Votação de título de cidadão natalense a Paulo Guedes acaba em baixaria em Natal

Vereadores Fernando Lucena (PT) e Aroldo Alves (PSDB) trocaram insultos e agressões verbais durante a vota;'ao que concedeu o t[itulo de cidad'ao natalense ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que apos oito meses de governo só foi uma vez à região Nordeste

A previdência dos militares e o 'sacrifício' de Paulo Guedes
A previdência dos militares e o 'sacrifício' de Paulo Guedes (Foto: S…RGIO CASTRO)

Rafael Duarte, Saiba Mais - Fechou o tempo nesta quinta-feira (16) na Câmara Municipal de Natal durante a votação do título de cidadão natalense ao ministro da Economia Paulo Guedes. A homenagem foi aprovada por 15 votos a 4. Ainda houve três abstenções. No entanto, a aprovação do título chamou menos atenção que o bate-boca entre os vereadores Fernando Lucena (PT) e Aroldo Alves (PSDB). Os dois trocaram insultos e agressões verbais durante a defesa dos votos. Por muito pouco o petista e o tucano não foram às vias de fato. A mesa diretora concedeu dois direitos de resposta para cada parlamentar e precisou intervir na discussão. A vereadora Eleika Bezerra (PSL) chegou a pedir para desligarem os microfones em razão da baixaria.

As agressões começaram quando Aroldo Alves passou a atacar o PT como “partido de bandidos” e Lucena sugeriu que a entrega do título a Paulo Guedes fosse realizada na penitenciária de Alcaçuz, principal complexo prisional do Rio Grande do Norte. Com a palavra, Aroldo Alves retrucou propondo que a homenagem fosse feita na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza (SindLimp), presidido por Fernando Lucena:

“Porque lá no Sindlimp só tem gente honesta”, ironizou o tucano.

Após xingamentos de “vagabundo” dos dois lados, o tom subiu ainda mais quando Lucena relembrou de uma festa apoiada pelo vereador Aroldo Alves no bairro Bom Pastor, Zona Oeste da cidade.

“O vereador fez uma festa lá em Nazaré e não foi para gente de bem, não. Saiu na imprensa para todo mundo saber”, atacou.

A festa a que o petista se refere e que ficou conhecida como “facção folia” ocorreu em março deste ano. Segundo a polícia, o evento teria sido organizado para comemorar o aniversário de 6 anos de uma facção criminosa que atua em Natal. Na época, após a repercussão negativa do escândalo, Aroldo disse que o mandato dele recebeu um pedido de apoio para “uma festa infantil” naquele local.

Em nota, o tucano afirmou que “fomos surpreendidos por um absurdo neste sábado (30) no Bairro Bom Pastor que seria uma festa para outras motivações, que ao chegar lá, passamos rápido e fomos embora”, disse.

Durante a troca de insultos, o vereador tucano mandou o petista lavar “a boca com criolina” antes de falar dele. Já Lucena chamou Aroldo “para resolver (a briga) lá fora”.

Homenagem

A proposta de concessão do título de cidadão natalense a Paulo Guedes é de autoria do vereador Klaus Araújo (SD) e tramitava na Câmara Municipal desde o início do ano. Pouco antes da concessão da homenagem, os vereadores rejeitaram votar em regime de urgência o mesmo título para o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente da República Jair Bolsonaro. Apesar da derrota, a proposta do vereador Cícero Martins (PSL) vai tramitar nas comissões antes de ir a plenário.

A pressa de Martins foi justificada em razão da vinda de Eduardo Bolsonaro a Natal na próxima segunda-feira (16) para participar do Encontro Econômico Brasil Alemanha, no Centro de Convenções. A presença do vice-presidente da República Hamilton Mourão também já foi confirmada no evento.

Para a aprovação do regime de urgência são necessários 20 votos, mas o vereador do PSL só conseguiu o apoio de 18 parlamentares da Casa. Três vereadores votaram contra e dois se abstiveram.

