Em 45 páginas do plano de governo, Russomanno cita a palavra mulher apenas uma vez

Levantamento mostra que Jilmar Tatto (PT) é o candidato que mais menciona as mulheres em caderno com propostas para a capital paulista

(Foto: Reprodução/Instagram)
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Igor Carvalho, Brasil de Fato - Líder das pesquisas eleitorais na disputa para a Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno (Republicanos) cita as mulheres apenas uma vez nas 45 páginas de seu plano de governo. Ao todo, os 14 candidatos mencionam a palavra “mulher” 246 vezes em 698 páginas de propostas para o município.

A única citação de Russomanno é no primeiro parágrafo do tópico Saúde, quando o candidato apresenta sua proposta para o setor. “Avançar no fortalecimento dos programas de atenção em saúde dirigidos aos grupos populacionais prioritários e de alto risco, como crianças, mulheres, gestantes, idosos e dependentes químicos.”

Nubia Minardi, embaixadora do Vote Nelas São Paulo, lembrou que apenas três mulheres são candidatas à prefeitura paulistana e lamentou o baixo índice de propostas do candidato do Republicanos. "Celso Russomanno já é conhecido, de longa data, por seus comportamentos misóginos. Inclusive, ele já foi objeto de acusação de assédio sexual e agressão. Portanto, não nos espanta ver a nossa invisibilidade em suas propostas, o que apenas evidencia que o debate de gênero e suas violências estruturantes devem estar no centro das eleições."

Jilmar Tatto (PT), com 67 citações em 152 páginas, é quem mais lembrou das mulheres em seu programa de governo. As paulistanas são mencionadas em quase todos os tópicos do plano do petista, que também dedica um intertítulo para apresentar propostas ao eleitorado feminino.

“Uma São Paulo Protegida não pode desconsiderar as especificidades das demandas feministas, colocando o poder público a serviço da garantia dos direitos de todas as mulheres, tanto nos espaços públicos quanto privados, de forma transversal, em todas as áreas de atuação do governo”, afirma o candidato em seu plano de governo.

Antônio Carlos (PCO), que cita as mulheres por 50 vezes em 37 páginas do programa de governo, aparece em terceiro. O candidato trata de políticas para mulheres em temas diversos, mas não dedica um espaço específico no documento para falar sobre as paulistanas.

“Por uma participação real das mulheres na política: contra os ataques da extrema-direita que avança contra os poucos direitos já conquistados pelas mulheres”, indica o candidato.

Marina Helou (Rede) é a primeira candidata a aparecer na lista. Nas 89 páginas de seu programa de governo, as mulheres são citadas 47 vezes. Entre as propostas apresentadas pela concorrente à prefeitura paulistana, há o tópico “Equidade de gênero”.

“Tendo como base o Plano Nacional de Políticas para Mulheres, vamos avançar ainda mais para alcançar a igualdade de gênero, tendo como eixos a autonomia econômica e a capacitação para o mercado de trabalho; o enfrentamento à violência contra a mulher; a saúde das mulheres e seus direitos reprodutivos; a educação, a cultura e a qualidade de vida; a participação política e o controle social; os direitos humanos, o enfrentamento ao racismo e à transfobia e a desigualdade geracional.”

Terceiro nas pesquisas de intenção de votos, Guilherme Boulos (PSOL) cita as mulheres em 44 oportunidades, nas 62 páginas de seu plano de governo. O candidato dedica um tópico ao assunto, é o 14º do seu caderno de propostas. “Mulheres e Igualdade de Gênero.”

“Todas devem ser tratadas pela Prefeitura de forma transversal, considerando o conjunto das políticas públicas. Para que as nossas propostas sejam possíveis, é imprescindível a criação imediata de uma Secretaria de Políticas para Mulheres e Igualdade de Gênero com orçamento próprio e autonomia para liderar a construção dessas soluções”, afirma Boulos em seu plano de governo.

Gráfico Mulher plano de governo


Em seguida, aparece Joice Hassalmann (PSL), que menciona as mulheres por 10 vezes em 84 páginas do plano de governo. Não há um tópico específico que trate de políticas para as paulistanas. A proposta mais direcionada para o público feminino é sobre acesso à renda que trata da criação do Banco da Mulher, iniciativa de micro crédito destinado exclusivamente para as mulheres das periferias da cidade.

