Chico Alencar: ‘o Estado com interesses privados é a grande corrupção’

Deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, Chico Alencar avalia que "o Brasil tem um Estado privatizado talvez desde que começou a se constituir Estado, no período da colônia"; "Um estado cheio de interesses privados no seu interior. Então essa é a grande briga e essa é a grande corrupção também, uma parceria público-privada para drenar recursos públicos. E o simbólico, que deveria ser de todos, para grupos privilegiados", observa; para ele, um governo progressista sobrevive com constante mobilização e pressão; assista

chico alencar
chico alencar (Foto: Gisele Federicce)

Por Túlio Ribeiro, para o 247 – O deputado federal Chico Alencar, do PSOL do Rio de Janeiro, acredita que a grande corrupção no País está nos interesses privados em drenar recursos públicos, e avalia que isso ocorre desde a constituição do Estado, no período da colônia.

"O Brasil tem um Estado privatizado talvez desde que começou a se constituir Estado, no período da colônia. Um estado cheio de interesses privados no seu interior. Então essa é a grande briga e essa é a grande corrupção também, uma parceria público-privada para drenar recursos públicos. E o simbólico, que deveria ser de todos, para grupos privilegiados", afirma, em entrevista à TV 247.

Questionado sobre como pode sobreviver, nesse sistema, um governo progressista, o parlamentar responde: "Quando você desmobiliza as forças sociais de mudança, ou você adere ao sistema ou então vai sofrer o impedimento, vai ser derrubado até. Agora como você sobrevive? Com um governo com constante mobilização e pressão".

O PSOL tem como pré-candidato ao governo do Estado do Rio de Janeiro o vereador Tarcísio Motta e à presidência da República, Guilherme Boulos, líder do MTST e da Frente Povo Sem Medo.

"Todo governo tem que ter um caráter pedagógico. Ele implementa políticas públicas para as maiorias, dá total transparência ao orçamento, para mostrar que os recursos não são infindáveis, para mostrar que governar é escolher prioridades. E também para estimular a organização e o interesse da população", exemplifica, sobre o que não pode faltar em um governo.

"Na verdade, num governo democrático e popular, quem governa é a população, sendo chamada permanentemente a opinar, no âmbito do seu conhecimento, no seu espaço geográfico, com conselhos populares", completa.

Chico Alencar tentará uma vaga no Senado em 2018. "Depois de uns quatro mandatos [como deputado federal], a gente vai perdendo a novidade. Acho que esse tempo já está suficiente. Eu sou meio grilado com quem está deputado há oito, dez, quinze mandatos. Você perde a capacidade de se indignar", explica.

O deputado também comentou um trecho do discurso do ex-presidente Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, quando declarou que foi abandonado pelos engravatados, e quem ficou do seu lado foram os companheiros do passado. "Que bom que o Lula lembrou que quem é fiel até o fim, na situação mais difícil, é o chão da fábrica, é o peão, são os seus amigos de origem. A gente tem que ter muito cuidado para discernir quem é aliado eventual, quem está próximo em determinada conjuntura e quem é companheiro fiel", opina.

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