Eugênio Oneguin Futebol Clube

A chance de aproveitar a Copa para além do evento esportivo parece perdida. Resta segurá-la por aqui, para poder ao menos fingir que nada aconteceu de errado

O nome do nosso herói é Aldo Rebelo. Egresso da desgastante batalha épica do Código Florestal, em que conduziu bravamente as tropas ruralistas na direção do acordo impossível, o nobre comunista foi convocado para liderar os esforços de toda uma nação perante o maior desafio de sua história: se organizar.

Não, a Copa do Mundo de 2014 não é a solução dos problemas do Brasil, mas foi vendida como se o fosse. Era mirando o horizonte da competição que o país iria modernizar seus aeroportos, remodelar a forma como seus cidadãos se locomovem nas grandes cidades e aprimorar suas ferramentas de comunicação. Cinco anos depois, nada disso aconteceu.

Na esperança de colocar as coisas nos eixos (e de manter o Ministério do Esporte nas mãos do PCdoB, naturalmente), ressurge o pushkiniano Aldo Rebelo, que não leva chute no traseiro para casa. Mas de que adianta tanta valentia? “A Fifa não vai fazer tudo o que quiser na casa da gente”, desafiam os deputados. Quer dizer que ninguém sabia que tem cerveja em jogo de Copa do Mundo?

Desde o fim de 2007 que a Copa vem sendo levada na maciota, como tudo costuma ser levado por aqui, mas bastou aparecer o primeiro pito da Fifa para os organizadores brasileiros se encherem de brios e exigirem respeito. É clássico, é Eugênio Oneguin desprezando o amor de Tatiana enquanto moça para chorar pelo seio perdido quando já é tarde demais.

Faz três anos que as autoridades brasileiras devem à Fifa a aprovação da Lei Geral da Copa, com ou sem bebida e meia-entrada. A chance de conseguir aproveitar a Copa do Mundo para além do evento esportivo já parece perdida. Resta segurar o evento por aqui — e levar o título —, para poder ao menos fingir que não aconteceu nada de errado.

Leia mais em Literatura de verdade

Conheça a TV 247

Ao vivo na TV 247 Youtube 247