"Nesta pandemia ficou evidenciado o papel central da mulher na constituição e/ou na complementação da renda familiar. Iniciativas como venda de marmitas, costura, limpeza, salões de beleza deverão ser objeto de nossa atuação. O modelo que utilizaremos será o do micro crédito produtivo orientado. Este modelo, criado pelo economista bengali e prêmio Nobel da Paz em 2006 Muhammad Yunus, prevê a presença do Agente de Crédito como elemento de ligação entre a instituição de crédito e os tomadores”, sugere Hasselmann.

Andrea Matarazzo (PSD), menciona as mulheres oito vezes nas 39 páginas de seu plano de governo. Sete delas no intertítulo “Direitos Humanos: Enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher”. Na oitava citação, propõe a “Patrulha Maria da Penha para mulheres em risco de violência.”

Matarazzo também sugere a “promoção e realização de campanhas educativas de prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher, voltadas ao público escolar e à sociedade em geral.”

Atual prefeito, Bruno Covas (PSDB) cita as mulheres em seis oportunidades nas 46 páginas de seu plano de governo. O candidato à reeleição não apresenta propostas novas para o eleitorado feminino. Em todas as menções, o tucano fala de projetos realizados por sua gestão.

“Com relação à saúde da mulher, foram criados nove novos Serviços de Referência de Mama: com isso, o tempo de espera por consultas com mastologistas caiu quase 80%, de 87 para 18 dias”, aponta Covas.

Em seguida, aparece Orlando Silva (PCdoB), que cita as mulheres por cinco vezes em 19 páginas do plano de governo. O comunista não possui propostas especificas para as paulistanas. Das cinco vezes que utiliza a palavra “mulher”, em duas é para se referir à sua vice, Andrea Barcelos.

No final do plano de governo, Silva explica. “Todas as propostas apresentadas terão como centro a manutenção e a ampliação de empregos, preferencialmente nas regiões periféricas da cidade e considerando a proporção de jovens, mulheres e negros na sociedade.”

Márcio França (PSB) também cita as mulheres em cinco oportunidades, mas em 35 páginas, quase o dobro de Orlando Silva. Em três situações, as paulistanas aparecem apenas para compor dados, como “20% das adolescentes e jovens mulheres já são mães”. Na área da Saúde, é onde o candidato apresenta sua única proposta ao público feminino.

“Iniciaremos pela organização do Programa de atenção integral à saúde da mulher e, partindo deste, desenvolveremos o da criança, idoso e trabalhador”, sugere França.

Em um plano de governo curto, de apenas 6 páginas, Vera Lúcia (PSTU) não aprofunda propostas e cita as mulheres em duas oportunidades. Na primeira, a candidata pede ampliação de vagas no serviço público para “gerar empregos com carteira assinada e reserva de 70% das vagas para mulheres e negros”.

Falando sobre segurança pública, Lúcia cita novamente as mulheres. “Basta de machismo e LGBTfobia! Pelo fim da violência às mulheres e às LGTBs. Aplicação e ampliação da Lei Maria da Penha: campanhas contra a violência machista e LGBTfóbica, mais delegacias especializadas 24h por dia e 7 dias por semana, casas abrigo e assistência psicossocial e jurídica para as vítimas de violência.”

Assim como Russomano, Filipe Sabará (Novo) cita as mulheres apenas uma vez em seu plano de governo. Há uma segunda no índice, indicando o tópico “Saúde da Mulher”, onde ele apresenta sua única proposta para as paulistanas.

“Investiremos em exames preventivos, no atendimento pré-natal e em políticas para prevenir a gravidez precoce, vacinação para HPV na população fértil, rastreamento de câncer de mama e do colo de útero. Promoveremos atendimento especializado para vítimas de violência doméstica, conjuntamente com acompanhamento psicológico e políticas públicas de conscientização”, sugere Sabará em seu plano de governo.

Em 12 páginas de plano de governo, Levy Fidelix (PRTB) não cita as mulheres. É o mesmo caso de Arthur do Val (Patriota), cuja vice é Adelaide Oliveira, que em 38 páginas, não menciona e nem apresenta qualquer proposta às paulistanas.

Minardi pede que "o público-alvo principal da política deve estar na liderança da mesma, ou pelo menos participando diretamente com representatividade significativa de sua construção, para que tenhamos uma política democrática e paritária para a população."

O Brasil de Fato tentou contato com Celso Russomano, mas o candidato não foi localizado até o fechamento da matéria.

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