Noblat: com Cabral e Paes, Pezão não precisa de inimigos

Governador e prefeito do Rio de Janeiro são os cabos eleitorais do aspirante a candidato do PMDB ao governo do estado, Luiz Fernando de Souza, o Pezão; nas palavras do colunista Ricardo Noblat, ele "prescinde de adversários": Cabral "parece acuado pelo tráfico de drogas", enquanto Paes "atravessa seu pior verão"

Governador e prefeito do Rio de Janeiro são os cabos eleitorais do aspirante a candidato do PMDB ao governo do estado, Luiz Fernando de Souza, o Pezão; nas palavras do colunista Ricardo Noblat, ele "prescinde de adversários": Cabral "parece acuado pelo tráfico de drogas", enquanto Paes "atravessa seu pior verão"
Governador e prefeito do Rio de Janeiro são os cabos eleitorais do aspirante a candidato do PMDB ao governo do estado, Luiz Fernando de Souza, o Pezão; nas palavras do colunista Ricardo Noblat, ele "prescinde de adversários": Cabral "parece acuado pelo tráfico de drogas", enquanto Paes "atravessa seu pior verão" (Foto: Gisele Federicce)
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247 - O pré-candidato pelo PMDB ao governo do Rio, Luiz Fernando Pezão, não precisa de adversários tendo como cabos eleitorais o atual governador, Sérgio Cabral, e o prefeito, Eduardo Paes. Enquanto o primeiro "parece acuado pelo tráfico", o segundo "atravessa seu pior verão". A opinião é do colunista do Globo Ricardo Noblat. Leia seu artigo:

Pobre Pezão!

A sete meses da eleição e com cabos eleitorais como Sérgio Cabral e Eduardo Paes, o aspirante a candidato do PMDB ao governo do Rio de Janeiro, Luiz Fernando de Souza, o Pezão, prescinde de adversários.

Cabral parece acuado pelo tráfico de drogas, que retoma o controle de áreas tidas como pacificadas. Paes atravessa seu pior verão. Um verão devastador para a imagem dele de prefeito bem-sucedido.

Arrisca-se a ser amaldiçoado quem criticar o projeto da Secretaria de Segurança Pública do Rio de instalar polícias comunitárias em favelas sob o domínio do tráfico de drogas. Ai de quem criticar!

Compreensível. Jamais o Estado ousara combater o tráfico. Até que Cabral juntou-se ao delegado José Mariano Beltrame, atual secretário de Segurança Pública. E o Estado ousou.

Ao projeto deu-se o nome de Unidade de Polícia Pacificadora – UPP. E ele foi um sucesso. Ainda é um sucesso. Mas pode deixar de ser. E tudo porque Cabral não fez direitinho o dever de casa prescrito por Beltrame.

Instalar UPPs em favelas seria o primeiro passo para desalojar dali os traficantes. O segundo seria dotar as favelas de serviços básicos – saneamento, luz, água, e por aí vai. Cadê os serviços básicos?

Cabral reelegeu-se surfando na própria coragem de enfrentar o tráfico. Em seguida, deu-se por satisfeito. Ao invés de pisar fundo no acelerador, tirou o pé.

O tráfico intuiu que chegara a hora de contra-atacar. E o fez com raro oportunismo. O contra-ataque está só começando. Lembra a cena dos traficantes fugindo em massa do Complexo do Alemão no Morro da Misericórdia? Foi exibida à farta pelas emissoras de televisão.

Pois bem: os traficantes estão de volta subornando e matando policiais. Em algumas favelas, sentem-se fortes o suficiente para dar ordens que serão obedecidas de imediato. Exemplo: "Fechem o comércio" – e o comércio cerra suas portas.

Que delícia para os que pretendem derrotar Pezão, não é? "Vou manter e reforçar as UPPs", dirá Pezão. Ouvirá de volta: "Essa promessa já foi feita. E não foi cumprida. Faça outra".

Pobre Pezão... Com um cabo eleitoral do porte de Cabral... Ou do porte de Paes...

O prefeito da Copa do Mundo e das Olimpíadas 2016 gosta de viver perigosamente. Não foge de confrontos. Provoca-os. E quando eles escasseiam, sai à procura de novos. Isso pode ser bom para ele – e em certos momentos foi. Mas também pode ser mau. No momento está sendo mau.

O aumento do preço das passagens de ônibus foi o estopim das passeatas de junho do ano passado.

Paes cancelou o aumento. Restabeleceu-o agora.

A cidade está repleta de obras. Não se discute a necessidade delas. O acúmulo de obras, porém, atrapalha o tráfego.

Os táxis se recusam a frequentar pedaços importantes da cidade. Os ônibus sofrem por ser obrigados a frequentar. Quanto ao metrô... Sua expansão arrasta-se aos cuidados do governo do Estado.

Fez tórrido calor? A culpa é de Paes. Tem chovido? A culpa é dele. A cidade fede? Debite-se na conta do prefeito.

Calor e chuva nada têm a ver com o prefeito. A greve dos garis teve. Quer dizer: a falta de um plano de contingência para fazer face a uma greve como aquela.

O prefeito, que joga lixo no chão, chamou a greve de motim. Depois recuou e concedeu o aumento pedido pelos amotinados. Perdeu. E aí? Aí...

Coitado de Pezão!

 

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