Contrato de Pezão para jatinho de R$ 2,5 milhões gera revolta

A notícia de que o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, lançou licitação de até R$ 2,518 milhões para contratar uma empresa de táxi aéreo que forneça ao governo jatinho com "um serviço de excelência ao Chefe do Poder Executivo" repercutiu duramente entre políticos, servidores e representantes da sociedade; a contratação milionária no momento em que o estado atravessa séria crise, com servidores com salários atrasados, hospitais em colapso, comércio fechando as portas e universidades em ruínas causou revolta

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pezao (Foto: Leonardo Lucena)

Jornal do Brasil - A notícia de que o governador Luiz Fernando Pezão lançou licitação de até R$ 2,518 milhões para contratar uma empresa de táxi aéreo que forneça ao governo jatinho com "um serviço de excelência ao Chefe do Poder Executivo" repercutiu duramente entre políticos, servidores e representantes da sociedade. A contratação milionária no momento em que o estado atravessa séria crise, com servidores com salários atrasados, hospitais em colapso, comércio fechando as portas e universidades em ruínas causou revolta.

Veja a repercussão: 

Chico Alencar, deputado federal (PSOL) - “Completamente absurda essa iniciativa que se coloca contra o que ele mesmo tem declarado, quando fala de cortes e projetos para enxugar os gastos, pois está sempre em Brasília com o pires na mão. Estamos aí com as universidades estaduais estranguladas, inviabilizadas, o Hospital Universitário Pedro Ernesto também. Essa atitude do governador significa desconhecer totalmente a realidade. É quase inacreditável essa iniciativa sob a alegação de que a agenda dele precisa deste serviço especialíssimo de transporte. Nunca o vi reclamar disso em voos de carreira. Esse avião está fora de rota, não merece nem estar na pista, quanto mais decolar.”

Wadih Damous, deputado federal (PT) - “É um acinte. Falta de respeito. O governador está pensando nele e essa atitude mostra que ele tem medo de ser hostilizado nos aeroportos. É mais um ato de desrespeito ao povo do Rio.”

Jean Wyllys, deputado federal (PSOL) - "É uma barbaridade, mas é a cara do governo do PMDB. O estado do Rio de Janeiro não está falido por uma catástrofe natural, mas porque eles faliram. Enquanto tem servidores sem receber e a Uerj em uma situação de asfixia financeira, o governador gasta dinheiro em táxi aéreo, da mesma forma que gastava em um cardápio de luxo para almoçar salmão e frutas exóticas, da mesma forma que dava isenções bilionárias de impostos a empresas amigas. A falência do Rio de Janeiro é o resultado dessa forma impudica de governar do PMDB.”.

Alessandro Molon, deputado federal (Rede) - "Enquanto servidores não recebem seus salários - alguns não têm sequer o que comer -, o governo pretende gastar R$ 2,5 milhões com um jatinho. Numa crise como esta, isso é inadmissível! Não se pode cortar a comida de alguns e manter o conforto de outros. Chega a ser surreal."

Marta Moraes – coordenadora geral do Sindicato dos Professores - "O que ele está fazendo é um grande absurdo. Primeiro foi o SPA, agora é a compra desse jato executivo. Parece que ele esta brincando com a vida dos servidores. Enquanto isso, vejo pessoas aqui no sindicato vindo buscar cesta básica porque não tem o que comer. Várias pessoas sendo despejadas. E aí o governador está 'sambando' na cabeça das pessoas. É um absoluto desrespeito com os servidores sem salário. É uma revolta, e uma indignação muito grande. A prioridade dele está mais do que claro que não é pagar o que deve aos servidores. O que nós exigimos é que ele pague imediatamente os nossos salários. Não é um favor, é um cumprimento da lei."

Carlos Senna Jr. – assessor Muspe - "O estado já está recuperado. Já voltou a receber dinheiro de petróleo, só que não pode usar isso ainda. E sabe o que ele fez semana passada? Ele conseguiu aprovar na Alerj a isenção fiscal por decreto. É mais uma questão. Desde o dia 15 de novembro eles estão concluindo o Arco Metropolitano com dinheiro do estado, e o servidor está passando fome. A gente desconfia que eles estão usando contas não declaradas para poder o dinheiro não ser pego em arresto. Ele já não apresentou nenhum número da Olimpíada, não tem um aumento ICMS, o imposto que estado recebe. É outro gasto supérfluo. E assim vai. Não tem fornecedor reclamando mais, só escola e hospital. Nós temos absurdos aí. Por que não vende nada? Porque 20% da população, servidores, estão sem dinheiro, e não compram, então não gira a economia. O estado está indo à falência. Mas o jatinho tem que ter. Que administração é essa?"

Debora Pio – coordenadora de mobilizações da ONG Meu Rio - "A gente está lançando uma mobilização sobre isso. É um absurdo o Pezão querer gastar esse dinheiro para viajar com luxo e conforto, enquanto servidores estão sem salário. É inacreditável que ele tenha a cara de pau de lançar esse edital."

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