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Análise de esgoto e redes sociais nos EUA tentará antecipar doenças durante a Copa

Monitoramento de esgoto e redes sociais busca detectar surtos e reforçar a vigilância sanitária durante a Copa do Mundo nos EUA

Morbillivirus hominis, vírus do sarampo (Foto: Gerada por IA)
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247 - Epidemiologistas vão ampliar o monitoramento de águas residuais e redes sociais para tentar identificar rapidamente sinais de doenças infecciosas durante a Copa do Mundo, que deve reunir milhões de torcedores de mais de 100 países nos Estados Unidos, Canadá e México, informa a CNN Brasil.

A iniciativa será conduzida por uma equipe de saúde pública sediada em Washington, DC, que pretende acompanhar amostras de esgoto e conversas em plataformas abertas da internet para detectar eventuais focos de transmissão nas cidades-sede dos EUA e do Canadá. A estratégia busca proteger torcedores, delegações e a população em geral durante um dos maiores eventos esportivos do mundo.

Ao todo, mais de 6,5 milhões de pessoas são esperadas para acompanhar 104 partidas ao longo de 39 dias. A dimensão da Copa do Mundo, associada ao fluxo intenso de viagens internacionais, aumenta a preocupação de especialistas com a possibilidade de disseminação rápida de doenças em diferentes regiões.

O alerta ocorre em um momento de pressão sobre os sistemas de saúde pública dos EUA, que já lidam com surtos de sarampo, ebola e hantavírus no país e no exterior. Segundo os organizadores da iniciativa, cortes orçamentários e de pessoal promovidos pelo governo Trump, somados à saída dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde, agravaram os desafios para a vigilância sanitária.

Centro epidemiológico em Georgetown

Para reunir informações em tempo real sobre possíveis ameaças à saúde pública, especialistas transformaram um laboratório da Universidade de Georgetown em uma espécie de centro de comando epidemiológico. A estrutura integra instituições acadêmicas, organizações sem fins lucrativos e empresas privadas em apoio a agências governamentais.

A equipe prepara relatórios diários de situação para indicar riscos emergentes e apontar eventuais medidas urgentes a gestores hospitalares e autoridades de saúde pública nos níveis local, estadual, federal e internacional. A FIFA, responsável pela organização da Copa do Mundo, também deve receber os alertas produzidos pelo grupo.

O centro de operações foi lançado em colaboração com a rede hospitalar regional MedStar Health, que abriga uma das 13 unidades de biocontenção dos Estados Unidos. Além de atuar durante a Copa, a estrutura servirá como teste para grandes eventos futuros, incluindo os Jogos Olímpicos de Verão de 2028, em Los Angeles.

Análise genética do esgoto

Um dos pilares do monitoramento será a análise avançada de águas residuais. A técnica utiliza sequenciamento de DNA e RNA para identificar traços genéticos de diferentes microrganismos, sem a necessidade de cultivo em laboratório.

Rebecca Katz, diretora do Centro de Ciência e Segurança da Saúde Global da Universidade de Georgetown e líder da nova iniciativa de vigilância, destacou o potencial da ferramenta.

“É incrivelmente poderoso”, afirmou Katz.

A equipe receberá dados de pontos de coleta nos Estados Unidos e no Canadá, além de informações de outras fontes de monitoramento de saúde nos três países-sede da Copa do Mundo.

A presença de microrganismos causadores de doenças no esgoto pode indicar o início de um surto antes que ele seja plenamente percebido nos hospitais. Isso daria às autoridades tempo para alertar médicos sobre sintomas que poderiam ser confundidos com outras enfermidades e orientar a população a adotar medidas de prevenção.

Sarampo preocupa mais que ebola

Embora a crise de ebola na África tenha despertado forte atenção, Katz afirmou que a febre hemorrágica representa risco reduzido para a população em geral na América do Norte.

Segundo a especialista, o ebola é um “risco muito baixo para o público em geral”.

A delegação da República Democrática do Congo, país que enfrenta o surto de ebola, está cumprindo quarentena preventiva na Bélgica antes de viajar para os Estados Unidos. A maioria dos jogadores, no entanto, estava na Europa quando o surto ocorreu.

A principal preocupação da equipe de Georgetown será o avanço do sarampo. A doença se aproxima de um recorde de casos nos Estados Unidos neste ano, com cerca de 2 mil registros até o momento, e também voltou a aparecer em partes do México e do Canadá.

Além do sarampo, os especialistas observam riscos ligados a doenças transmitidas por mosquitos, como dengue e chikungunya. Ambas podem ser levadas por viajantes infectados e, posteriormente, transmitidas por mosquitos em áreas onde há condições para circulação dos vírus.

Redes sociais também serão monitoradas

Além do esgoto, a vigilância epidemiológica incluirá dados anonimizados de registros eletrônicos de saúde e o acompanhamento de plataformas abertas de mídia social. A ideia é identificar sinais indiretos de surtos, como relatos de sintomas ou mudanças incomuns de comportamento.

Katz citou um exemplo anterior em que autoridades de saúde pública conseguiram detectar um surto gastrointestinal a partir de comentários nas redes sociais sobre um aumento repentino nas vendas de papel higiênico.

A equipe da Universidade de Georgetown pretende reforçar o trabalho de agências americanas, como os Centros de Controle e Prevenção de Doenças e a Administração para Preparação e Resposta Estratégicas.

Katz mobilizou 20 colegas para o centro de operações, além de apoio pro bono de outras 30 entidades. Entre os parceiros estão empresas especializadas em monitoramento de águas residuais, que coletam e analisam amostras de esgoto e compartilham gratuitamente os dados com a equipe.

O financiamento do centro veio de uma pequena fundação familiar, da Universidade de Georgetown e de contribuições em espécie de parceiros como a Universidade de Nebraska.

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