota circulassem nos dias de greve. Caso contrário, uma multa de R$ 4 mil seria aplicada por hora descumprida - o que de fato, ocorreu.

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