Em Minas, disputa política trava hospital para pacientes com coronavírus

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, informou que o hospital não seria mais construído após classificar de proposta como "imoral, indecorosa e politiqueira" por parte do governo estadual, o dono do Mineirão

Alexandre Kalil e Romeu Zema
Alexandre Kalil e Romeu Zema (Foto: Amira Hissa/PBH | Washington Costa - SEPEC/ME)
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247 - Um embate político entre o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), travou a construção de um hospital com capacidade para cerca de 500 leitos, que seria destinado ao tratamento de pacientes com coronavírus. Até esta quarta-feira (8), Minas tinha 14 mortes confirmadas por coronavírus e outros 97 falecimentos em investigação. Ao todo, foram pelo menos 614 casos confirmados para a doença, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. 

O hospital seria construído na esplanada do estádio Mineirão. A prefeitura bancaria a estrutura em parceria com empresa do setor de mineração. A concessionária que administra o estádio já havia autorizado a obra e, de acordo com o prefeito, foi acertado com Zema. Mas, na última segunda-feira (6), Kalil informou que o hospital não seria mais construído após classificar de proposta como "imoral, indecorosa e politiqueira" por parte do governo estadual, o dono do Mineirão. 

O prefeito fez referência à proposta apresentada pelo secretário estadual de Infraestrutura e Mobilidade, Marco Aurélio Barcelos, segundo a qual Kalil e Zema deveriam aparecer juntos em apresentações públicas que envolvessem o hospital. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

"O Estado não cedeu a esplanada para a prefeitura de Belo Horizonte, infelizmente, apesar de que eu já tinha combinado pessoalmente com o governador. E, depois, um secretário, Marco Aurélio Barcelos, que é um garotinho, acho que tem 39 anos, fez uma proposta imoral, indecorosa e politiqueira para ceder o espaço", disse Kalil, em coletiva de imprensa. "Quero dizer a esse rapaz que isso não é hora de promover o governador, de promover governos. É hora de salvar vidas", acrescentou. 

Em nota, a Secretaria disse ter oferecido na semana passada o espaço para a montagem do hospital de campanha pela prefeitura "sem qualquer custo". Mas, "por se tratar de um equipamento administrado por empresa privada, contratada pelo Estado de Minas Gerais, informou-se que seria necessária a atuação conjunta de ambos os entes para a realização do empreendimento, tendo sido a Secretaria Municipal de Saúde comunicada de que as equipes da Seinfra estavam de prontidão para dar andamento a todas as medidas jurídicas e operacionais necessárias".

"A oportunidade de atuar em conjunto com as autoridades municipais neste momento de crise independe de preferências ou de qualquer contexto eleitoral", complementa. 

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