Deltan escolheu os adjetivos da nota em que elogiou o próprio trabalho

"Dava para colocar um adjetivo aí: 'que desenvolvem suas missões de modo técnico e sereno em investigação complexa, que deslinda....'", escreveu o procurador a José Robalinho Cavalcanti, então presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR)

(Foto: ABr)

247 - Novo capítulo da Vaza Jato, divulgado pelo site The Intercept, revelou que a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), entidade que em tese cuida dos interesses de centenas de procuradores (entre eles, certamente muitos críticos à Lava Jato e seus métodos), atuava em conjunto com a força-tarefa em suas manifestações públicas em defesa da Lava Jato.

Em uma das conversas, em março de 2016, o coordenador da força-tarefa de Curitiba, Deltan Dallagnol, trocava mensagens com José Robalinho Cavalcanti, então presidente da ANPR, cargo que deixou em maio deste ano, com quem tratava em parceria da redação de mais uma nota da Associação em defesa do então juiz Sergio Moro e da Lava Jato. 

Desta vez, o motivo era defender publicamente uma ilegalidade de Moro: a divulgação do áudio entre Lula e a então presidente Dilma Rousseff. Na conversa, Deltan sugeriu os adjetivos que elogiariam seu próprio trabalho: "Dava para colocar um adjetivo aí: 'que desenvolvem suas missões de modo técnico e sereno em investigação complexa, que deslinda....'".

"Vi que depois usou tanto os adjetivos técnico como sereno... então vai outra possibilidade: 'que desenvolvem suas missões de modo profissional e com equilíbrio em investigação complexa, que deslinda....'", emendou em seguida. "Moro pede pra não usar o nome dele... colocaria 'no Juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba", recomenda ainda.

"Já mudei. O que mai rs", indaga Robalinho, obediente. "Perfeito. Manda ver", libera Dallagnol. 

Pelo Twitter, o deputado Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara, se espantou com os autoelogios do procurador:

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