Costa Pinto: intervenção no Rio já deu errado

"Não há planejamento. Não há coesão entre os militares.  Não há união política mesmo entre os porta-vozes brasilienses. Não há consenso, muito longe disso, entre especialistas ouvidos até pela mídia amiga", aponta o jornalista Luis Costa Pinto

Rio de Janeiro - Soldados do Exército mantêm o controle do acesso à comunidade Vila do João, onde três militares da Força Nacional foram feridos (Vladimir Platonow/Agência Brasil)
Rio de Janeiro - Soldados do Exército mantêm o controle do acesso à comunidade Vila do João, onde três militares da Força Nacional foram feridos (Vladimir Platonow/Agência Brasil) (Foto: Leonardo Attuch)

Por Luis Costa Pinto, em seu facebook – Não há planejamento. Não há coesão entre os militares.  Não há união política mesmo entre os porta-vozes brasilienses. Não há consenso, muito longe disso, entre especialistas ouvidos até pela mídia amiga. Luís Eduardo Magalhães, liderança liberal morta há 20 anos, traduzia assim esses momentos: "não tem chance de dar certo". Não, não há equação possível que me faça antever sucesso nessa mal ajambrada intervenção no Rio de Janeiro.

Eis os motivos, além dos acima expostos:

1. As rotas de fuga dos bandidos estão mapeadas e fechadas? Não. E não estão porque o Exército não se preparou para intervir. Vai chegar aos poucos, como se isso fosse possível.

2. O povo honesto e trabalhador que mora nos morros do Rio, espoliado e humilhado por anos e anos de humilhações e saques, suportará ações arrogantes e intempestivas contra si e os seus? Ficará calado ao ser vítima de baculejos vis e arrogantes? Ou vai reagir? E quando houver reações pontuais e pessoais a isso, como se portarão os militares despreparados para tais atos? O efeito disso será compreendido como dano colateral em meio a uma guerra? Como a mídia favorável à intervenção vai noticiar isso? A 1a vez é teste tenso. A 2a vez é causadora de irritação. Depois da 3a vez, camaradas, o morro desce.

3. O Rio é melhor ou pior que o Brasil? A situação no Rio é pior que a do Ceará ? Do Rio Grande do Norte? Do Acre? De Goiás ? Cearenses, goianos, potiguares, acreanos não merecem o mesmo olhar federal e militar para suas mazelas de segurança ? O Exército tem como atendê-los?

4. Os militares, derrotados pela falta de resultados no Rio, receberão de cabeça baixa a desmoralização do mito de suas forças ? Ou terão de encarar os seus, os próximos, como a face da derrota ante a decepção?

Camaradas, não tem chance de dar certo.

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