Lindbergh denuncia crimes de Eduardo Bolsonaro e diz que o Brasil não será entregue a "traidores" (vídeo)
Deputado afirma que ex-parlamentar será julgado pelo STF por coação judicial e acusa bolsonarismo de atacar a soberania brasileira
247 – O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) denunciou nesta segunda-feira (8), pela rede social X, ações atribuídas ao ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e afirmou que o Brasil não será entregue a "traidores", em referência às articulações do ex-parlamentar nos Estados Unidos contra o país sul-americano.
"Se Eduardo Bolsonaro hoje está no banco dos réus por coação no curso do processo, por atentado à nossa soberania, tentativa de intimidação, tarifas, Lei Magnitsky, pedidos de intervenção militar dos EUA contra o Brasil, tudo isso foi por conta de um trabalho incansável que fizemos", escreveu Lindbergh.
O ex-parlamentar da extrema direita mora nos Estados Unidos desde o começo do ano passado e será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a partir de 16 de junho, no processo sobre coação judicial. A apuração envolve acusações de tentativa de interferência em investigações sobre a trama golpista que levou à condenação de Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão.
O petista afirmou que lideranças e eleitores do campo progressista denunciaram as ações de Eduardo Bolsonaro e de aliados no exterior. Segundo Lindbergh, essas iniciativas buscavam garantir impunidade a Jair Bolsonaro, condenado no inquérito sobre tentativa de golpe de Estado.
"Nós não vamos entregar o Brasil a esses traidores que continuam agindo contra o nosso país e o povo brasileiro. A resposta será na Justiça, mas também virá das urnas. O povo brasileiro não vai seguir o caminho da traição!", acrescentou.
Lindbergh também afirmou que momentos de crise institucional exigem reação política. "Existem momentos em que é preciso agir com firmeza, pegar a história pelas mãos e transformá-la."
Contexto das acusações
Eduardo Bolsonaro, deputado cassado pelo PL de São Paulo, mantém articulações junto ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de estimular sanções contra o Brasil por causa de condenações em inquéritos sobre tentativas de golpe.
O STF julgará o ex-parlamentar após acusações ligadas à tentativa de interferência no caso da trama golpista. Ao todo, ao final do inquérito da trama golpista, a Corte condenou 29 pessoas, incluindo Jair Bolsonaro, que recebeu pena de 27 anos e três meses de prisão.
A investigação sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 resultou em mais de 1,4 mil condenações no STF. Esse conjunto de decisões ampliou a pressão de aliados bolsonaristas sobre instituições brasileiras e autoridades do Judiciário.
Tarifaço, Pix e soberania nacional
As articulações entre bolsonaristas e o governo Donald Trump ganharam novo peso após a gestão estadunidense anunciar, na semana passada, a intenção de aplicar um tarifaço de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.
O governo trumpista também criticou o Pix e acusou o Brasil, sem apresentar provas, de adotar práticas desleais no comércio global. Para políticos do campo progressista, essas medidas fazem parte de uma ofensiva contra a soberania nacional brasileira.
Lindbergh enquadra o caso como uma disputa política e institucional. Para o deputado, a tentativa de buscar apoio externo contra decisões do Judiciário brasileiro representa uma continuidade dos ataques à democracia e aos interesses nacionais.



