O poder e a simplicidade do 'prefeitão' Pezão

Com US$ 120 bilhões garantidos para investimentos nos próximos quatro anos, o governador reeleito do Rio de Janeiro oferece apoio incondicional à presidente Dilma Rousseff, evita ruídos políticos e atua no melhor estilo prefeitão de todas as cidades do estado, pilotando o maior canteiro de obras do País; "O importante é melhorar a vida das pessoas", diz Luiz Fernando Pezão, personagem de capa da nova revista 24/7

Com US$ 120 bilhões garantidos para investimentos nos próximos quatro anos, o governador reeleito do Rio de Janeiro oferece apoio incondicional à presidente Dilma Rousseff, evita ruídos políticos e atua no melhor estilo prefeitão de todas as cidades do estado, pilotando o maior canteiro de obras do País; "O importante é melhorar a vida das pessoas", diz Luiz Fernando Pezão, personagem de capa da nova revista 24/7
Com US$ 120 bilhões garantidos para investimentos nos próximos quatro anos, o governador reeleito do Rio de Janeiro oferece apoio incondicional à presidente Dilma Rousseff, evita ruídos políticos e atua no melhor estilo prefeitão de todas as cidades do estado, pilotando o maior canteiro de obras do País; "O importante é melhorar a vida das pessoas", diz Luiz Fernando Pezão, personagem de capa da nova revista 24/7 (Foto: Marco Damiani)
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Marco Damiani, 247 – O governador mais poderoso do País cultiva a simplicidade. E não apenas em tempos de campanha eleitoral. Logo após ser reeleito em segundo turno, em outubro, Luiz Fernando Pezão, personagem de capa da nova revista 24/7 (acesse aqui), foi visitar a direção do InfoGlobo, da família Marinho. Já dentro do prédio, mas antes de tomar o elevador, pediu que a recepcionista o aguardasse por um momento. Em passos largos, compatíveis com seus dois metros de altura, ele passou de volta pela catraca de segurança, atravessou a rua, entrou num pequeno bar e restaurante e se dirigiu ao proprietário, que estava dentro do balcão:

- Eu não falei que eu voltaria aqui depois da campanha?, perguntou Pezão ao comerciante.

- Só não vou comer agora aquele bife de fígado acebolado maravilhoso porque tenho um almoço lá em cima, mas para a próxima já deixe preparado, completou o governador, arrancando sorrisos da pequena plateia que acompanhou a cena.

Quanto a ser o mais poderoso entre seus pares, basta informar que o Estado do Rio tem garantidos, para os próximos quatro anos, um orçamento de US$ 120 bilhões para obras. Um pacote fabuloso que inclui desde as toda infraestrutura urbana à volta das Olimpíadas de 2016, na capital fluminense, até intervenções de pequeno, médio e  grande portes no interior e no litoral do Estado.

O sucesso administrativo, o governador reeleito costuma explicar em poucas palavras:

- Ajustamos as nossas contas e firmamos ótimas parcerias com a União e a iniciativa privada. Os resultados estão aparecendo, mas o trabalho não para, resume ele.

- Hoje, se algum Estado precisar depender de verbas federais para crescer, não vai funcionar. É preciso ser criativo, afirma Pezão sempre que questionado sobre se há paternalismo da União para com o Rio.

Na sexta-feira 12,  Pezão foi o anfitrião da presidente Dilma Rousseff em Itaguaí, no litoral fluminense, onde uma parceria entre a União e o Estado desenvolve o mais avançado complexo naval-industrial do Brasil. A primeira fase de um gigantesco estaleiro para a construção de submarinos convencionais e nucleares foi inaugurada na presença do ministro da Defesa, Celso Amorim, e de chefes militares da três armas. O investimento do governo federal naquele parque de obras é de R$ 30 bilhões. Desde que começou a ser construído, o complexo já produziu mais de 20 mil empregos diretos na região.

- A presidente Dilma é uma mamãe Noel para o Rio, comemorou Pezão, com seu bom humor, em discurso no palanque de autoridades.

