Polícia encontra corpos carbonizados e granadas na Rocinha

Operação da Polícia Militar na Rocinha, na Zona Norte do Rio de Janeiro terminou com três moradores feridos e a apreensão de duas granadas e uniformes do Exército; também foram encontrados dois corpos carbonizados; a operação ocorreu após confronto entre criminosos de uma mesma facção deixar pelo menos um morto na Rocinha, neste domingo (17)

Comunidade da Rocinha, localizada na Zona Sul da cidade (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Comunidade da Rocinha, localizada na Zona Sul da cidade (Tomaz Silva/Agência Brasil) (Foto: Charles Nisz)
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Agência Brasil - Em operação hoje (18) na Rocinha, a Polícia Militar prendeu três pessoas e apreendeu duas granadas e roupas do Exército e de fuzileiros navais. Três moradores foram feridos, um deles foi levado para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro, e dois para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Bara da Tijuca, zona oeste.

De acordo com a PM, também foram encontrados dois corpos carbonizados, já recolhidos pela Delegacia de Homicídios. No início da manhã, um homem baleado em confronto foi levado  para o Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Com ele, foi apreendida uma pistola calibre 9 mm.

A operação começou às 4h30, com participação das unidades do Comando de Operações Especiais (COE), dos batalhões de Operações Especiais (Bope), Choque, Ação com Cães (BAC) e do Grupamento Aeromóvel (GAM). Segundo a PM, o objetivo foi “identificar e prender os criminosos envolvidos na disputa do tráfico de drogas local”. “Após a entrada da Polícia Militar, e estabilização do terreno, agentes da Polícia Civil irão cumprir mandados de prisão na Rocinha”, informou a corporação.

A operação ocorreu após confronto entre criminosos de uma mesma facção deixar pelo menos um morto na Rocinha, ontem (17). Segundo o porta-voz da Polícia Militar, Ivan Blaz, o serviço de inteligência da corporação estava monitorando possível invasão de território para retomada do controle do tráfico de drogas na comunidade, mas não foi possível identificar o dia em que ocorreria a ação, que poderia evitar o confronto de ontem.

De acordo com o delegado da Polícia Civil Antônio Ricardo, titular da 11ª DP, as investigações levam à tentativa de retomada do território pela ex-liderança do tráfico local, Antônio Bonfim, derrubado por Rogério Avelino, que estaria escondido na parte alta da Rocinha, segundo informações apuradas pela polícia. O delegado considera que a ação de hoje obteve sucesso.

“As providências tomadas foram o suficiente, tanto que a quadrilha rival não conseguiu invadir. Com a intervenção da Polícia Militar, eles conseguiram rechaçar a entrada desses marginais. Então, acredito que foi uma intervenção bem proveitosa. Nós tínhamos informação não confirmada, repassada pelo setor de inteligência e, em cima desses informes, a PM adotou a estratégia, que na nossa opinião foi exitosa”.

Segundo o delegado, por enquanto “a comunidade está em aparente normalidade, com ocupação por parte as forças especiais e as prisões e apreensões vão ocorrer no decorrer do dia”.

O balanço final divulgado pelo twitter da PM contabiliza a apreensão de três pistolas, sendo duas 9 mm e uma 40mm, 320 sacolés de maconha, 120 sacolés de crack, 80 pinos de cocaína, 1,5 quilos de maconha em tablete, quatro vidros com lança-perfume, um rádio transmissor, duas granadas, duas gandolas, uma calça do Exército e uma bermuda camuflada.

Escolas e hospitais fechados
Segundo a Secretaria Municipal de Educação, um total de oito escolas, seis creches e um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) não funcionaram hoje por causa de confrontos em comunidades, deixando 4.441 alunos sem aulas. Os locais afetados são a Comunidade do Juramento, em Vicente de Carvalho, e Serrinha, em Madureira, ambas na zona norte; e Vila Canoas, em São Conrado e Vidigal, além da Rocinha, na zona sul.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), o centro de saúde e duas clínicas da família localizadas na Rocinha não estão funcionando hoje “devido à situação do território”.

“Os moradores da região que necessitem de atendimento poderão se dirigir à Coordenação de Emergência Regional (CER) Leblon, ao Centro Municipal de Saúde Píndaro de Carvalho Rodrigues, na Gávea, e ao Centro de Atenção Psicossocial Franco Basaglia, em Botafogo”, informou a secretaria.

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