Requião apresenta projeto contra a crise

Senador Roberto Requião (PMDB-PR) apresentou uma proposta, que, segundo ele, tira o Brasil da crise, do subdesenvolvimento, da desigualdade e da dependência econômico-financeira; as alternativas giram em torno de câmbio controlado e conversão da dívida pública em investimentos, integrar o território nacional, melhor distribuição de renda, industrializar o País, urbanização e mais estratégias de inserção internacional; confira as explicações do parlamentar sobre cada um dos tópicos

senador Roberto Requião (PMDB-PR)
senador Roberto Requião (PMDB-PR) (Foto: Leonardo Lucena)

Paraná 247 - O senador Roberto Requião (PMDB-PR) apresentou, no plenário, nesta quinta-feira (6) uma proposta, que, segundo ele, tira o Brasil da crise, do subdesenvolvimento, da desigualdade e da dependência econômico-financeira. Para chegar à proposta, o senador fez uma análise dos vários grupos de economistas, sociólogos e pensadores que, ao longo das últimas décadas, pensaram um projeto para o Brasil.

De acordo com o parlamentar, existem cinco pressupostos para um novo projeto de país. "O primeiro é que se constituiu, ao longo dos últimos anos, uma enorme dívida pública que inviabiliza qualquer ação estatal que necessite de investimentos e que poderia servir e ter êxito na solução dos entraves para promover o desenvolvimento do país", diz ele.

"O Segundo é que no século XXI houve uma melhor distribuição de renda, resultado da implantação de políticas sociais, possibilitada, também, pela melhor relação de trocas no comércio internacional, que elevou o preço das commodities. O terceiro pressuposto é o fato de o País ter integrado ao litoral significativa parcela de seu interior, tendo até deslocado  sua  capital federal  a  mais de mil quilômetros  da  costa", continuou.

O congressista disse que "o quarto pressuposto é que o Brasil conta com uma indústria, ampla e diversificada, a mais completa do Hemisfério Sul e da América Latina". "O quinto pressuposto é o Brasil ter se transformado em um país urbano. Mais de 84% de sua população vivem em aglomerados urbanos e mais de 45% moram em grandes metrópoles".

Propostas com base nos pressupostos

Ao formular suas propostas com base nos pressupostos, Requião afirmou que a "impagável dívida pública, ao invés de se tornar um impedimento ao exercício da ação estatal, via ajuste fiscal e cortes orçamentários, deveria ser vista como um elemento promotor de investimentos, pela sua ordenada e planejada alocação na atividade produtiva".

"A construção de um projeto nacional exige câmbio competitivo e controlado, uma nova política monetária que traga os juros aos níveis internacionais e a troca da lógica da atração da poupança externa pela enorme poupança interna, que será  liberada  pela conversão da dívida pública em investimentos", acrescentou.

A segunda alternativa é melhoria da distribuição de renda, de acordo com o senador. "Um dos elementos centrais para a melhoria permanente na distribuição de renda é a construção de um sistema educacional que garanta, no mínimo, uma década e meia de bancos escolares à população e que vocacione a maior parte dos formandos para as ciências naturais e engenharia", disse. "A reformulação de currículos, a valorização do magistério, o fomento à pesquisa científica precisam ser pilares neste modelo de educação em massa. Montar uma economia não dependente  da mão-de-obra barata para ser bem-sucedida, exige um novo tipo de trabalhador, um trabalhador educado e com maior renda", disse.

A terceira solução é integrar é o Brasil integrar seu território. "O País foi incapaz de prover acesso  dos meios modernos de logística à metade do território nacional". "A formação da infraestrutura seja social, aquela  que envolve  ações nas áreas de educação, saúde, segurança e saneamento, seja a econômica, vocacionada para energia, transportes e comunicações requerem, necessariamente, planejamento de longo prazo e a elaboração detalhada de projetos de engenharia. Mas requer, antes de tudo, a elaboração de um plano de ocupação do território, que envolva desde ações de ordenamento territorial até política de ocupação fundiária", continuou.

Mais três propostas

O parlamentar afirmou que é preciso industrializar o Brasil. "Incentivar setores que formam a moderna capacidade industrial de um País, quais sejam o eletroeletrônico, o de química fina, o de biotecnologia, dentre outros, de forma a balancear melhor o produto industrial". "Uma das peças centrais de qualquer projeto de industrialização são as vantagens competitivas estáticas do país. E uma dessas principais vantagens com que conta o Brasil é o mercado interno, a capacidade de gerar massa crítica, ganhos de escala, para permitir a busca do mercado internacional".

O peemedebista também propõe a urbanização do País. "Urbanizar vai muito além de colocar gente nas cidades. Significa construir moradias, mecanismos de suporte como escolas e hospitais, de convivência como praças, de lazer como cinemas e teatros, de segurança como delegacias, fornecer transportes públicos que adequem deslocamentos", afirmou. "Parte central de qualquer urbanização é a construção da coesão social".

A última proposta é "a inserção internacional do país e a conquista do mercado externo, seja política ou econômica, necessitam de uma estratégia geopolítica e de um conjunto de ações diplomáticas".

"Ações planejadas são necessárias para a conquista de novos mercados, para a montagem de grandes parcerias no mundo, para a atração de investimentos. Exemplos de ações bem-sucedidas e praticadas recentemente pela nossa diplomacia foram a investida brasileira na África, a constituição do Banco dos BRICS e a formação da UNASUL", complementou.

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