Mulher morre baleada pela polícia em perseguição no RS

A costureira Dorildes Laurindo, de 56 anos, voltava da praia em Gravataí (RS) com um amigo angolano Gilberto Almeida, de 26 anos, quando a polícia passou a perseguir o carro e disparou tiros contra o veículo. Irmã de Dorildes, Marjorie Luciano disse que os "policiais pisaram na cabeça dela". "Um dos policiais batia e dizia 'acorda, vagabunda'", contou

(Foto: Divulgação)
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247 - Uma costureira identificada como Dorildes Laurindo, de 56 anos, morreu baleada pela polícia durante uma perseguição em Gravataí, região metropolitana de Porto Alegre. Ela tinha pedido uma corrida pelo aplicativo BlaBlaCar, mas o motorista do carro, Luiz Carlos Pail Junior, era foragido da Justiça. Dorildes não resistiu e teve morte cerebral decretada na tarde desta terça-feira (2). Estava internada desde 17 de maio por causa de perfurações no intestino, rim e pulmão, além de uma lesão da medula.

Dorildes voltava da praia com um amigo angolano Gilberto Almeida, de 26 anos, quando a polícia passou a perseguir o carro e disparou tiros contra o veículo. Atingido por quatro tiros, Almeida foi preso, mas acabou solto na última sexta-feira (29). O motorista continua detido.

Irmã de Dorildes, Marjorie Luciano acusou os policiais de agredirem a costureira e Gilberto em busca de informações. "Os policiais pisaram na cabeça dela, queriam que ela falasse alguma coisa. Um dos policiais batia e dizia 'acorda, vagabunda'. A minha irmã era trabalhadora, não vagabunda!", lamenta Marjorie, que cobra punição aos envolvidos no caso. "O mínimo que se aguarda é que se faça justiça. Não foi só ato de crueldade, só uma abordagem, agora foi um assassinato. Esses policiais não podem ir para a rua". Seus relatos foram publicados no portal Uol.

O comandante do Comando de Policiamento Metropolitano (CPM), tenente-coronel Alexandre da Rosa, informou que os três policiais envolvidos no caso estão afastados de suas funções.

Policiais divergem 

Três policiais militares envolvidos na ocorrência apresentaram versões divergentes nos depoimentos sobre a operação. Em registro na Delegacia de Pronto Atendimento (DPPA) de Gravataí, eles disseram que "havia informações de que dentro do veículo havia um foragido", que estava portando uma arma de fogo.

De acordo com os agentes, o carro foi perseguido por quatro quilômetros, com o motorista "seguindo sempre em alta velocidade. Os policiais afirmaram que, após o carro parar, "desembarcaram três ocupantes, sendo que dois deles (o motorista e o caroneiro do banco da frente) apontaram armas de fogo contra a guarnição e passaram a efetuar os disparos".

Três dias depois, os militares mudaram o depoimento e afirmaram, na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que não viram o angolano atirar, mas que próximo dele foi encontrado um revólver calibre 38.

No segundo depoimento, o PM Sandro Laureano Fernandes disse que os "primeiros disparos vieram da mesma direção onde estavam os ocupantes do veículo, e após a polícia revidar, o foragido Luiz Carlos Pail Junior empreendeu fuga na direção de um mato".

No segundo depoimento, os policiais negaram as agressões - um deles disse que agiu com "cautela".

"Questionado sobre como foram efetuados os disparos de revide, informou que a guarnição reagiu observando todas as cautelas devidas, disparando somente na direção de onde partiram os disparos efetuados por algum(s) dos ocupantes do veículo abordado e até o momento em que cessou a agressão despendida pelos suspeitos. Além disso, assim que cessaram os disparos dos agressores, os policiais se aproximaram dos feridos tomando as devidas cautelas e prontamente prestaram socorro", aponta o segundo trecho do depoimento do policial Marcelo Moreira Machado.

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