Cabral repartia obras antes do edital de licitação

O ex-governador Sergio Cabral (PMDB) começava seu esquema de propinas e corrupção em obras públicas antes mesmo do lançamento dos editais de licitação; segundo a delação do ex-presidente de Infraestrutura da Odebrecht Benedicto Júnior, Cabral definia pessoalmente a quantidade de lotes, os consórcios que ficariam com cada um, os percentuais de participação das empresas e quem seria a líder da empreitada; a partir das diretrizes, representantes das companhias se reuniam para fazer o “acordo de mercado”, eufemismo para o jogo de cartas marcadas revelado em detalhes, inclusive com esquemas gráficos

Rio de Janeiro - O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral é levado preso na operação Lava Jato em viatura da Polícia Federal na sede na Praça Mauá (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Rio de Janeiro - O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral é levado preso na operação Lava Jato em viatura da Polícia Federal na sede na Praça Mauá (Fernando Frazão/Agência Brasil) (Foto: Giuliana Miranda)

Rio 247 - O ex-governador do Rio Sérgio Cabral tinha um esquema bastante organizado para definir a corrupção nas grandes obras do Estado.

Antes mesmo da publicação dos editais de licitação para grandes obras urbanas no Rio de Janeiro, Cabral definia pessoalmente a quantidade de lotes, os consórcios que ficariam com cada um, os percentuais de participação das empresas e quem seria a líder da empreitada. A partir das diretrizes, representantes das companhias se reuniam para fazer o “acordo de mercado”, eufemismo para o jogo de cartas marcadas revelado em detalhes, inclusive com esquemas gráficos, na delação do ex-presidente de Infraestrutura da Odebrecht Benedicto Júnior.

As informações são de reportagem de Renata Mariz em O Globo.

"A metodologia de Cabral foi implantada já nos primeiros meses do mandato, em 2007, com o PAC das Favelas e com o Arco Metropolitano, segundo Benedicto. No caso do Arco, porém, as definições do governador causaram desconforto entre as empresas participantes do cartel, que não se entenderam sobre qual lote cada uma executaria. Foi preciso realizar um “sorteio” para definir as participações, em reunião que contou com a presença de altos executivos de empreiteiras.

O encontro, segundo descrição de Benedicto Júnior, foi realizado em 16 de abril de 2007 na sede da Construtora Odebrecht no Rio, em Botafogo. Ele apresentou ao Ministério Público Federal o controle de acesso ao edifício do prédio para provar quem estava presente na reunião onde foram acertados os detalhes para fraudar a licitação do Arco Metropolitano.

Na ocasião, os executivos definiram as 'propostas de cobertura', ou seja, quanto cada uma apresentaria de valor para a obra na suposta concorrência, para garantir que determinado consórcio saísse vencedor com o preço mais baixo. O método da “cobertura” era usado em várias licitações que as companhias fraudaram por meio de cartel. A estratégia servia para garantir que o resultado da disputa saísse tal como planejado, sem levantar suspeitas de combinações entre os participantes."

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