Coletivo feminista se solidariza com Manuela D'Ávila: 'não há justificativa para silêncio e conivência'

Feministas manifestaram repúdio aos ataques contra Manuela D’Ávila (PCdoB) durante debate entre os candidatos à prefeitura de Porto Alegre. "Denunciamos a violência política de gênero", diz a nota. "Dar nome a essa violência é o primeiro passo para combater esse problema", afirma. "Não há justificativa moral ou eleitoral para o silêncio e a conivência"

Manuela D'Ávila
Manuela D'Ávila (Foto: Reprodução/Facebook)
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247 - Coletivos feministas manifestaram repúdio à violência política de gênero dirigida à candidata Manuela D'Ávila (PCdoB) durante o debate entre os candidatos à prefeitura de Porto Alegre. "Não há justificativa moral ou eleitoral para o silêncio e a conivência", diz a nota. 

Ex-noivo e concorrente da candidata, Rodrigo Maroni (PROS) reforçou ter dito na eleição que a "Manuela mentia, que ela dissimulava e mentia. Reitero isso". Ela classificou a postura como "violência política de gênero"

De acordo com a nota dos coletivos, publicada no Sul 21, "o que aconteceu com Manuela, na noite de quinta-feira, foi violência política de gênero: foi incessantemente atacada por um candidato homem, que usou todo seu espaço de fala para desqualificar uma mulher candidata por questões pessoais que nada têm a ver com a disputa eleitoral". 

"Denunciamos a violência política de gênero e todos as formas de violência contra as mulheres, todas as mulheres. Dar nome a essa violência é o primeiro passo para combater esse problema. Nossa resposta será nas urnas e fora delas!", continua.

Leia a íntegra do texto:

Por Coletivo Ecofeminista Pandora, Marcha Mundial das Mulheres, Mulheres do MTST e União Brasileira de Mulheres (*) 

Nós, mulheres porto-alegrenses e brasileiras declaramos publicamente nosso repúdio à violência política de gênero dirigida à candidata Manuela D’Ávila durante o debate entre os candidatos à prefeitura de Porto Alegre na Rádio Gaúcha, na noite de quinta-feira.

Todas nós, mulheres, sabemos o que é violência, tão comum no nosso cotidiano. Quando acontece na política, isso tem nome: VIOLÊNCIA POLÍTICA DE GÊNERO. Essa violência pode acontecer com eleitoras, candidatas e mulheres eleitas. O que aconteceu com Manuela, na noite de quinta-feira, foi violência política de gênero: foi incessantemente atacada por um candidato homem, que usou todo seu espaço de fala para desqualificar uma mulher candidata por questões pessoais que nada têm a ver com a disputa eleitoral. Fernanda Melchionna deu nome – MACHISMO – ao que estava acontecendo e exigindo, em nome de todas as mulheres, que a violência de gênero parasse.

E se Fernanda Melchionna não estivesse ali? Nenhum dos demais presentes, entre candidatos e promovedores do debate, a maioria homens, denunciou o machismo! Pelo contrário, ou tentaram capitalizar a situação a seu favor, ou se limitaram a se dizer constrangidos! Nesse sentido, o debate reproduziu a lógica do julgamento de Mari Ferrer: silêncio e cumplicidade dos homens com episódios de violência contra as mulheres.

Por isso, também declaramos nosso repúdio ao silêncio conivente de quem, presenciando a violência e com espaço de fala, escolheu calar e permitir que a violência de gênero dominasse um debate que deveria ser sobre propostas de políticas públicas para a cidade, inclusive no que diz respeito à urgente necessidade de enfrentamento à violência contra as mulheres.

Não! Não há regras pré estabelecidas que justifiquem permitir esse nível de agressão. E também não há justificativa moral ou eleitoral para o silêncio e a conivência.

O episódio de ontem, no debate realizado às vésperas da eleição que definirá a proposição e gestão de políticas públicas, é mais um exemplo triste, lamentável e indigno de uma cidade que já se orgulhou de seus níveis de participação democrática.

Denunciamos a violência política de gênero e todos as formas de violência contra as mulheres, todas as mulheres. Dar nome a essa violência é o primeiro passo para combater esse problema. Nossa resposta será nas urnas e fora delas!

E conclamamos a todas as porto-alegrenses a se juntarem a nós: no domingo, usemos nosso voto para exigir respeito, defender nossos direitos e construir uma cidade efetivamente livre de violência para todas, todos e todes.

Porto Alegre, 13 de novembro 2020

(*) Coletivo Ecofeminista Pandora, Marcha Mundial das Mulheres, Mulheres do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e União Brasileira de Mulheres (UBM)

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