São Paulo fará vacinação em massa, mesmo se não tiver apoio do governo federal

Doria afirma que oferecerá à população a vacina contra Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa chinesa Sinovac Biotech

Funcionário trabalha em pesquisa de potencial vacina da Covid-19 desenvolvida pela CureVac em Tuebingen, na Alemanha 12/03/2020
Funcionário trabalha em pesquisa de potencial vacina da Covid-19 desenvolvida pela CureVac em Tuebingen, na Alemanha 12/03/2020 (Foto: REUTERS/Andreas Gebert)
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SÃO PAULO (Reuters) - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou em entrevista à Reuters, nesta sexta-feira, que o governo paulista vai garantir a vacinação da população do Estado com a possível vacina contra Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa chinesa Sinovac Biotech, se o governo federal virar as costas para São Paulo.

Governador de SP, João Doria, segura caixa da possível vacina para Covid-19 desenvolvida pela Sinovac em parceira com o Instituto Butantan, em São Paulo 21/07/2020 REUTERS/Amanda Perobelli

Doria ressaltou que o plano de vacinação contra a Covid-19 deveria ser federal, como ocorre anualmente com a vacina contra a gripe, que é disponibilizada pelo Ministério da Saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), mas disse que seu governo estará pronto se algo diferente disso acontecer.

“Esse é o formato do Sistema Único de Saúde e é o que esperamos e desejamos. E é o correto. Mas estaremos preparados se houver alguma situação em que o governo federal, por alguma circunstância gravíssima de atitude, vire as costas para São Paulo, os brasileiros de São Paulo terão a vacina”, disse Doria em entrevista no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

O Instituto Butantan, ligado ao governo paulista, participa atualmente do desenvolvimento de uma vacina em parceira com a Sinovac Biotech. A possível vacina já está sendo testada no Brasil em humanos na Fase 3 — a última antes do pedido de aprovação aos órgãos reguladores.

Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro, adversário político de Doria, ironizou a candidata a vacina chinesa que está sendo testada pelo Butantan, referindo-se a ela como “a vacina daquele outro país”. Na ocasião, o presidente afirmou confiar na eficácia da potencial vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, com a farmacêutica britânica AstraZeneca.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ligada ao governo federal, assinou acordo para obter a vacina britânica e receberá recursos federais para futuramente produzir este imunizante no Brasil. No total, o governo federal separou 1,9 bilhão de reais para compra e produção local do imunizante de Oxford.

Doria disse na entrevista à Reuters que o Butantan também espera receber recursos do Ministério da Saúde para a vacina chinesa, e lembrou que o instituto paulista já fornece vacinas para o SUS.

“Nós não queremos ter mais, nós não queremos ter menos e nem queremos tirar recursos da Fiocruz. Nós entendemos que é justo que o Butantan tenha também, porque o Brasil vai precisar de duas, três, talvez até quatro vacinas para fazer a imunização de todos os brasileiros. Então não é uma corrida pela vacina, é uma corrida pela vida”, disse Doria.

Nesta semana, o secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, e o presidente do Butantan, Dimas Covas, estiveram em Brasília onde se reuniram com o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, para tratar de recursos federais para a vacina chinesa.

Em entrevista coletiva mais cedo no Palácio dos Bandeirantes, Covas classificou o encontro com Pazuello como de “alto nível”. Segundo ele, são necessários 85 milhões de reais para acelerar os testes com a vacina e 60 milhões de reais para apoiar o processo de reestruturação de uma fábrica do Butantan para produzir o imunizante. Ele disse que esses dois pleitos foram “inicialmente acatados” pelo ministério.

PIOR JÁ PASSOU

Seis meses após o primeiro caso confirmado de Covid-19 no Brasil, que aconteceu em São Paulo, Doria disse que a pandemia está em declínio no Estado após semanas seguidas de queda nos indicadores da pandemia.

“Em São Paulo, o pior já passou, isso eu posso afirmar. Nós estamos já na quarta semana em declínio. É um declínio suave, mas contínuo”, disse Doria.

Com 796.209 casos confirmados e 29.694 mortes pela Covid-19, São Paulo é o Estado com maior número de infecções e óbitos pela pandemia no Brasil. Nacionalmente, são 3.804.803 casos e 119.504 mortes até esta sexta.

Doria justifica a posição do Estado pelo seu tamanho e de sua população, cerca de 46 milhões de habitantes, a maior entre os 26 Estados e o Distrito Federal. Lembra, ainda, que o Estado é uma da principais portas de entrada do país por portos —como o de Santos— e aeroportos —como os de Guarulhos e de Viracopos, em Campinas.

O governador, que foi diagnosticado com a doença e cumpriu 10 dias de isolamento para recuperação, mesmo assintomático, afirma também que o que chama de “negacionismo” de Bolsonaro atrapalhou na conscientização da população para combater a pandemia.

“Dado o fato de que também temos no país um líder que é negacionista, ou seja, que continua negando que o vírus é grave, que é uma pandemia, que não usa máscara, que promove aglutinações, que não usa álcool gel, que não faz nenhuma recomendação de distanciamento, que condenou o isolamento e ainda promove cloroquina, tudo isso dificultou muito, não só para o Estado de São Paulo, mas para todos os Estados, todos os governadores”, disse.

“Esse foi um fator que contribuiu, no caso de São Paulo, para dificultar que chegássemos ao platô, mantivéssemos e agora nessa fase de decrescimento. Para cada informação da ciência dada aqui e em respeito à orientação da saúde, vinha do governo federal o oposto.”

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