Apresentador bolsonarista que morreu de Covid-19 desdenhava do vírus e pregava contra isolamento

Apresentador Bolsonarista do SBT-Minas, antes de ser internado, fez duras críticas ao prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, por ser contrário às medidas de isolamento. “Eu vou visitar meu pai, vou visitar minha mãe. Não vou matá-los”, disse

Stanley Gusman
Stanley Gusman (Foto: Reprodução (Instagram))
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247-  O apresentador Stanley Gusman, da TV Alterosa, afiliada do SBT em Minas Gerais, morreu na noite deste domingo (10) aos 49 anos, vítima de coronavírus. Gusman, que era bolsonarista, dimunia o poder de propagação do vírus e era um ferrenho opositor às medidas de isolamento social. 

Segundo reportagem do portal El País, há menos de um mês depois ele fez um desabafo crítico ao prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que recomendou à população da cidade que evitasse reuniões familiares no Natal.

“Eu vou visitar meu pai, vou visitar minha mãe. Não vou matá-los. Acho um desrespeito o senhor [prefeito] falar isso. Não mexa com a minha família. Vou defender os meus pais e o meu país”, esbravejou Stanley. 

Cinco dias após a manifestação, o comunicador começou a sentir os primeiros sintomas da doença. Colegas de emissora que se comunicaram com Stanley antes da internação relatam que ele confiava na recuperação por estar se tratando com hidroxicloroquina. Em 4 de janeiro, sentiu falta de ar e foi internado na UTI em estado grave. O hospital que o atendeu, na região metropolitana de BH, informou que a morte do apresentador ocorreu por uma infecção secundária decorrente do novo coronavírus.

A reportagem ainda informa que desde o início da pandemia, Stanley Gusman assumiu a postura negacionista de minimizar a gravidade da doença. Em junho, afirmou ao vivo no programa Alterosa Alerta que não aceitaria que medissem sua temperatura na porta de supermercados e estabelecimentos comerciais, alegando que um estudo teria determinado que o termômetro infravermelho causaria danos ao cérebro. O estudo, na verdade, se tratava de uma corrente falsa de WhatsApp, rechaçada até mesmo pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Vizinhos do apresentador contam que, em várias oportunidades, o avistaram na rua sem máscara de proteção, que ele chegou a ironizar em alguns programas, assim como a campanha “Fique em casa”.

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