“Eu deduzia”, diz Santana como “prova” a crime de Lula no caso Atibaia

Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, o marqueteiro João Santana apresentou uma “prova” do “crime” cometido pelo ex-presidente Lula no caso do sítio de Atibaia; “Eu deduzia que Lula sabia exatamente do que estava se tratando”, disse Santana; no entanto, o marqueteiro admite que nunca conversou com o ex-presidente sobre valores ou formas de pagamento de serviços de campanha

João Santana 
João Santana  (Foto: Charles Nisz)

Patrícia Faerman, Jornal GGN - "Eu deduzia que Lula sabia exatamente do que estava se tratando", foi o testemunho de acusação do marqueteiro João Santana, colhido pelo juiz Sérgio Moro, nesta segunda (05), para sustentar que o ex-presidente recebeu propinas da Odebrecht, OAS e Schahin por meio de reformas no sítio de Atibaia.

Após uma série de pressões da equipe da força-tarefa de Curitiba, Santana fechou acordo de delação premiada com a Operação Lava Jato, no último ano, entregando aos investigadores informações de que Lula saberia ou teria conhecimento de ilícitos, chaves para os procuradores conectarem o ex-presidente à tese de que o petista seria o grande responsável por todo o esquema de corrupção.

No mesmo caminho que tramitou a condenação no caso do triplex do Guarujá, a equipe de Moro em Curitiba acelera os autos do processo relacionado ao sítio no interior de São Paulo. Após o fracasso dos investigadores por tentarem comprovar que o ex-presidente seria o verdadeiro dono da propriedade em Atibaia, a exemplo do que ocorreu também no triplex no litoral, as delações foram as alternativas que sobraram à Lava Jato para segurar a teoria.

Assim, Santana afirmou em sua delação, no ano passado, que Lula tinha conhecimento da existência de pagamentos em caixa dois pelos serviços prestados pelo próprio publicitário na campanha à reeleição, em 2006. Em outro extremo, para o Ministério Público Federal (MPF), Lula comandou a formação de um esquema criminoso para o seu enriquecimento ilícito e para "financiar caras campanhas eleitorais".

Provas? O marqueteiro João Santana disse que nunca conversou com o ex-presidente sobre valores ou formas de pagamento de serviços da campanha, que envolveram caixa dois. Confirmou aos investigadores, apenas, que reclamou "duas ou três vezes" sobre atrasos nos pagamentos de seus serviços como marqueteiro.

De reclamar o atraso, para que o ex-presidente Lula soubesse dos ilícitos e comandasse um esquema criminoso, uma ponte construída pela Lava Jato: "Eu deduzia que ele sabia exatamente do que estava se tratando", disse João Santana.

"Primeiro, uma coisa genérica: eu não conheci nenhum candidato que não soubesse dos detalhes da administração financeira da sua campanha. Segundo: os pagamentos oficiais sempre tiveram margem pequena de atraso. Sempre tinha atraso, mas não tanto. Então, quando se referia a atrasos, atrasos inclusive que ficavam para depois da campanha, estava implícito que era caixa 2", continuou na sua lógica, que era a mesma dos investigadores e que, portanto, deveria ser a de Lula.

Além de Santana, a sua esposa e sócia, a marqueteira Mônica Moura, e o ex-executivo da área internacional da Petrobras, Eduardo Musa, todos delatores, também prestaram depoimentos como testemunhas de acusação nesta segunda no caso de Atibaia contra o ex-presidente Lula.

Mônica Moura confirmou as informações de Santana: nunca tratou de valores e de formas de pagamento do caixa dois com Lula, que estes temas ficavam supostamente a cargo do ex-ministro Antonio Palocci e do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

A marqueteira apenas reiterou como ela mesma e seu marido receberam dinheiro de caixa dois da Odebrecht no exterior como suposta parte do pagamento de milhões por serviços prestados na campanha de Lula em 2006, não declarados à Receita.

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