PMs invadem casa e executam jovem negro diante de crianças em São Paulo

Wenny Sabino Costa Martin, um jovem negro de apenas 18 anos, foi executado em Sapobemba, na Zona Leste de São Paulo diante de duas crianças na última quarta-feira. Houve protestos nas ruas do bairro

Wenny Sabino
Wenny Sabino (Foto: Reprodução)
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247 com Ponte e Fórum - O jovem negro Wenny Sabino Costa Martin, de 18 anos, morreu baleado por policiais militares do governo de João Doria (PSDB) na última quarta-feira (25). Moradores de Sapopemba, na zona leste de São Paulo, fecharam uma avenida com pneus em protesto.A mãe do jovem, Gislaine Sabino dos Santos, relatou à Ponte que seu filho foi morto pelos policiais na frente de duas crianças de 5 e 3 anos e dois adolescentes de 13 anos: “Eu sou evangélica e acredito que todos nós vamos ser levados daqui um dia, mas eu não esperava que meu filho fosse levado de mim desse jeito.”

Segundo as testemunhas, não houve troca de tiros e Wenny foi assassinado à queima-roupa. O jovem teria entrado na casa e, pouco tempo depois, os policiais invadiram o local. Wenny ainda teria tirado a camiseta para mostrar que não estava armado.

Um dos adolescentes relatou à reportagem que estava limpando a casa enquanto os sobrinhos pequenos viam televisão. Por volta de 11h40, Wenny teria batido na porta pedindo ajuda. “Ele entrou aqui e ficou assistindo TV com os meninos, logo depois vieram dois policiais. Um deles apontou a arma na minha cara, mandando eu sair, eu fiquei sem reação”, conta uma das testemunhas.

Em seguida, segundo as testemunhas, um dos policiais, branco e de olhos claros, puxou Wenny e o empurrou até o banheiro, gritando “perdeu, perdeu”. “O Wenny falou ‘perdi, perdi’ de mão para cima e o policial atirou nele e o Wenny falou ‘ai'”, relata. As testemunhas ouviram três disparos. Outro PM “moreno e com bigode”, segundo os adolescentes, subiu para o cômodo de cima e trancou o outro adolescente da casa, que conta que foi ameaçado com uma arma na cabeça. “Quando eu ouvi os tiros, eu pulei da janela de desespero”, disse o menino, que teria descido pelo telhado da casa vizinha.

“Meu filho só disse que ia sair para fumar e não voltou mais. A gente não tem pena de morte no Brasil, por que os policiais mataram e não prenderam meu filho?”, questiona Gislaine.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou ao UOL que o caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que instaurou inquérito policial. “Todas as circunstâncias da ocorrência são apuradas. A equipe também procura por testemunhas e câmeras de segurança. A Polícia Militar também apura os fatos por meio de IPM [Inquérito Policial Militar]”, diz a nota.

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