Márcia Tiburi: votar em Lula é votar no direito de se candidatar

Oficializada nesta sexta-feira 15 pré-candidata do PT ao governo do Rio, a filósofa Márcia Tiburi fala, em entrevista à TV 247, sobre o "princípio Lula" na hora de votar; "Não é votar no Lula, mas no direito de as pessoas se candidatarem nesse país. As mulheres também conhecem isso, é um direito muito difícil", comenta; para ela, "o Judiciário brasileiro, que em tudo colaborou para o golpe, pode agora dar provas de que não é golpista e de que o Brasil tem futuro como democracia"; ela aborda sobre o que não pode mais ser tolerado no Rio e no Brasil e diz que Lula e Marielle são "uma ferida profunda na nossa história"; assista

marcia tiburi
marcia tiburi (Foto: Gisele Federicce)

Por Túlio Ribeiro, para o 247 – Nome do PT para disputar o governo do Rio de Janeiro, a filósofa Márcia Tiburi concedeu uma entrevista à TV 247 em que fala sobre seus planos para o Estado, a demonização da política, o golpe sofrido por Dilma Rousseff, o sentimento de ódio, a prisão de Lula e seus direitos como candidato.

Com a pré-candidatura oficializada nesta sexta-feira 15, a professora aborda o fato de não ser uma política de carreira e a possibilidade de isso levar às pessoas o pensamento de que elas também podem entrar na vida partidária.

"É um momento de a gente pensar o significado da política nas nossas vidas, porque se nós não nos preocuparmos, algumas pessoas vão se ocupar dela e vão manipular, usando-a em benefício próprio", prevê.

"Não sou uma política profissional, a minha entrada [na política], a meu ver, faz sentido enquanto as pessoas puderem pensar que elas mesmas podem fazer a mesma coisa", completa.

Ao discorrer sobre a atual situação política do Brasil, ela enxerga o golpe de 2016, que tirou do poder uma presidenta eleita, Dilma Rousseff, "de maneira vil", como um divisor de águas. "O golpe muda tudo, como a nossa relação com a política, uma vez que agora a gente não dispõe mais de uma democracia. E uma forma de a gente fazer essa busca é ocupando os partidos", acredita.

"Desde o golpe nós perdemos o nosso país, nossos votos foram jogados no lixo. As pessoas têm que ser muito dóceis para não se incomodar com isso e pensar que não estão implicadas nisso. Então hoje em dia também não dá pra ficar esperando os políticos tradicionais, que fizeram suas carreiras num sistema já organizado, como os ruralistas, os homens brancos no geral, que muitas vezes não representam ninguém", coloca.

Filiada ao PT desde abril deste ano, num gesto de apoio ao ex-presidente Lula, ela faz elogios ao partido e ao seu acolhimento, inclusive por parte do pré-candidato à presidência.

Sobre o Rio, Márcia Tiburi lembra que se trata do local mais prejudicado pela crise financeira dos Estados. Para ela, que é professora universitária, a crise na UERJ "é um escândalo".

"Me parece um projeto que se lançou sobre a educação brasileira desde pelo menos aquele golpe de 1964, mas a meu ver esse desmantelamento é simbólico. Essa destruição não é por acaso, ela não significa simplesmente falta de dinheiro. Precisamos pensar na educação, precisamos pensar na UERJ. Essa é uma questão das mais simbólicas", defende.

A filósofa fala também sobre o sentimento de ódio na sociedade, que para ela "é manipulado, um tipo de energia, de sentimento, de emoção que faz também funcionar uma máquina ativa", e a importância de se olhar para as minorias políticas, como as mulheres, a população LGBT, os quilombolas, e para a questão racial.

"Não pode ser pauta somente nacional, mas também estadual e municipal. A desigualdade econômica tem uma interface com a desigualdade racial, de gênero, e por aí vai", analisa.

A pré-candidata deu ênfase ao direito de Lula ser candidato e demonstra como o voto da população em Lula significa isso. "Lula representa a prova que ainda pode se dar quanto à existência de uma democracia no Brasil", diz. Em sua avaliação, "Lula é uma ferida no Brasil, assim como Marielle também é uma ferida profunda na nossa história".

"Eu tenho falado sobre o 'princípio Lula' na hora de votar. Não é votar no Lula, mas no direito de as pessoas se candidatarem nesse país. As mulheres também conhecem isso, é um direito muito difícil. Lula está vivendo agora o direito a se candidatar. O Judiciário brasileiro, que em tudo colaborou para o golpe, pode agora dar provas de que não é golpista e de que o Brasil tem futuro como democracia", afirma. 

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