WhatsApp com pedido de R$ 500 mil a traficante abriu operação contra elo do PCC
A apuração teve início em agosto de 2025, durante o cumprimento de mandados de busca e prisão contra um traficante ligado ao Primeiro Comando da Capital
247 - A Operação Infiltrados, deflagrada nesta terça-feira (9), prendeu um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público (MP-SP) sob suspeita de ligação com um esquema de ajuda ao PCC, extorsão de investigados e participação em um plano para matar um promotor do Gaeco. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo.
A apuração teve início em agosto de 2025, durante o cumprimento de mandados de busca e prisão contra um traficante ligado ao Primeiro Comando da Capital. O caso ganhou novo rumo após o investigado relatar que recebeu, dois dias antes da prisão, uma mensagem de WhatsApp com cobrança de R$ 500 mil.
Segundo o promotor de Justiça Marcos Tadeu Rioli, do MP-SP, a mensagem exigia o pagamento para impedir que o caso chegasse ao Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, o Gaeco. A cobrança foi enviada por meio de mensagens de visualização única.
O traficante acabou preso e denunciado por tráfico de drogas e associação para o tráfico. A denúncia sobre a tentativa de extorsão, ainda assim, levou o MP-SP a abrir uma investigação paralela para identificar quem tentou obter a vantagem financeira.
A operação desta terça-feira se baseia nessa apuração. Os investigadores afirmam que os três suspeitos teriam relação com um plano para assassinar o promotor de Justiça do Gaeco Amauri Silveira Filho e com um esquema de cobrança ilegal contra alvos de investigações.
Vídeo mostra encontro citado na investigação
Um vídeo obtido pelo MP-SP no curso da investigação mostra um encontro entre o então chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes, a Dise, da Polícia Civil de Campinas, e um investigado por participar do plano para matar Amauri Silveira Filho.
Entre os presos está um ex-estagiário do MP-SP que atuava em uma promotoria de Campinas. Segundo o Gaeco, ele era bacharel em direito, não integrava a equipe do grupo especializado e não tinha acesso direto às investigações da operação que resultou na prisão do traficante.
Mesmo sem atuar no Gaeco, o ex-estagiário tinha acesso a inquéritos policiais que tramitavam na promotoria onde trabalhava. Os investigadores afirmam que ele usou esse acesso, junto a informações obtidas em sistemas restritos, para levantar dados sobre o alvo da extorsão.
A apuração aponta que o ex-estagiário contou com apoio de um ex-policial penal, afastado da corporação por denúncia de extorsão, e de um policial civil. Os dois teriam feito consultas privilegiadas em bancos de dados oficiais.
Com essas informações, o grupo teria identificado que o investigado possuía “elevado poder aquisitivo”. O promotor Marcos Tadeu Rioli afirmou ainda que a mensagem enviada ao traficante incluía trechos de relatórios policiais.
Gaeco busca novos envolvidos
O Gaeco espera concluir esta etapa da investigação durante o prazo das prisões temporárias, fixado inicialmente em cinco dias. A medida pode ser prorrogada por mais cinco dias.
Os investigadores avaliam que a análise do material apreendido pode indicar a participação de outras pessoas no esquema. A apuração busca esclarecer como os dados sigilosos circularam entre os suspeitos e como a tentativa de extorsão foi estruturada.
A Operação Infiltrados também se conecta a outras duas frentes abertas pelo MP-SP. Uma delas é a Operação Pronta Resposta, realizada em 22 de agosto do ano passado, que investigou uma organização criminosa ligada ao PCC suspeita de planejar a morte do promotor Amauri Silveira Filho.
A outra é a Operação Off White, deflagrada em 30 de outubro, para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro ligado a dois traficantes, entre eles Sérgio Luiz de Freitas, conhecido como Mijão.
Mijão é apontado como integrante da sintonia final do PCC e aparece na lista dos criminosos mais procurados do Brasil, elaborada pelo Ministério da Justiça.
Segundo as apurações do Gaeco, uma semana antes da Operação Pronta Resposta, o responsável direto pela execução do plano para matar o promotor se reuniu com o chefe dos investigadores da Dise de Campinas. Esse encontro passou a integrar o conjunto de elementos que sustentam a nova fase da investigação.



