Erundina ironiza ‘sumiço’ do vice de Covas: ‘Parece que está se escondendo’

Ex-prefeita e vice de Boulos também prometeu gestão “radicalmente democrática” e “inversão de prioridades”: “Não vamos governar de costas para a periferia”, afirmou

Luiza Erundina
Luiza Erundina (Foto: Reprodução/Facebook)
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Por Tiago Pereira, da Rede Brasil Atual – A deputada Luiza Erundina (Psol), candidata a vice na chapa liderada por Guilherme Boulos na disputa pela prefeitura de São Paulo, criticou o “sumiço” de Ricardo Nunes, candidato a vice de Bruno Covas (PSDB). “Me parece que está se escondendo. Covas também não dá muita informação sobre o vice. Muito menos explicações do porquê ele desapareceu”, declarou nesta quarta-feira (25), em sabatina realizada pelo portal Uol.

Convidado a participar de um debate entre vices, Nunes alegou “problemas de agenda” para não participar do encontro. “Deve ser porque ele deve explicações à sociedade”, provocou a candidata do Psol.

Segundo Erundina, Nunes precisa se explicar em relação a denúncias sobre a chamada “máfia das creches”. Empresas ligadas a ele teriam sido beneficiadas em contratos com a prefeitura na educação infantil. Além disso, o vice de Covas também foi alvo de um boletim de ocorrência, após desentendimento com a sua esposa, Regina Carnovale, em 2011.

“É ruim para o eleitor votar em alguém, indiretamente, sem saber quem é essa pessoa. Quais as explicações que ele teria que dar sobre essas graves acusações contra ele? É lamentável que a gente não possa ter o outro candidato a vice debatendo a cidade”, disse Erundina.

Ela disse, ainda, que Nunes não foi uma “escolha livre” de Covas, mas uma “exigência” do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Segundo Erundina, com essa aliança, Doria pretende garantir o apoio do MDB numa eventual candidatura à presidência em 2022.

Gestão “radicalmente democrática”

Se eleita junto com Boulos, Erundina prometeu uma gestão municipal “radicalmente democrática”, com “efetiva participação” da sociedade civil organizada. “A cidade é muito grande e complexa. As demandas são crescentes. O diálogo tem que ser permanente. Não vamos governar do centro da cidade de costas para a periferia, como normalmente os governantes dessa cidade fazem. Vamos estar presentes nas periferias, nas prefeituras regionais, nas decisões junto com a população organizada.”

A ex-prefeita também afirmou que, diante de uma eventual minoria na Câmara municipal, a saída é “recorrer ao poder popular”. “Concordo que é necessário que se tenha uma relação de diálogo, de entendimento transparente. Mas o que dá sustentabilidade numa relação de minoria, quando não se quer ceder a princípios e valores e compromissos que estão na base do programa, é recorrer ao poder popular”, afirmou.

União das esquerdas

Por outro lado, Erundina também celebrou o apoio de partidos “democrático-populares” à sua chapa com Guilherme Boulos. A composição com legendas como o PT, PCdoB, PDT e PSB, deve servir não apenas durante a disputa eleitoral, mas como uma aliança para governar a cidade. ” Há muito em comum entre esses partidos”. Também serve de exemplo, segundo ela, para inspirar uma articulação em nível federal.

Inversão de prioridades

Eleita em 1988 como a primeira mulher a comandar a cidade de São Paulo, Erundina disse que foi vítima de preconceito por parte da mídia e das elites paulistanas. “Não me conheciam. Tinham um juízo desfavorável a meu respeito. Por eu ser mulher, nordestina, de origem humilde, militante ligada à população favelada e dos cortiços, aos excluídos”. Esse preconceito se traduziu em “mentiras”, como a de que “iria ocupar as casas das pessoas”.

Apesar disso, ela destacou legados da sua gestão que ainda permanecem, como as políticas de saúde mental, premiadas internacionalmente. Também ressaltou avanços na área social, como as 40 mil moradias construídas no modelo de mutirão. Essa “inversão de prioridades” garantiu que o “foço da desigualdade” fosse reduzido naquele período. “A memória daquele governo ainda hoje está presente”, destacou.

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