Disputa no PMDB-RJ passa por ministério de Dilma

De volta à Assembleia Legislativa (Alerj) após um hiato de quatro anos, o presidente regional do partido, Jorge Picciani, vem colidindo internamente com os interesses do grupo que inclui o governador Luiz Fernando Pezão, o ex-governador Sérgio Cabral e o prefeito do Rio, Eduardo Paes

De volta à Assembleia Legislativa (Alerj) após um hiato de quatro anos, o presidente regional do partido, Jorge Picciani, vem colidindo internamente com os interesses do grupo que inclui o governador Luiz Fernando Pezão, o ex-governador Sérgio Cabral e o prefeito do Rio, Eduardo Paes
De volta à Assembleia Legislativa (Alerj) após um hiato de quatro anos, o presidente regional do partido, Jorge Picciani, vem colidindo internamente com os interesses do grupo que inclui o governador Luiz Fernando Pezão, o ex-governador Sérgio Cabral e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (Foto: Gisele Federicce)
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por Maurício Thuswohl, para a Rede Brasil Atual

Rio de Janeiro – Como placas tectônicas que exercem forte pressão umas sobre as outras, os principais grupos que disputam o controle do PMDB – e, por tabela, da política estadual – no Rio de Janeiro iniciaram desde a reeleição do governador Luiz Fernando Pezão uma luta surda nos bastidores da política. De volta à Assembleia Legislativa (Alerj) após um hiato de quatro anos, o presidente regional do partido, Jorge Picciani, vem colidindo internamente com os interesses do grupo que inclui Pezão, o ex-governador Sérgio Cabral e o prefeito do Rio, Eduardo Paes. A disputa se dá por questões na ordem do dia, como a presidência da Alerj e a formação do secretariado de Pezão, mas também de olho em 2016 e na sucessão de Paes.

Político magoado com alguns correligionários desde que, em 2010, deixou a presidência da Alerj para disputar ao lado de Cabral uma vaga no Senado que parecia certa, mas foi perdida para o petista Lindberg Farias, Picciani mostrou nestas últimas eleições que seu poder de articulação permanece forte. O presidente do PMDB-RJ não somente conseguiu voltar à Alerj, como reelegeu os dois filhos – Leonardo (deputado federal) e Rafael (deputado estadual) – e ainda teve fôlego para organizar junto a dezenas de prefeitos peemedebistas o movimento "Aezão", que tentou reunir as campanhas de Pezão ao governo e do tucano Aécio Neves à Presidência da República.

A demonstração de força de Picciani continuou. Decidido a voltar à presidência da Alerj, posto que ocupou por quatro mandatos (2003 a 2010), e ser novamente o terceiro nome na hierarquia política estadual, ele rompeu uma tradição do PMDB e resolveu se colocar como alternativa ao atual presidente da casa, Paulo Melo, que o sucedeu em 2011 e tinha a permanência considerada "natural" por Pezão e Cabral. Contrariado, Melo chegou a anunciar publicamente que bateria chapa contra Picciani, mas, jogo jogado, já começou a telefonar para parlamentares próximos dizendo que deixará o cargo. Como consolo, seu destino poderá ser o Tribunal de Contas do Estado (TCE), que abrirá uma vaga em 2015.

Para neutralizar Paulo Melo antes mesmo de a disputa política começar, Picciani contou com o apoio maciço dos 15 deputados que formarão a bancada do PMDB na próxima legislatura. Também conquistou o apoio de PRB, PSD e PCdoB, mas o pulo do gato foi o acordo selado com o ex-governador Anthony Garotinho, que garantiu a Picciani o apoio dos oito deputados que comporão a futura bancada do PR.

Prefeitura e filhos

Mas do que possibilitar a volta de Jorge Picciani à presidência da Alerj, a reaproximação com Garotinho cacifa o presidente do PMDB para a disputa pela prefeitura do Rio em 2016. Nas reuniões da direção do partido, ele tem dito que pretende lançar o nome do filho mais velho, Leonardo, para suceder Paes, no que tem sido encarado pelo prefeito como uma declaração de guerra política. Isso não impediu que Paes anunciasse o nome do filho mais novo de Picciani, Rafael, como novo secretário municipal de transportes. Reeleito deputado estadual, Rafael era até o início deste ano secretário de Habitação do governo Cabral. O poder do clã é considerável.

Já Leonardo Picciani vai para o terceiro mandato como deputado federal e tem estatura própria no PMDB regional para pleitear a prefeitura do Rio. Além disso, pode conquistar o apoio de Garotinho e até mesmo formar chapa com Clarissa Garotinho, como também já insinuou Picciani pai a correligionários.

Agora deputada federal, segunda mais votada do estado nas últimas eleições e também "candidatável" à prefeitura, Clarissa pode ser a chave para a reaproximação oficial de Picciani com o ex-governador, de quem sempre foi mais próximo politicamente do que do próprio Eduardo Paes, que veio do PSDB em 2007 após acordo com Cabral. Como o prefeito, por sua vez, já lançou o nome do deputado federal reeleito Pedro Paulo, seu homem de confiança, para a própria sucessão em 2016, uma readequação de forças no PMDB – e na política fluminense - não é improvável.

Trunfo

Nessa disputa, a presença no novo ministério de Dilma Rousseff pode ser decisiva. Depois de receberem pessoalmente da presidenta o agradecimento por não terem aderido ao movimento "Aezão" na campanha eleitoral, Paes e Pezão pediram em troca que um nome da política fluminense - e do PMDB - fosse indicado para o ministério. O nome em questão é justamente o de Pedro Paulo, também integrante do grupo peemedebista pró-Dilma nas últimas eleições.

A presidenta prometeu se empenhar para atender ao pedido do PMDB fluminense e esteve no Rio nesta sexta-feira 12 para nova reunião com o governador e o prefeito. A questão também faz parte da pauta da conversa que ocorrerá ainda esta semana com o vice-presidente Michel Temer. No entanto, uma solução é difícil, pois o partido pleiteia seis ministérios e nenhum lugar parece ao alcance de Pedro Paulo.

Uma solução seria Dilma bancar o aliado de Paes e Pezão como sendo de sua "cota pessoal". Outra possibilidade seria que o PMDB da Câmara, que já vai emplacar Henrique Eduardo Alves (RN) no ministério, bancasse Pedro Paulo, já que ele é um dos oito deputados fluminenses, a maior bancada regional do partido em Brasília. Mas, esse arranjo passaria forçosamente por uma costura política com outra "placa tectônica", esta a mais imprevisível de todas: Eduardo Cunha, provável futuro presidente da Câmara e também muito interessado em controlar ele mesmo o PMDB no Rio de Janeiro.

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