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O que se sabe sobre a morte de Gabriel Ganley

Fisiculturista e influenciador de 22 anos foi encontrado morto na cozinha de um imóvel em São Paulo

Gabriel Ganley (Foto: Reprodução/Instagram/@ganleygabriel)
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247 - A morte de Gabriel Ganley, fisiculturista e influenciador de 22 anos, é investigada em São Paulo após o atleta ser encontrado caído na cozinha de um imóvel; a Secretaria da Segurança Pública informou que não havia sinais aparentes de violência no local, e a causa da morte ainda não foi divulgada oficialmente, informa o G1

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, Gabriel foi localizado na manhã de sábado (23) por um amigo. A perícia foi acionada e realizou exames no imóvel. O caso foi registrado como morte suspeita, descrita como morte súbita, no 42º Distrito Policial, no Parque São Lucas.

Até a última atualização das informações disponíveis, as autoridades ainda apuravam o que provocou o mal súbito. Não havia confirmação oficial sobre exames toxicológicos, laudos do Instituto Médico Legal (IML) ou previsão para divulgação do resultado da necropsia.

A morte foi confirmada pela Integralmédica, marca de suplementos que patrocinava Gabriel. Nas redes sociais, a empresa lamentou o falecimento do atleta e destacou que ele “inspirava milhares de jovens” por meio de conteúdos relacionados a disciplina, treinos e estilo de vida fitness.

Quem era Gabriel Ganley

Natural do Rio de Janeiro, Gabriel Ganley ganhou projeção nas redes sociais ao publicar vídeos sobre musculação, alimentação e preparação física. Ele reunia cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram e quase 400 mil inscritos no YouTube.

O influenciador ficou conhecido inicialmente por defender o fisiculturismo natural, prática em que atletas afirmam não utilizar hormônios para ganho muscular. Em 2023, mudou-se para São Paulo depois de fechar contrato de patrocínio e passou a participar de competições de fisiculturismo.

A produção de conteúdo de Gabriel se destacava pelo formato simples. Os vídeos de treino eram geralmente gravados com celular e tripé, sem grandes produções. O estilo direto ajudou a ampliar sua audiência durante a pandemia e consolidou sua presença em plataformas como TikTok, Instagram e YouTube.

Gabriel afirmava não se ver apenas como influenciador digital. Ele se apresentava como atleta e tratava a internet como uma ferramenta de trabalho, usada para divulgar sua rotina, sua evolução física e seu envolvimento com o esporte.

Da UFRJ ao fisiculturismo profissional

Gabriel cursou até o quinto período de Educação Física na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Antes de viver do esporte e das redes sociais, trabalhou como garçom na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, para ajudar a pagar estudos, alimentação e a própria produção de conteúdo.

Em relatos sobre sua rotina, o atleta dizia acordar às 5h para ir de bicicleta ao estágio, treinar por horas, frequentar a faculdade e produzir vídeos à noite. A disciplina se tornou uma das marcas de sua imagem pública.

Antes da musculação, Gabriel também teve ligação com jogos de cartas e esportes de combate. Ele foi competidor de Pokémon TCG e chegou a ficar entre os oito melhores da América Latina. Também disputou um campeonato mundial em Indianápolis, nos Estados Unidos, onde terminou como o brasileiro mais bem colocado da competição.

Apesar dos resultados nos jogos, abandonou a modalidade aos 15 anos. Na mesma fase, praticava boxe, jiu-jitsu e wrestling. A musculação entrou em sua vida ainda na adolescência, inicialmente por objetivos estéticos. Segundo relatos do próprio atleta, sua mãe acompanhava a rotina de treinos e limitava os exercícios a três vezes por semana.

Ascensão nas redes e mudança de categoria

A inspiração de Gabriel vinha de nomes ligados ao fisiculturismo e à cultura fitness. Ele citava o influenciador norte-americano Sam Sulek e referências clássicas do esporte, como Arnold Schwarzenegger e Franco Columbu.

Com vídeos considerados “crus”, sem edição sofisticada, Gabriel construiu uma relação próxima com o público. Ele também afirmava ter passado de 74 kg para cerca de 100 kg de forma natural e chegou a divulgar exames hormonais nas redes sociais.

Ao longo da carreira, treinou ao lado de nomes conhecidos do fisiculturismo brasileiro, entre eles Coach Cruz, Jorlan Vieira e Eduardo Correa. Sua trajetória nas competições ganhou força depois da mudança para São Paulo e do início de uma fase mais voltada à carreira profissional no esporte.

Segundo relatos feitos pelo próprio atleta nas redes sociais, Gabriel enfrentou problemas de saúde depois de uma preparação intensa para competição. Após um período de dieta severa, sofreu um forte efeito rebote alimentar e ganhou quase 20 kg em poucos dias depois de consumir grandes quantidades de comida.

O quadro evoluiu para dores no peito e falta de ar. Inicialmente, houve suspeita de embolia pulmonar, mas o diagnóstico posterior apontou pneumonia com água no pulmão. Gabriel afirmou que o episódio alterou sua visão sobre a carreira.

Depois dessa experiência, ele decidiu deixar de defender o fisiculturismo natural e iniciar protocolos hormonais profissionais, com o objetivo de buscar espaço na categoria Open, considerada a principal divisão do fisiculturismo.

Repercussão da morte

A morte de Gabriel Ganley provocou grande repercussão nas redes sociais no sábado. Amigos, fãs, atletas e admiradores publicaram mensagens de despedida e homenagens ao longo do dia.

A Integralmédica também afirmou que Gabriel era conhecido pelo carinho com admiradores e pela disposição em incentivar novos praticantes do fisiculturismo. A empresa destacou a influência do atleta entre jovens interessados em treino, disciplina e estilo de vida fitness.

A investigação segue sob responsabilidade das autoridades paulistas. Até o momento, a causa da morte de Gabriel Ganley não foi informada oficialmente, e o caso permanece registrado como morte suspeita no 42º Distrito Policial, no Parque São Lucas.

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