Carta para Lula é lida em Ato pela Democracia no Rio

De autoria da ex-ministra da Cultura Ana de Hollanda, carta foi lida durante o Ato pela Democracia que acontece no Rio de Janeiro na noite desta segunda-feira 2, com as presenças do ex-presidente Lula, Marcelo Freixo, Manuela D´Ávila, Celso Amorim, Lindbergh Farias, Jandira Feghali, Jean Wyllys, Fernando Haddad, Eduardo Suplicy, Marcia Tiburi, entre diversos outros nomes; confira a íntegra

ato pela democracia
ato pela democracia (Foto: Gisele Federicce)

Rio 247 - Confira abaixo a íntegra de uma carta de autoria da ex-ministra da Cultura Ana de Hollanda, lida durante o Ato pela Democracia que acontece no Rio de Janeiro na noite desta segunda-feira 2, com as presenças do ex-presidente Lula, Marcelo Freixo, Manuela D´Ávila, Celso Amorim, Lindbergh Farias, Jandira Feghali, Jean Wyllys, Fernando Haddad, Eduardo Suplicy, Marcia Tiburi, entre diversos outros nomes. O evento está sendo transmitido pela Midia Ninja.

Caríssimo Presidente Lula,

Estamos todas aqui como mulheres, estudantes, trabalhadoras, mães, filhas, companheiras, irmãs, colegas e cidadãs a defender nosso Brasil e seu povo trabalhador, alegre e sofrido, para que ele recupere o papel de protagonista da história.

Depois de cinco séculos em que o país foi controlado e explorado por uma oligarquia que predou descontroladamente suas riquezas e a força de trabalho da população de origem pobre, principalmente aquela filha de índios espoliados de suas terras e de africanos que para cá foram trazidos para trabalhar como escravos, o país conheceu uma experiência inédita. Na décima sexta eleição direta da história da nossa centenária república, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva – ex-líder metalúrgico, criador do Partido dos Trabalhadores - foi eleito pelo voto direto. Só que, na realidade, foi a terceira eleição presidencial na qual, em condições de igualdade de gênero, contou com o voto feminino, assim como com os das analfabetas e dos analfabetos. Sintomático que a presença maciça feminina, que hoje representa 52,5% do eleitorado nacional, se reflita na escolha de um candidato que priorize as políticas sociais, isto é, emprego, renda, moradia, saúde, educação, estabilidade e oportunidades para suas famílias.

Sim, Presidente, o senhor está colhendo o que plantou. Está colhendo a preferência popular em todas as pesquisas porque honrou seus compromissos. Compromissos assumidos com o povo mais necessitado ao lançar, logo no início do mandato, o Bolsa Família, reconhecido no mundo todo como um dos mais bem sucedidos programas de combate à pobreza e incentivo à educação, de que se tem notícia.

Entendendo também o papel central das mulheres no núcleo familiar, logo ao tomar posse, em 2003, o senhor criou a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, na perspectiva da construção da igualdade e de sua maior autonomia. E, três anos depois, indignado com os índices de violência doméstica contra mulheres, ainda tão comum em lares brasileiros, instituiu a Lei Maria da Penha que levou para a esfera penal uma covardia até então ignorada, ou simplesmente tratada como assunto familiar.

Mas lembro, Presidente, que nós, mulheres, ocupamos 44% do mercado formal de trabalho, embora, como complemento ou única opção, partimos invariavelmente para a informalidade, onde exercemos as mais diversas funções que garantam algum rendimento extra, assegurando o sustento das despesas da casa, além da pesada jornada doméstica que nos recai, prioritariamente. E apesar da maior escolaridade das mulheres, em todas as funções de trabalho formal que exercemos, nossos salários são, inexplicavelmente, inferiores aos dos homens.

Mas reconhecemos, Presidente, que esses desequilíbrios e falta de oportunidades em função do gênero, e de outras discriminações, foram objetos de políticas específicas dos governos populares do PT. Através de ações afirmativas e com a Lei de Cotas, sancionada pela sua sucessora, Presidenta Dilma Rousseff, nós, nossos filhos e filhas, irmãos e irmãs negros e indígenas fomos recompensados pela situação de desvantagem, enfrentada durante séculos neste país.

Presidente, nós o elegemos duas vezes, assim como também, por duas vezes, elegemos a Presidenta Dilma, que deu prosseguimento a suas políticas sociais, de crescimento do país com geração de empregos e de defesa dos interesses da Nação. Por um traiçoeiro golpe parlamentar apoiado pelas elites econômicas e grandes redes midiáticas, nossa presidenta foi impedida, sem que fosse configurado - como manda a Constituição - crime de responsabilidade.

Agora que a maioria do eleitorado já manifestou apoio à sua candidatura para a presidência, um grupo de juízes, que não corresponde à responsabilidade que lhe foi outorgada, se alia politicamente aos mesmos grupos traiçoeiros que promoveram o golpe e, também sem qualquer prova, pretendem condená-lo e impedir que o senhor se candidate nas eleições de outubro.

Como brasileiras, sabemos que a maioria dos juízes e juízas, ministros e ministras comprometidos com a justiça imparcial, repudia uma condenação política. Por isso, Presidente, confiamos que na instância superior não haverá espaço para que se burle a Constituição e se manche a imagem da Justiça. Os destinos políticos da Nação deverão ser decididos pelo eleitorado, cabendo à justiça zelar pelo cumprimento da Carta Magna.

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