Presidente do Ibama libera desmatamento da Mata Atlântica, contrariando pareceres técnicos do órgão

Presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Fortunato Bim, permitiu que a empresa Tibagi Energia desmatasse um dos biomas mais ameaçados do Brasil

Eduardo Fortunato Bim
Eduardo Fortunato Bim (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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247 - O presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Fortunato Bim, ignorou pareceres técnicos do Ibama ao liberar o desmatamento de uma região de Mata Atlântica no Paraná, de acordo com documentos obtidos pelo Globo.

A permissão beneficiou a empresa Tibagi Energia, que tentava, desde o final de 2018, conseguir liberação para a construção de uma usina hidrelétrica às margens do rio Tibagi.

Para a obra, seria preciso desmatar uma área de aproximadamente 14 hectares do bioma mais ameaçado do Brasil.

Por ser território de Mata Atlântica, a permissão do governo estadual para a realização da construção não bastava, sendo necessária a liberação do Ibama.

Em abril de 2019, técnicos do Ibama aconselharam que não fosse dada permissão para a criação da usina porque a área tem “elevado potencial ambiental, cultural e paisagístico e que necessita de um grau de proteção compatível à sua complexidade”. O relatório técnico diz ainda que o local é habitat de espécies ameaçadas de extinção e é rico em fauna endêmica.

A empresa recorreu da decisão e, novamente, a equipe técnica deu parecer negativo à construção.

Em junho, a empresa Tibagi Energia recorreu diretamente à presidência do Ibama. Em oito dias, Eduardo Fortunato Bim concedeu liberação para o desmatamento da região. “Não cabe ao Ibama fiscalizar, periciar ou avaliar licenciamentos ambientais conduzidos por outros entes federativos. Ao Ibama cabe unicamente analisar as questões relavas à Mata Atlântica, mais especificadamente a sua supressão”, escreveu Bim em seu despacho.

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