Zarattini: grampo sobre Dilma e Lula foi processo de golpe

No dia em que (10/09) Deltan Dallagnol não compareceu a uma audiência na Câmara, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) disse que o grampo ilegal divulgado pela operação sobre Dilma e Lula "foi manipulação descarada de Moro e MP, sem respeito ao sigilo legal, com intuito de radicalizar clima e estimular pressão política, midiática e processo de golpe"

(Foto: LUIS MACEDO - AGÊNCIA CÃMARA)

247 - No dia em que (10/09) o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, não compareceu a uma audiência na Câmara, o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) criticou o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador pelo grampo divulgado de forma ilegal sobre uma conversa entre a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2016. O jornalista do Intercept Brasil Leandro Demori foi à Câmara nesta terça-feira (10) para falar sobre as irregularidades da operação. 

"Vazamento de conversa entre então presidenta Dilma e Lula foi ato criminoso, ilegal, inconstitucional. Foi manipulação descarada de Moro e MP, sem respeito ao sigilo legal, com intuito de radicalizar clima e estimular pressão política, mídiática e processo de golpe", escreveu o parlamentar no Twitter.

O vazamento foi ilegal porque um dos participantes da conversa - Dilma - tem prerrogativa de foro. 

O site Intercept vem divulgando reportagens sobre o fato de o ex-juiz Sérgio Moro e procuradores do Ministério Público Federal (MPF-PR) terem ferido a equidistância entre quem julga e quem acusa, com extrapolamentos das funções dos dois lados e partidarização da Lava Jato. 

Na mais recente revelação do Intercept Brasil, a operação tinha 22 diálogos de Lula, porém usou apenas um deles para interferir na política. Em 16 de março de 2016, o então juiz Sérgio Moro tornou público um diálogo em que Dilma tratou com o ex-presidente sua eventual posse dele como ministro da Casa Civil. Todas as outras conversas mostravam que o ex-presidente estava na dúvida se aceitaria o convite ou não, o que enfraquece a tese usada por Moro de que Lula queria ser blindado da Lava Jato. 

"Além da conversa com a então presidente Dilma Rousseff (PT) sobre o termo de posse de Lula como ministro da Casa Civil, que foi divulgada após ter o sigilo levantado pelo então juiz Sergio Moro, o petista fez outras 21 ligações", destaca reportagem do site Intercept Brasil em parceria com o jornal Folha de S.Paulo, que divulgou todos os outros diálogos. 

Mais uma matéria do site reforça: "Outras ligações interceptadas pela polícia naquele dia, mantidas em sigilo pelos investigadores, punham em xeque a hipótese adotada na época por Moro, que deixou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça no governo Jair Bolsonaro (PSL)."

De acordo com reportagens do Intercept Brasil que vêm sendo divulgadas desde o mês de junho, Moro, atual ministro da Justiça, interferiu no trabalho de procuradores, ao negociar acordos de delação premiada e ao recomendar o acréscimo de informações na elaboração de uma denúncia contra um réu — Zwi Skornicki, representante da Keppel Fels, estaleiro que tinha contratos com a Petrobras. 

Quando julgava os processos da Lava Jato em primeira instância jurídica, Moro também questionou a capacidade de uma procuradora em interrogar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sugeriu a inversão da ordem das fases da operação, além de outras irregularidades. 

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