Luxa se viu "fritado" por Gaúcho e poderosa Patrícia

Ex-tcnico do Flamengo sai reclamando; seu contrato garante recebimento de multa de R$ 4 milhes; presidente Patrcia Amorim no se importou; Ronaldinho Gacho foi o piv da separao; "Fui totalmente desrespeitado!", disse Luxemburgo

O técnico Vanderlei Luxemburgo falou nesta sexta-feira pela primeira vez sobre a sua saída do Flamengo, oficializada na quinta, e aproveitou para criticar a presidente Patrícia Amorim. O treinador declarou ter sido "fritado" por vários dirigentes do clube e que precisou conviver com seguidos atos de indisciplina no elenco. Para ele, a presidente não teve lealdade e perdeu seu poder à frente do clube da Gávea.

"Ela com certeza deixou de ter autoridade de presidente. Vi isso no olho dela, conversando com ela. Fui totalmente desrespeitado. Faltou isso, as coisas foram direcionadas para mim", disse. "Faltou pulso em algumas situações, mas eu entendo. Na conversa de ontem, senti a Patrícia muito sozinha. Achei que ele está muito vulnerável. A minha saída não pode ser algo normal do futebol", afirmou Luxemburgo,

O treinador do Flamengo classificou o tratamento recebido no Flamengo nas últimas semanas como um dos "mais feios" vivenciados na sua carreira. "Poucas vezes, dentro de tanto tempo de futebol, vi uma fritura tão grande como a que foi feita comigo, vazando informações precisas para jornalistas, para que chegasse ao desgaste que chegou. Foi um dos processos mais feios que vi na minha vida profissional", criticou.

Luxemburgo declarou não ter se surpreendido com a decisão da diretoria de demiti-lo, já que a informação estava sendo especulada nas últimas semanas. "Eu já sabia que ia sair do Flamengo porque a notícia saiu há um mês atrás, que quando terminasse os dois jogos, eu não seria mais o técnico e simplesmente se confirmou. O jornalista que deu essa informação sabia disso, não colocou isso porque quis colocar. Ele tinha as informações", comentou.

O técnico declarou não ter tido o respaldo da diretoria para acabar com os constantes atos de indisciplina em 2012. "Comuniquei no início desse ano que seria difícil conviver com as coisas que aconteceram no ano passado. Falei que tinha que mudar nesse ano. Eu mudei e comecei a colocar as coisas no lugar. Mas se a diretoria não mudou, não é meu problema. Se prefere jogar os problemas para debaixo do tapete, tudo bem. Eu fiz e venci, sou pago para comandar", declarou.

O técnico evitou criticar diretamente Ronaldinho Gaúcho, um dos principais pivôs da sua demissão, mas admitiu que o comportamento do jogador o incomodava. "Eu não tenho que ter relação com jogador fora do futebol. Não quero o Ronaldinho para casar com a minha filha, quero o Ronaldinho para jogar futebol e cumprir seus compromissos. A regalia que um jogador de alto nível tem que ter é o salário que ele ganha. As outras exigências têm que ser as mesmas", afirmou.

Em quase dois anos no comando do Flamengo, Luxemburgo conquistou o título do Campeonato Carioca de 2011 e classificou a equipe para a Libertadores deste ano. Por isso, avaliou ter cumprido os seus objetivos. "Meu resultado veio para o projeto que fui contratado, o resultado foi excelente", disse.

Além disso, ele avisou que não teria problemas em voltar a trabalhar pelo Flamengo, mas revelou preferência por um cargo diferente. O treinador também comparou a sua demissão com a saída de Zico, que trabalhou por apenas quatro meses, em 2010, no cargo de diretor executivo, também na gestão de Patrícia Amorim.

"Eu me sinto satisfeito por ter voltado ao Flamengo, nunca escondi que sou flamenguista. Se eu trabalhar amanhã no Fluminense, vou querer ganhar do Flamengo porque sou profissional. Mas nunca vou negar que sou Flamengo, eu ia de bandeira ao Maracanã quando criança, não posso negar. Aconteceu comigo o que aconteceu com o Zico, um dos mais ilustres jogadores do futebol. Voltaria, mas não como técnico".

Apesar das críticas aos dirigentes, Luxemburgo avaliou que o Flamengo está no rumo certo sob o comando de Patrícia Amorim. "Eu saí, mas o Flamengo está no caminho certo. O clube conseguiu avançar bastante com essa diretoria. Não tem mais jeito do Flamengo voltar para a Gávea para treinar, seria um retrocesso grande. O Flamengo está em um processo crescente", finalizou.

O substituto de Luxemburgo, demitido um dia após a classificação do Flamengo para a fase de grupos da Libertadores, ainda não foi anunciado, mas deve ser Joel Santana, que se desligou do Bahia na quinta-feira. Ainda nesta sexta, a equipe enfrenta o Olaria, pela Taça Guanabara - o primeiro turno do Campeonato Carioca.

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