Sem-tetos acampam em frente à Prefeitura e cobram vagas de hotéis anunciadas por Covas

Em nota, a pasta afirmou ter ampliado as vagas nos centros de acolhida para pessoas em situação de rua, mas não citou o projeto de hotéis

Sem-tetos acampam em frente à Prefeitura
Sem-tetos acampam em frente à Prefeitura (Foto: Reprodução)
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Carta Capital - Um grupo de sem tetos acampou em frente à sede da Prefeitura de São Paulo, na terça-feira 7, para reivindicar as vagas de hotéis anunciadas pelo prefeito Bruno Covas à população vulnerável durante a pandemia e criticar os centros de acolhida. Os manifestantes se alojaram em barracas em frente ao prédio da gestão municipal, no Viaduto do Chá, no centro de São Paulo.

Em maio, Covas sancionou uma lei que previa disponibilizar leitos de hotéis a profissionais de saúde, moradores em situação de rua e mulheres vítimas de violência em meio à pandemia do novo coronavírus. O projeto, no entanto, não saiu do papel.

Os manifestantes, organizados pelo Movimento Estadual da População em Situação de Rua (MEPRSP) e pelo Movimento Nacional da População de Rua (MNPR), divulgaram um comunicando relatando as reivindicações.

“Conhecemos a realidade dos centros de acolhida: há falta de estrutura dos prédios, as camas são próximas uma das outras, os ambientes são insalubres e faltam materiais para higienização. Muito não vão nestes locais por causa destas condições. Muitas vezes pode ser melhor ficar nas ruas do que ir para muitos serviços oferecidos pela prefeitura”.

Além de reivindicarem pelos quartos de hotéis, os integrantes do grupo requerem a organização de espaços para barracas com estrutura para alimentação, instalação de banheiros e chuveiros públicos permanentes na cidade, e negociação com o Bom Prato do governo do estado para manutenção das três refeições, de domingo a domingo.

A Prefeitura se posicionou frente ao caso em uma nota onde afirma atender as pessoas em situação de rua em uma ação integrada, que envolve a SMADS e a Secretaria da Saúde, com o apoio das pastas de Esportes e Lazer (SEME) e Educação (SME). A Prefeitura afirma ter criado 1.072 novas vagas para acolhimento 24 horas desde o início da pandemia, sendo algumas em equipamentos emergenciais, e outras nos Centros Educacionais Unificados (CEUs), de Cidade Ademar, Itaquera, Penha e Ipiranga. A pasta, no entanto, não mencionou a demanda pelos quartos de hotéis.

Ainda de acordo com a pasta, entre os espaços criados, um é destinado para pessoas com suspeita de covid-19, na Lapa, e outro para atender pessoas com diagnóstico positivo, na Vila Clementino, a fim de reduzir o risco de contágio do coronavírus.

A gestão ainda declarou ter ampliado a oferta de serviços nos quais as pessoas em situação de rua têm acesso a refeições, banheiros, kits de higiene e orientações, como no Núcleo de Convivência de caráter emergencial instalado na Luz e que instalou 11 pias com água potável fornecida pela Sabesp no centro da cidade, além de ter iniciado a Ação Vidas no Centro para oferecer sanitários, banhos e lavanderias para pessoas em situação de vulnerabilidade social que vivem na região.

A capital paulista tem 24.344 pessoas em situação de rua, sendo 11.693 acolhidos nos serviços da rede de assistência social do município, que engloba 113 serviços, sendo 101 para acolhimento, segundo dados do Censo da População em Situação de Rua 2019, realizado pela empresa Qualitest Ciência e Tecnologia Ltda.

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