Lula deve se reunir com Pacheco para definir palanque em Minas
Presidente deve conversar com senador na próxima semana sobre eventual candidatura ao governo mineiro, enquanto PT cobra definição
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir com o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) na próxima semana para uma conversa considerada decisiva sobre o palanque governista em Minas Gerais. O encontro é aguardado por lideranças petistas em meio à indefinição sobre uma eventual candidatura do ex-presidente do Senado ao governo mineiro.
As informações são do Valor Econômico. Embora a cúpula nacional do PT trate o tema como praticamente superado, interlocutores de Lula, de Pacheco e da legenda de Minas afirmam que ainda falta uma conversa direta entre os dois e um posicionamento público do senador para encerrar o impasse.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou ao Valor que Lula conduzirá pessoalmente a definição da chapa petista em Minas Gerais. No estado, a presidente do diretório mineiro do PT, deputada estadual Leninha, disse que a sigla segue aberta a uma composição com Pacheco.
“Se o Pacheco resolver vir, vamos juntos com ele”, afirmou Leninha.
Enquanto a reunião entre Lula e Pacheco não ocorre, o PT nacional e o diretório mineiro devem tratar do palanque estadual nesta segunda-feira (25), em Brasília, em encontro com o presidente nacional da legenda, Edinho Silva. Ele já declarou publicamente que Pacheco não disputará o governo mineiro, mas dirigentes locais ainda aguardam um gesto de Lula e uma resposta pública do senador.
Leninha disse que a conversa entre Lula e Pacheco “já era pra ter acontecido há várias semanas”. Segundo ela, a indefinição provoca angústia no partido e atrapalha a construção de alianças a cerca de dois meses das convenções partidárias, etapa em que as chapas serão formalizadas.
Um interlocutor de Pacheco afirmou ao Valor que o desgaste entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tornou o cenário mais complexo para uma eventual candidatura do senador ao Palácio Tiradentes. A relação entre os dois se deteriorou depois de 29 de abril, quando o Senado rejeitou a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro da Defesa, José Múcio, atuam para tentar viabilizar uma conversa de conciliação entre Lula e Alcolumbre, mas esse encontro ainda não ocorreu.
A movimentação em torno de Pacheco ganhou novo fôlego após pesquisa divulgada na quinta-feira (21) pelo Instituto Real Time Big Data. No levantamento, o senador Cleitinho (Republicanos) aparece na liderança da corrida pelo governo de Minas, com 35% das intenções de voto. Pacheco surge em segundo lugar, com 15%, numericamente à frente do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que marca 14%.
O governador Mateus Simões (PSD), aliado do ex-governador Romeu Zema (Novo), aparece em quarto lugar, com 11%. O resultado animou aliados de Pacheco, que veem espaço político para uma candidatura competitiva.
Além de Pacheco, outros nomes são citados nos bastidores como possibilidades para o palanque lulista em Minas. Entre eles estão o empresário Josué Gomes da Silva (PSB), da Coteminas, filho do ex-vice-presidente José Alencar, e o ex-procurador de Justiça Jarbas Soares Júnior (PSB).
Uma aliança com Kalil, por outro lado, é considerada improvável por lideranças do PDT e do PT. A definição do nome apoiado por Lula em Minas é tratada como uma peça central da estratégia eleitoral no estado, um dos maiores colégios eleitorais do país.