“Vamos dar um título para o Tchutchuco ?”, questiona vereador do PT

A votação do título para Paulo Guedes rendeu depoimentos surreais apesar da vitória folgada da homenagem ao ministro da Economia.

O vereador Bispo Francisco de Assis (PRB) votou a favor da concessão da homenagem e foi quem melhor resumiu o voto da maioria dos parlamentares:

– Não que eu tenha alguma admiração por Paulo Guedes. Quem diabo é Paulo Guedes no jogo do bicho ? Se perguntar aqui vai ter vereador que não sabem nem quem é Paulo Guedes. Essa é que é a verdade, mas a pedido do nosso amigo Klaus Araújo vou votar favorável”, disse.

O autor da proposta, Klaus Araújo deu o voto mais surpreendente. Mostrando todo o conhecimento que tem sobre o ministro da Economia, o parlamentar do Solidariedade disse que Paulo Guedes interveio na economia do Chile, tendo sido o responsável pela aprovação da reforma da Previdência dos chilenos.

“O ministro da Economia Paulo Guedes, na década de 1990, foi quem interviu na economia do Chile e hoje o Chile tem um salário mínimo de 1.600 reais. Ele não precisa mais mostrar (provar mais nada) pra ninguém. Quem acompanha as redes sociais sabe o que Paulo Guedes tem feito pela economia do Brasil e do Rio Grande do norte. Inclusive foi ele que desburocratizou o PAC para o Rio Grande do Norte. Eu poderia passar o dia aqui justificando (o título)”, afirmou sem peso na consciência em relação ao absurdo que acabara de falar.

Boa parte dos vereadores que aprovou o título afirmou que estava votando a favor do projeto não pelo principal homenageado ser o ministro da Economia, mas por ter sido um pedido do colega Klaus Araújo. O principal ataque à concessão do título, no entanto, partiu do petista Fernando Lucena, que lembrou o apelido que Guedes ganhara do deputado federal Zeca do PT durante uma audiência na Câmara dos Deputados:

“Vamos dar um título para o ‘Tchutchuco’ ? Paulo Guedes é um banqueiro falido, um sujeito indecente. É um picareta. É o líder da Reforma da Previdência. O senhor Paulo Guedes cortou R$ 180 milhões da saúde. Não é possível que esta Casa vá votar um título para o cara que está destruindo o país. É demagogia barata, Paulo Guedes não é um cara decente. É um ‘Tchuchuco’ que não vale nada. O cidadão de Natal vai entender isso ? O cidadão que terá a CPMF no contracheque? Não dá para entender dar um título de cidadão a um sujeito que está destruindo o país. Senhores vereadores, vamos pensar em quem está lá fora. Depois de votar no ‘metralinha’ de Bolsonaro agora ter que votar no ‘Tchuchuco’ é demais. Esse título é uma afronta ao povo trabalhador”, disse.

O mais suscinto e objetivo, no entanto, foi a declaração de voto do vereador Dagô do Forró (DEM):

“Eu voto no Tchuchuco”, encerrou.

Confira como votaram os vereadores:

A favor do título de cidadão natalense a Paulo Guedes

Klaus Araújo (SD)
Aroldo Alves (PSDB)
Bispo Francisco de Assis (PRB)
Carla Dickson (PSC)
Cícero Martins (PSL)
Dagô de Andrade (DEM)
Dinarte Torres (PMB)
Dickson Nasser Júnior (PSDB)
Eleika Bezerra (PSL)
Ericko Jacome (Podemos)
Fúlvio Saulo (Solidariedade)
Nina Souza (PDT)
Paulinho Freire (PSDB)
Preto Aquino (Patriota)
Robson Carvalho (PMB)

Contra o título de cidadão natalense a Paulo Guedes

Fernando Lucena (PT)
Maurício Gurgel (PSOL)
Júlia Arruda (PDT)
Divaneide Basílio (PT)

Abstenções

Ana Paula Araújo (PSDC)
Raniere Barbosa (Avante)
Sueldo Medeiros (PHS)

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