MP pede bloqueio de bens de ex-secretários de Saúde e empresários

A ação civil pública anunciada pelo Ministério Público do Rio, para a recuperação de mais de R$ 50 milhões desviados de hospitais do município, pede o bloqueio de bens de 64 pessoas, inclusive os ex-secretários municipais de Eduardo Paes, Hans Dohmann e Daniel Soranz; os dois são acusados de omissão na fiscalização da Organização Social Biotech, que administrou os Hospitais Pedro II, na Zona Oeste, e o Hospital de Acari, na Zona Norte; a organização teria recebido R$ 570 milhões da Prefeitura para a administração das duas clínicas

A ação civil pública anunciada pelo Ministério Público do Rio, para a recuperação de mais de R$ 50 milhões desviados de hospitais do município, pede o bloqueio de bens de 64 pessoas, inclusive os ex-secretários municipais de Eduardo Paes, Hans Dohmann e Daniel Soranz; os dois são acusados de omissão na fiscalização da Organização Social Biotech, que administrou os Hospitais Pedro II, na Zona Oeste, e o Hospital de Acari, na Zona Norte; a organização teria recebido R$ 570 milhões da Prefeitura para a administração das duas clínicas
A ação civil pública anunciada pelo Ministério Público do Rio, para a recuperação de mais de R$ 50 milhões desviados de hospitais do município, pede o bloqueio de bens de 64 pessoas, inclusive os ex-secretários municipais de Eduardo Paes, Hans Dohmann e Daniel Soranz; os dois são acusados de omissão na fiscalização da Organização Social Biotech, que administrou os Hospitais Pedro II, na Zona Oeste, e o Hospital de Acari, na Zona Norte; a organização teria recebido R$ 570 milhões da Prefeitura para a administração das duas clínicas (Foto: Leonardo Lucena)
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Jornal do Brasil - A ação civil pública anunciada nesta sexta-feira (5) pelo Ministério Público do Rio, para a recuperação de mais de R$ 50 milhões desviados de hospitais do município, traz à tona alertas feitos em 2015 pelo Jornal do Brasil. Na ação, os procuradores pedem ainda o bloqueio de bens de 64 pessoas, inclusive os ex-secretários municipais de Eduardo Paes, Hans Dohmann e Daniel Soranz. Os dois são acusados de omissão na fiscalização da Organização Social Biotech, que administrou os Hospitais Pedro II, na Zona Oeste, e o Hospital de Acari, na Zona Norte. A organização teria recebido R$ 570 milhões da Prefeitura para a administração das duas clínicas.

Como o JB frisou em 2015, a Biotech era presidida por Walter Pellegrini Junior. Numa ação realizada no dia 9 de dezembro de 2015 que tinha ele como um dos alvos, Walter - segundo informações obtidas pelo JB - teria fugido às 4 horas da madrugada de seu apartamento no luxuoso condomínio Golden Green, que fica no número 5.100 da Avenida Sernambetiba, na Barra da Tijuca. Ele teria fugido a bordo de seu carro de luxo Bentley. Informações dão conta ainda de que o antigo prefeito é de total intimidade com os irmãos Pellegrini. Uma das razões de o secretário de Saúde ter se demitido na época era justamente esse contrato.

A administração começou em março de 2012 e foi até dezembro de 2015. Foram denunciados, na época, Wagner Pellegrini e seu irmão Valter, donos da empresa. De acordo com a denúncia, pelo menos R$ 53 milhões foram desviados.

A dupla responde em liberdade pelos crimes de peculato e organização criminosa. Agora, também foi denunciada por improbidade administrativa. Eles são acusados de enriquecer ilicitamente com o esquema. As investigações confirmam, como o JB havia antecipado, que eles têm vida de ostentação em apartamentos de luxo de frente para o mar, com carros importados e joias.

A Biotech foi contratada sem licitação e subcontratava outras oito empresas para fornecer serviços. Algumas delas seriam controladas pelos próprios irmãos, através de "laranjas". Os valores superfaturados seriam recebidos nas contas bancárias das empresas e destinados para a organização criminosa.

O Ministério Público pediu o bloqueio imediato dos bens das empresas e dos denunciados, além de multa pelos valores desviados. Os irmãos Pellegrini tiveram quase R$ 212 milhões bloqueados; Hans Domann, R$ 86 milhões; e Daniel Soranz, R$ 72 milhões.

Superfaturamento e morte

Uma ligação grampeada de uma funcionária, feita com autorização da Justiça, mostra como era feito o superfaturamento.

- O lacre realmente eu realmente eu não tinha sinalizado a compra. Desculpa. Mas eu acabei de sinalizar, tá? É bem baratinho ele!

- É? A ata tá muito acima?

- Tá... aqui é 9 centavos e na ata...

- 35...

- 35?

- Vê aí na ata, aí... Não, to chutando. Acho que é.

- Pera aí... Não! Acho que é 1 e pouco!

- Não, não é não! Não passa de 60 centavos!

- É sim! Um e sessenta!

- Um e sessenta? Ah, tá bom! Dá pra pagar o almoço.

- Comprou quantos?

- Comprei 7 mil.

Outra gravação mostra uma pediatra alertando que as crianças estão morrendo por que o diretor do hospital havia pedido economia na aquisição de um produto. 

"Levaram um tempão pra repor, a criança tava dependente de óxido nítrico. E aí o que aconteceu? Não deu tempo. Quando o óxido nítrico chegou, a criança já tava morrendo", diz a médica.

Em nota, a assessoria dos secretários afirma que todas as providências foram tomadas à época, como notificações e multas. A assessoria diz que os secretários de Paes não foram citados na ação criminal, nem são réus.

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