Mediocridade de Moro parece definitivamente exposta, diz ex-promotor

"A imparcialidade quebrada vulgariza a Justiça, que passa a ser um pântano, em que acordos feitos em bastidores inalcançáveis sugassem e afogassem qualquer possibilidade de cidadania. É a negação completa de um aparato estatal minimamente ético", escreve Roberto Tadelli, integrante da TGC Advocacia –Tardelli Giacon Gonway e ex-promotor do MP-SP

(Foto: Reprodução)

Por Roberto Tardelli, integrante da TGC Advocacia –Tardelli Giacon Gonway e ex-promotor de Justiça do MP-SP. Texto publicado no Facebook

As últimas publicações - quem diria, da VEJA - contam uma história que transcende a si mesma. Não se trata mais de dividir maniqueistamente o mundo em duas arquibancadas, a de quem defende a soltura imediata de Lula e a de quem entende que tudo não passa de uma trama para desmoralizar a maior operação anticorrupção da história do país.

Estamos em outro nível.

A mais elementar garantia que um sistema de justiça deve oferecer é a imparcialidade dos juízes. Não falo de neutralidade, que não existe, mas do dever constitucionalmente imposto de resguardar-se o julgador, de forma a garantir a todos as mesmas oportunidades processuais.

Quando esse elemento se quebra, quebra-se a espinha dorsal da Justiça e tudo e torna uma farsa, em que alguém será duramente prejudicado, não pelo malfeito de que é acusado, mas porque acusador e juiz se fundiram em uma única e funesta pessoa, a anularem qualquer possibilidade de defesa, de contraponto, de, em suma, contraditório. Tudo foi previamente combinado. Tudo já estava acertado. O organismo da máquina judiciária estaria definitivamente corrompido. O prato envenenado, pronto e à mesa.

A imparcialidade quebrada vulgariza a Justiça, que passa a ser um pântano, em que acordos feitos em bastidores inalcançáveis sugassem e afogassem qualquer possibilidade de cidadania. É a negação completa de um aparato estatal minimamente ético.

Tudo está a demonstrar que Sergio Moro desqualificou a toga que envergava e negou frontalmente o mais sagrado princípio que se reserva a quem, homem ou mulher, se propõe a julgar, a decidir, enquanto Poder de Estado, exercitando seu papel supremo, a soberania.

Abandonar a magistratura como abandonou, dela fazendo uma alavanca para ambições pessoais, fez de Sergio Moro o pior dos exemplos, a pior das figuras, que não conseguiria lamber as botas dos tantos juizes e juízas que ao longo dessa jornada já bastante estendida, conheci e aprendi a admirar.

Não é à toa que compõe o primeiro escalão da mais bizarra composição ministerial de que se tem notícia no planeta. Não é à toa que propõe ou subscreve propostas de alteração legislativa que fariam corar até as mais condescendentes professoras de português, tal é o primarismo de sua redação.

Não é à toa que se alinhou à extrema-direita repelida mundialmente. Não é à toa que sua mediocridade parece definitivamente exposta.

O resultado da farsa revelada não pode se manter, sob pena de perdermos por completo qualquer referência de Justiça, seja qual for o preço a se pagar. É uma questão de sobrevivência.

Aos juízes e juízas que conheci prometo jamais confundi-los, por um instante que seja, com essa figura canhestra que lhes sujou a toga, pela qual lutaram suas vidas inteiras.

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