Doleiro diz ter entregue dinheiro para operador de Pezão

Em delação homologada pelo ministro do STJ Felix Fischer, o doleiro Álvaro Novis, acusado de fazer pagamentos para o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, revelou que entregou dinheiro em espécie, mais de uma vez, para o operador Luiz Carlos Vidal Barroso, o Luizinho, indicado pelo governador do Rio, Luiz Fernando Pezão; amigo de Pezão há mais de 30 anos, o doleiro está preso desde janeiro pela Operação Calicute (versão da Lava-Jato no Rio); Pezão já foi citado na delação da Odebrecht, na do ex-presidente do TCE Jonas Lopes de Carvalho e de seu filho Jonas Lopes de Carvalho Neto

pezao
pezao (Foto: Leonardo Lucena)

Rio 247 - Em delação homologada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Felix Fischer, o doleiro Álvaro Novis, acusado de fazer pagamentos para o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, revelou que entregou dinheiro em espécie, em mais de uma oportunidade, para o operador Luiz Carlos Vidal Barroso, o Luizinho, indicado pelo governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão.

De acordo com o delator, a propina era paga pela Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado (Fetranspor). Novis disse que Luizinho usava o próprio carro para recolher o dinheiro, entregue em 2014, ano em que Pezão venceu a eleição estadual. Amigo de Pezão há mais de 30 anos, o doleiro está preso desde janeiro pela Operação Calicute (versão da Lava-Jato no Rio), 

Pezão foi citado na delação da Odebrecht, na do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Jonas Lopes de Carvalho e de seu filho Jonas Lopes de Carvalho Neto, mas é a primeira vez que um delator disse ter entregue dinheiro em mãos a um emissário determinado pelo peemedebista.

A conexão com o caso TCE deve levar a nova denúncia contra Pezão ao gabinete de Felix Fischer, relator da operação “O Quinto do Ouro”, que prendeu cinco conselheiros e levou para depor o presidente da Fetranspor, Lélis Marcos Teixeira. Os conselheiros são acusados de receberem vantagens indevidas para fazerem vista grossa nos contratos do governo.

Na delação, o ex-presidente do TCE e o filho afirmaram que o doleiro usado pela Fetranspor era Álvaro Novis, o mesmo que operava, para o esquema do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), de acordo com o Ministério Público Federal (MPF). Novis foi preso na Operação Eficiência, deflagrada em janeiro deste ano, e é réu em processo junto ao ex-governador. Ele já havia sido alvo da 26ª fase da Lava-Jato, denominada Xepa, em março do ano passado.

O governador afirmou não conhecer o citado doleiro e reafirmou que nunca recebeu recursos ilícitos ou autorizou qualquer pessoa a recebê-los.

Luizinho disse que não conhece Álvaro Novis e nem negociou ou recebeu valores da Fetranspor, segundo relato do Globo. O assessor de Pezão disse que, em 2014, atuou pouco na campanha eleitoral porque enfrentou um câncer na tireoide, diagnosticado naquele ano.

Mais citações a Pezão

Segundo Jonas, o presidente da Fetranspor, Lélis Teixeira, acertou, em uma reunião na casa do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani, um repasse de R$ 60 mil a R$ 70 mil mensais para cada conselheiro participante do esquema. O ex-presidente do TCE e o filho disseram que o subsecretário de Comunicação do governador do Rio, Marcelo Santos Amorim, o Marcelinho, casado com uma sobrinha do governador, participou de um esquema que desviou 15% dos valores liberados pelo fundo de modernização do TCE-RJ para pagamento de despesas de alimentação de presos com a “aquiescência do governador”.

O filho de Jonas afirmou que Pezão foi beneficiado com R$ 900 mil em recursos desviados do esquema que funcionava no tribunal e citou o secretário de governo de Pezão, Affonso Henrique Monnerat, como um dos assessores próximos a Pezão que tinham conhecimento das operações ilícitas.

Pezão aparece também como beneficiado por pagamentos indevidos em outras duas delações dos ex-executivos da Odebrecht. Benedicto Júnior, ex-presidente da construtora Odebrecht, afirmou que a empresa gastou em torno de R$ 120 milhões com o ex-governador Cabral e o atual Pezão (PMDB), entre caixa dois para campanhas de ambos e propinas pagas a Cabral. Em troca, a empresa conquistou os contratos a Linha 4 do metrô, reforma do Maracanã, do PAC das Favelas no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio, o Arco Metropolitano, e outras obras classificadas como “projetos menores”. Segundo Benedicto Júnior, a construtora pagou R$ 20,3 milhões na campanha de Pezão em 2014, via caixa dois — a prestação de contas apresentada pelo governador ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não traz doações da Odebrecht.

A empresa também teria pago ainda 1 milhão de euros ao marqueteiro de Pezão em 2014, Renato Pereira, a pedido de Cabral. De acordo com relatório da Polícia Federal, há indícios de que o governador do Rio recebeu propina do esquema de corrupção, porque o nome dele consta em anotações manuscritas encontradas durante busca e apreensão na casa de Luiz Carlos Bezerra, apontado como um dos operadores de Cabral.

A PF fala sobre uma possível referência à propina de R$ 140 mil paga a Pezão no dia 20. No manuscrito, aparece o número “140.000” e, ao lado, a palavra “Pé”. Em outro trecho, cujo título é “Saída 2/14”, Bezerra escreveu “p/ sair” e abaixo aparecem alguns valores e nomes, entre eles o número “140.000” ao lado da palavra “Pezão?”.

Outra anotação, com o título de “Saída 1/14”, aparece novamente o número “140.000” ao lado da palavra “Pé”. Essa mesma referência consta em outro bilhete, com o título “janeiro”, e em outro em que há ao lado do valor o apontamento “20/1”. Em uma das anotações apreendidas pela PF, aparece um valor diferente: R$ 50 mil, ao lado do nome de Pezão.

 

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