Ex-diretor do PSDB na Petrobras foi delatado há um ano na Lava Jato

A delação foi prestada há mais de um ano e, em conteúdo, investigadores não questionam políticos tucanos, apenas campanhas do PT; O ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, disse que Rogério Manso (foto) "era do PSDB, indicação de Pedro Malan [ministro da Fazenda de Fernando Henrique Cardoso entre 1995 e 2003]" e que as negociações diárias na área de trading, "terreno fértil para ilicitudes", podiam "render milhões de dólares ao final do mês em propina", uma vez que os preços podem variar artificialmente, gerando uma "margem para propina"

Rogério Manso
Rogério Manso (Foto: Leonardo Attuch)
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Jornal GGN - Está na mira da Operação Lava Jato um nome do PSDB na Petrobras, o ex-diretor de Abastecimento, Rogério Manso, antecessor de Paulo Roberto Costa. Desde agosto do ano passado, a delegada Erika Mialik Marena apura a suspeita de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa envolvendo o tucano.

Os negócios corruptos teriam ocorrido na área de compra e venda (trading) de combustíveis e derivados do petróleo da estatal, em data "possivelmente anterior a 2004" e que se seguiu até 2012, possivelmente. 

O ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, disse que Manso "era do PSDB, indicação de Pedro Malan [ministro da Fazenda de Fernando Henrique Cardoso entre 1995 e 2003]" e que as negociações diárias na área de trading, "terreno fértil para ilicitudes", podiam "render milhões de dólares ao final do mês em propina", uma vez que os preços podem variar artificialmente, gerando uma "margem para propina".

Em delação, Cerveró narrou ainda que a Diretoria de Abastecimento não era uma área de "muita influência" do PT na Petrobras e que "em tese, os funcionários envolvidos no recebimento dessa propina são os funcionários da área de trading e da diretoria de abastecimento". 

Na delação concedida de há mais de um ano, e não vazada aos meios de comunicação até hoje, Cerveró conta que "o trading de combustíveis tem imenso volume de negócios, maior que o de afretamento de navios; que o volume de negócios de afretamento de navios é grande, mas o volume de recursos é menor se comparado ao trading de combustíveis" e que "o diretor de abastecimento possui autorização, nas áreas de trading e afretamentos, para fechar negócios sem que haja uma prévia autorização da diretoria".

Além do tucano, Cerveró também mencionou outro nome que integrava o esquema, o chamado "Pereira ou Pereirinha, pessoa indicada por Lobão [senador pelo PMBD]". Além de Lobão, Cerveró foi questionado e citou que possivelmente a campanha de Jaques Wagner (PT), em 2006, "foi bancada com recursos obtidos nas operações de trading".

Mencionou que "mesmo após Paulo Roberto Costa assumir a diretoria de abastecimento em 2004, Rogério Manso continuou tendo influência na área de trading até 2006 ou 2007". Por fim, com evidente falta de questionamentos dos investigadores a Cerveró sobre políticos tucanos, o ex-diretor confirmou que nas operações de trading "os recursos repassados aos agentes públicos decorrem do volume acumulado das operações diárias". 

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