Benedita da Silva: “a escravidão mudou do chicote para a caneta”

Deputada negra e ex-governadora do Rio disse que a data de 13 de Maio, que marca a assinatura da Lei Áurea e a abolição da escravidão no Brasil, não deve ser comemorada

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247 - A deputada Benedita da Silva (PT), 78 anos, criticou nesta segunda-feira, 11, os retrocessos do governo de Jair Bolsonaro, especialmente para a população negra e pobre. 

Em entrevista ao UOL, Benedita disse que a data de 13 de Maio, que marca a assinatura da Lei Áurea e a abolição da escravidão no Brasil, não deve ser comemorada. 

"Essa data faz parte da história do Brasil, para marcar o sofrimento que houve durante o processo abolicionista. Mas ela marca uma condenação, porque a abolição foi uma condenação. Não tivemos verdadeiramente a liberdade. Foram muitas as vítimas de atrocidades, e o Brasil foi um dos últimos a dar essa chamada 'libertação'. Ficou, para nós, para os historiadores, militantes, como uma data de denúncia e de reflexão de que o extermínio da população negra continua até hoje. A escravidão apenas mudou do chicote para a caneta. Da caneta para a exclusão. É nesse sentido que o 13 de Maio não se festeja", afirmou a parlamentar, que é ex-governadora do Rio de Janeiro. 

Benedita classifica como um retrocesso inigualável a política de combate ao racismo no governo Bolsonaro. "Temos todos os instrumentos colocados pelos governos Lula e Dilma (ambos do PT), como a regulamentação das terras de quilombolas, e as cotas raciais, que levam igualdade e oportunidade. Mas não tivemos grande evolução. Desde a entrada de [Michel] Temer (MDB), houve o esvaziamento dos espaços responsáveis pelos equipamentos de promoção de igualdade social. E hoje é uma loucura. Os gestores são, na sua maioria, machistas, que acompanham a cabeça do presidente da República. Ele coloca um negro na Fundação Cultural Palmares [Sergio Camargo] que disse que a escravidão foi ótima para os negros", diz a deputada.

Leia a entrevista na íntegra

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