Damous: suposto 'acordão' não salvará Cunha

Na opinião de deputado, "quem está dentro da Câmara sabe que ele não escapa, tendo havido acordo ou não", e ex-presidente da Casa ainda terá de enfrentar o Supremo Tribunal Federal

Brasília - O deputado Wadih Damous fala à imprensa após reunião do Diretório Nacional do PT sobre manifestações de apoio ao governo (Valter Campanato/Agência Brasil)
Brasília - O deputado Wadih Damous fala à imprensa após reunião do Diretório Nacional do PT sobre manifestações de apoio ao governo (Valter Campanato/Agência Brasil) (Foto: Leonardo Attuch)

Por Eduardo Maretti, da Rede Brasil Atual

São Paulo – Embora inúmeros deputados avaliem que arenúncia do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha(PMDB-RJ), ontem (7), seja parte de um acordo ou estratégia para salvar seu mandato, o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) defende que essa tese está no “campo da especulação” e que o destino de Cunha está “traçado”. “Se é acordão, me parece que é inútil, porque ele não escapa da cassação. Quem está dentro da Câmara sabe que ele não escapa, tendo havido acordão ou não”, diz Damous. “Esse suposto acordão não será suficiente para livrá-lo, o destino dele já está traçado.”

Um dos vários parlamentares para os quais Cunha tenta salvar seu mandato e renunciou para tentar viabilizar essa saída, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) comentou: “A cena do crime está montada: Eduardo Cunha renuncia à presidência da Câmara, mas mantém o mandato. Com isso, passa a articular a candidatura do seu sucessor, que terá a missão de evitar a cassação do seu chefe. Tudo isso com a conivência de PSDB e DEM e a regência do presidente interino Michel Temer” (leia aqui).

Na opinião de Damous, porém, os problemas de Cunha vão além da própria Câmara dos Deputados. “Repito que tudo isso ainda está no plano da especulação. Mas, ainda que ele não seja cassado na Câmara, ele será preso. Se a Câmara não cassa, ele perde o mandato por força de decisão do Supremo Tribunal Federal”, diz o deputado, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio de Janeiro.

Na semana passada, Damous havia feito avaliação semelhante: “Ou aprovamos a cassação ou entregamos o seu destino ao STF, porque, das condenações nas quais ele (Cunha) é réu, não tem escapatória”, afirmou.

Impeachment

Após a renúncia de Cunha, José Eduardo Cardozo, advogado de Dilma Rousseff no processo de impeachment e ex-ministro da Justiça, avaliou que as justificativas do ex-presidente da Câmara para deixar o cargo fortalecem a defesa da presidenta afastada. “A fala dele sobre sua participação no processo de impeachment é emblemática em relação ao que está acontecendo. Vamos juntar essa fala ao processo”, disse, segundo matéria do portal UOL.

Em sua carta de renúncia, Cunha mencionou a abertura do processo de impeachment como um dos principais feitos de sua gestão. “Considerando as provas que existem contra ele, a fala dele mostra o papel que ele teve no processo de impeachment que afastou um governo que se negou a ceder ao que ele pedia", avaliou Cardozo.

Para Wadih Damous, a condução viciada do processo de impeachment por Eduardo Cunha não é novidade faz tempo. “Que Eduardo Cunha agiu com desvio de finalidade para aprovar o pedido de impeachment, já está mais do que provado. É óbvio que houve desvio de finalidade.  Não é a fala dele de hoje que mostra isso. Isso vem desde lá atrás.”

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