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Indecisão fragmenta o PT em Minas antes das eleições

Com Pacheco indeciso sobre a disputa, partido se divide entre apoiar Kalil, Gabriel Azevedo ou lançar candidatura própria

Geraldo Alckmin, Lula e Rodrigo Pacheco (Foto: Ricardo Stuckert)
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247 - O PT avalia alternativas em Minas Gerais enquanto a possível desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) de disputar o governo estadual amplia a pressão sobre o presidente Lula (PT) e abre uma disputa por palanque em 2026. A indefinição tem provocado incômodo entre aliados mineiros, que aguardam uma decisão final do presidente sobre o nome que deverá receber apoio do partido no estado, informa o Metrópoles.

A avaliação predominante entre petistas de Minas e de Brasília é que Pacheco não deve se lançar candidato ao Palácio Tiradentes. Ainda assim, dirigentes e integrantes da base esperam que Lula defina se insistirá no senador ou se buscará outro nome para liderar o campo governista na eleição estadual. Nos bastidores, aliados demonstram frustração com a demora. 

Minas volta ao centro da estratégia de Lula

A cobrança ocorre em um estado considerado decisivo para Lula. Em 2022, o presidente venceu em Minas Gerais no segundo turno com 50,20% dos votos válidos, contra 49,80% de Jair Bolsonaro (PL). O resultado apertado é lembrado por petistas como sinal da importância estratégica do eleitorado mineiro para a vitória nacional.

Publicamente, porém, lideranças do PT em Minas adotam tom mais cauteloso. A presidente estadual da legenda, Leninha, e o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) têm dito que o partido deverá se reunir para tratar do cenário, mas que aguarda com paciência uma sinalização de Lula.

Kalil aparece como alternativa, mas enfrenta resistências

Entre os nomes avaliados pelo PT mineiro está o do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). Ele já disputou o governo de Minas em 2022 com apoio petista, tem recall junto ao eleitorado estadual e integra um partido que compõe a base nacional do governo.

A possível candidatura de Kalil também é vista como uma alternativa capaz de atrair apoio da federação Rede-Psol, segundo pessoas próximas às articulações partidárias citadas pelo Metrópoles. Apesar disso, há resistência dentro do PT.

Parte dos petistas ainda guarda ressentimento em relação à postura de Kalil após a derrota para Romeu Zema (Novo) em 2022. Esses integrantes da legenda afirmam que prefeririam não repetir a aliança, embora reconheçam que poderão seguir a decisão da direção partidária caso essa seja a orientação.

No início da semana, Kalil negou ter conversado com lideranças do PT sobre a disputa estadual.

Gabriel Azevedo também é citado

Outro nome em análise é o de Gabriel Azevedo (MDB), pré-candidato que tem dialogado com diferentes partidos, incluindo setores do PT em Minas. Embora não desperte consenso interno, o emedebista também não enfrenta veto formal dentro da legenda.

A principal ressalva feita por petistas envolve o histórico político de Azevedo, marcado por rompimentos ou afastamentos de antigos aliados. Nos bastidores, são citadas passagens pelo PSDB, divergências com Aécio Neves, o afastamento de Alexandre Kalil quando este comandava a prefeitura de Belo Horizonte, e a relação com o ex-secretário de Governo de Minas Gerais Marcelo Aro (PP).

Azevedo, no entanto, nega ter rompido com Aécio. Segundo ele, houve divergências com grupos internos do PSDB, o que o levou a buscar outros caminhos políticos, mantendo relação cordial com o tucano.

Candidatura própria ganha força

A terceira possibilidade discutida é o lançamento de uma candidatura própria. Essa alternativa é defendida pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), vice-líder do governo no Congresso. Ele afirma que o nome deve sair dos quadros internos do partido, embora ainda não haja definição sobre quem poderia representar a legenda.

Questionado sobre a possibilidade de ele próprio disputar o governo, Lopes disse que não pretende concorrer ao Palácio Tiradentes e que seu objetivo é disputar uma vaga ao Senado. Ainda assim, correligionários afirmam não ver firmeza nessa posição e consideram que ele pode acabar entrando na disputa estadual.

Outros nomes lembrados internamente são os da ex-reitora da UFMG Sandra Regina Goulart e do deputado federal Rogério Correia.

PSB tem outros nomes no radar

Além de Rodrigo Pacheco, dois nomes ligados ao PSB aparecem como potenciais alternativas para a disputa em Minas Gerais. Um deles é o empresário Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José Alencar.

Setores do PSB defendem Josué por sua relação com o setor industrial e por ser visto como um nome próximo ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Esses fatores são apresentados por aliados como pontos favoráveis a uma eventual candidatura.

Outro nome citado é o do ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares Júnior. A avaliação de parte dos articuladores é que sua candidatura poderia dialogar com setores do Judiciário mineiro.

Pacheco ainda deve se reunir com Lula e Alckmin

Rodrigo Pacheco ainda deve se encontrar com Lula e Geraldo Alckmin para comunicar formalmente sua decisão, mas a reunião ainda não tem data confirmada. Entre aliados, há quem avalie que o encontro poderá ser usado pelo presidente para uma última tentativa de convencê-lo a disputar o governo de Minas.

Integrantes do PSB atribuem a provável desistência de Pacheco a razões pessoais. Petistas, por outro lado, avaliam que o senador buscava uma base mais ampla, com apoio de partidos de centro, como o MDB, o que não se consolidou.

A situação de Pacheco também se conecta às movimentações em Brasília. O senador era apontado como o nome preferido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Lula, no entanto, indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, decisão que desagradou Alcolumbre. O nome de Messias não foi aprovado no Senado.

A tendência é que Alcolumbre indique Pacheco para uma vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), caso o ministro Bruno Dantas deixe o cargo antes do prazo previsto.

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