SEM FORMALISMOS -  Político que pouco usa paletó e gravata, trocados pelo camisão cumprido e calça jeans, quase um uniforme do dia a dia, era assim que ele estava no momento do descerramento da placa comemorativa.

- O importante não é o formalismo, mas fazermos uma administração voltada para melhorar a qualidade de vida da população do Rio. Esse é o primeiro e único objetivo, ensina.

Despachando do Palácio Guanabara, Pezão costuma ter uma movimentada agenda externa, na qual mescla contatos com o público, verificação de obras e faz inaugurações. De um posto de saúde, no interior, às grandes intervenções urbanas do projeto Porto Maravilha, na capital, Pezão gosta de estar presente no maior número de eventos possível.

- A gente tem de olhar no olho da população para entender os problemas e conhecer os resultados do que a gente faz. É uma troca permanente.

Assim como o governador fluminense é fã da presidente Dilma, ela também lhe é grata.

- O Rio passou por uma transformação imensa e se tornou um polo de geração de empregos, um exemplo para o Brasil, compara a presidente.

A proximidade entre ela e Pezão não se abalou nem com a chapa Aezão, na qual o PMDB fluminense pregou o voto em Aécio Neves, para presidente, e em Pezão, para governador. No frigir dos ovos, o governador fez campanha para Dilma e, ainda, soube ser cavalheiro com ela.

- Eu posso ter deixado de ganhar alguns votos, mas ao final a presidente teve todos os palanques a seu favor no Rio e conseguiu uma grande vitória.

Político de ação estratégico, ele se sobressaiu a partir da implantação de projetos de alta tecnologia em seus tempos de prefeito da pequena cidade de Piraí, no interior do Estado. Em sintonia com o ex-governador Sergio Cabral, de quem viria a ser vice nas duas últimas administrações, Pezão consolidou fama de tocador de obras. Na eleição para governador, mal atingia os dez por cento nas pesquisas eleitorais, um ano antes de vencer as eleições. A justificativa era a de que, no momento em que passasse a ser conhecido, Pezão deslancharia. E foi o que aconteceu. Numa eleição árdua, ele venceu o primeiro tendo como adversário, no segundo, o senador e pastor Marcelo Crivella, um verdadeiro fenômeno de popularidade no Estado.

LUTA CONTRA CRIVELLA - Para bater Crivella, Pezão resistiu até o último momento à estratégia de marketing, traçada por sua campanha, de ligar diretamente o adversário ao bispo Edir Macedo, chefe da Igreja Universal do Reino de Deus, à qual é ligado.

- O Pezão não queria, mas não havia alternativa. Tínhamos de dar essa informação sob risco de, ao não fazer, sermos passados para trás, explicou ao 247 o presidente do PMDB, Jorge Picciani.

- Pezão é um cavalheiro em todas as horas, mas a política muitas vezes é dura, assinalou Picciani.

O momento agora é de paz. Depois de assumir o governo em abril deste ano, Pezão conseguiu, com rapidez, mostrar sua marca de descontração e, ao mesmo tempo, seriedade à população. Ele procura cumprir as obrigações protocolares e, ao mesmo tempo, levar uma vida a mais normal possível, sem os salamaleques próprios de sua atividade.

A dimensão do renovado poder do governador fluminense pode ser observado sem retoques na mesma sexta 12 em que Dilma, com ele, inaugurou a primeira fase do estaleiro para a construção do primeiro submarino brasileiro. Após a cerimônia, ambos voaram para Piraí, terra em que Pezão foi prefeito, para um almoço com o pais dele, que Dilma fez questão de conhecer. Seu Darcy e dona Eucy de Souza ficaram famosos na televisão, durante o horário eleitoral gratuito, ao contarem a vida do filho para os eleitores. Deu tão certo que, além da reeleição do filho, ambos ficaram famosos.

- Estamos emocionados por receber a presidente Dilma. Vou querer dar um abraço nela, para dar uma namoradinha, divertiu-se seu Darcy, indicando de onde vem o senso de humor do governador. Tal pai, tal filho.

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