Boa noite de sono ajuda a evitar a obesidade em crianças

Quando dormirmos pouco ou mal, há um desequilíbrio na produção de leptina e grelina, hormônios que dão a sensação de saciedade e de fome respectivamente

Criança dormindo
Criança dormindo (Foto: Reprodução)
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Por Nicola Ferreira, da Agência Einstein - O sono é um momento importante fundamental para o desenvolvimento adequado das crianças. Enquanto domem, elas absorvem os aprendizados do dia e que o hormônio do crescimento está sendo liberado. Contudo, muitos pais encontram dificuldades para colocar os pequenos na cama, resultando em quantidade ou qualidade de sono insuficientes. Nos últimos anos, a ciência tem mostrado que o problema traz sérios prejuízos à saúde, e desde o começo da vida. Um dos efeitos é o aumento no risco de sobrepeso em crianças. 

Uma nova pesquisa comprovou essa relação. O estudo contou com a participação de crianças de 1 a 6 anos de idade e foram utilizados dados como peso, altura e tamanho da cintura. Os pesquisadores observaram que aquelas que dormiam depois das nove horas da noite tinham um quadril maior e um índice de massa corporal (IMC) acima do que ideal. Os dados foram analisados por meio de rastreadores colocados no pulso dos participantes. 

“Não é só dormir tarde.  É dormir pouco”, afirma a neuropediatra Letícia Soster, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. Há dois mecanismos pelos quais o déficit ou a qualidade do sono interferem no acúmulo de peso. “Quando dormimos menos, sentimos mais cansaço, irritação. Em geral, procuramos compensar isso ingerindo alimentos mais calóricos como carboidratos e açúcares, que dão energia e aliviam o cansaço”, explica a médica. Quimicamente, a resposta para a relação é a de que, quando dormirmos pouco ou mal, há um desequilíbrio na produção de leptina e grelina, hormônios que dão a sensação de saciedade e de fome respectivamente. A leptina cai e a grelina, sobe. 

Colocando a criança para dormir 

Um dos motivos para as crianças estarem dormindo cada vez mais tarde é a rotina intensa de muitos pais, o que adia a convivência com os filhos para mais tarde, e o uso intenso de celulares e outros apetrechos tecnológicos. Além da estimulação permanente, sem pausa para o descanso mental, a luz emitida pelo aparelho afeta a percepção do horário pelos mecanismos do relógio biológico. 

À longo prazo, há redução de hormônios como a melatonina (que prepara o corpo para o sono), leptina, GH (do crescimento) e cortisol (associado à estabilidade emocional e ao controle de inflamações). “O ato de adormecer precisa ser feito com tranquilidade e ensinado aos poucos até que a criança consiga executá-lo sozinha”, afirma a neuropediatra do Einstein.  

Adotar desde cedo a chamada higiene do sono é o correto. Entre outras medidas, ela prevê o estabelecimento de limite de horário para o uso de aparelhos eletrônicos e de uma rotina na qual o horário do sono seja sempre mantido. Além disso, também é importante garantir um ambiente tranquilo, com pouca luz e barulho, assim que começa o anoitecer. 

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