Mercadante: nas favelas, todas as iniciativas são criminalizadas

Ex-ministro falou à TV 247 sobre a importância de iniciativas populares que contribuam para o conhecimento, educação e visibilidade das comunidades. Ele citou projetos que têm sido benéficos para a população de Heliópolis. “[A comunidade] não quer aparecer só em página policial, quer mostrar a riqueza cultural, a convivência, as experiências de educação riquíssimas”, disse. Assista

(Foto: Reprodução | Felipe L. Gonçalves/Brasil247)
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247 - O ex-ministro Aloizio Mercadante conversou com a TV 247 e com lideranças da União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região (UNAS) e do Observatório da Quebrada, que prestam serviços à comunidade de Heliópolis, constantemente atacada pela Polícia Militar de São Paulo. Os integrantes da UNAS e do Observatório da Quebrada falaram do trabalho que exercem na favela dos benefícios que o projeto já gerou.

Mercadante comentou a crescente onda de violência e repressão a zonas pobres do país. Recentemente, a PM matou nove jovens em Paraisópolis, em um tipo de abordagem que, segundo a presidenta da UNAS, Antonia Cleide Alves, é comum em Heliópolis, mas não natural.

O ex-ministro destacou que a polícia do país está sendo insuflada pelo Estado, por meio de Jair Bolsonaro e dos governadores Wilson Witzel (Rio de Janeiro) e João Doria (São Paulo), por exemplo, a agir violentamente contra moradores de favelas e comunidades. “Tem um grande debate no Brasil hoje em termos de políticas de segurança pública que teve uma inflexão clara nessas última eleições, o Bolsonaro representa isso, ele vem de uma relação íntima com a milícia, defende tortura e repressão. O governador do Rio por exemplo ‘olha, tem que mirar na cabecinha e atirar’, um governador que sobe no helicóptero com metralhadora para atirar. Nós estamos vendo no Rio de Janeiro que a situação é muito mais dramática, eu acho que Heliópolis é quase uma exceção pelo tamanho, a segunda maior do Brasil, a maior de São Paulo. Todo o trabalho comunitário tem servido para prevenir um cenário semelhante, mas acontecem fatos como esse”.

“O Doria no começo da gestão teve o mesmo comportamento, não foi só a campanha junto com o Bolsonaro, foi o mesmo discurso. Eu me lembro dele distribuir carabina 12 para os policiais e falando que ‘bandido agora vai deitar no cemitério’”, completou.

Mercadante também lembrou que em uma das primeiras falas do governador de São Paulo sobre a matança da PM em Paraisópolis, o tucano optou por sair em defesa da polícia e criminalizar os jovens que curtiam o baile funk quando foram violentamente abordados pelos agentes policiais. “A primeira intervenção dele foi na linha de criminalizar a população, nem se preocupar em apurar o que aconteceu”. O governador depois mudou seu posicionamento, se disse "chocado" com os vídeos da repressão gravados por moradores e anunciou investimento em diversas áreas nas favelas da cidade.

O Observatório da Quebrada desenvolve uma pesquisa sobre os moradores de Heliópolis para mapear características, costumes, hábitos e gostos dos jovens da comunidade. Um dos responsáveis pelas pesquisas, Aluizio Marinho, contou que recentemente a Polícia Civil esteve em Heliópolis com o objetivo de recolher os dados obtidos por eles, em mais um gesto de criminalização da favela, de acordo com o ex-ministro. “Todas as iniciativas são criminalizadas, suspeitas e ameaças. é um direito deles falar, se mostrar, expressar, é um direito de cidadania fundamental”, disse Mercadante.

O ex-ministro concluiu ressaltando a importância da UNAS e do Observatório da Quebrada para maior visibilidade de Heliópolis. “Heliópolis não quer aparecer só em página policial, quer mostrar a riqueza cultural, a convivência, as experiências de educação riquíssimas, experiências na saúde, na área de participação cidadã, enfim, em toda essa complexidade que é a vida da comunidade”.

Inscreva-se na TV 247 e assista à entrevista na íntegra:

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