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Checar o celular assim que acorda indica traços de personalidade; saiba mais

Os celulares se tornaram ferramentas centrais na vida cotidiana

Checar o celular assim que acorda indica traços de personalidade; saiba mais (Foto: Gerada por IA/DALL-E)
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247 - Checar o celular logo ao acordar se tornou uma rotina para milhões de pessoas, mas especialistas em psicologia alertam que o hábito pode afetar o cérebro nos primeiros minutos do dia, elevar a ansiedade e prejudicar a concentração ao longo das horas seguintes.

 Segundo especialistas ouvidos pela publicação, o uso do smartphone imediatamente após despertar é considerado um mau hábito, especialmente porque expõe o c

érebro a notificações, mensagens e notícias antes que ele conclua a transição natural entre o repouso e o estado de alerta.

Os celulares se tornaram ferramentas centrais na vida cotidiana. Eles funcionam como relógio, agenda, fonte de informação, meio de comunicação, plataforma de entretenimento e porta de entrada para redes sociais. Essa presença constante, porém, também favorece uma relação de dependência difícil de interromper.

Em muitos casos, o aparelho fica ao lado da cama durante a noite e é o primeiro objeto acessado ao despertar. A prática parece inofensiva, mas pode provocar efeitos sobre o sistema nervoso e sobre a forma como a pessoa inicia o dia.

Cérebro passa rapidamente do repouso ao alerta.

O professor de Psicologia Alfredo Rodríguez-Muñoz, da Universidade Complutense de Madri, explica ao site Hola que checar o celular logo ao acordar impacta o sistema nervoso. Segundo ele, o cérebro sai de um estado de recuperação e entra em alerta em questão de segundos.

Essa mudança abrupta pode ser intensificada quando a pessoa se depara com notificações, mensagens urgentes ou notícias negativas. O resultado pode ser uma reação imediata de estresse, capaz de influenciar o humor e a disposição durante o restante do dia.

A exposição precoce a estímulos digitais também pode criar uma sensação de pressa desde os primeiros minutos da manhã. Em vez de iniciar o dia de forma gradual, o usuário passa a lidar rapidamente com demandas externas, informações acumuladas e conteúdos que exigem atenção.

Esse padrão pode contribuir para sobrecarga mental. De acordo com Rodríguez-Muñoz, olhar para o celular ao abrir os olhos tende a alimentar uma sensação contínua de urgência, cansaço psicológico e dificuldade de encontrar tranquilidade.

Hábito pode indicar impulsividade.

Para a psicóloga Laura Fuster, pessoas que pegam o celular imediatamente após acordar podem apresentar traços associados à impulsividade. A necessidade de verificar o que aconteceu durante a noite ou de saber quem enviou mensagens pode indicar dificuldade em controlar o impulso de checar o aparelho.

Esse comportamento não significa, necessariamente, um problema isolado, mas pode revelar uma relação marcada por ansiedade, urgência e dependência da conexão permanente. A pessoa sente necessidade de acessar informações rapidamente, mesmo quando sabe que o hábito pode ser prejudicial.

Segundo o site Psychology and Mind, indivíduos com esse perfil podem ter dificuldade em controlar impulsos, ainda que reconheçam efeitos negativos da ação. Em alguns casos, o comportamento vem acompanhado de culpa depois do uso, especialmente quando a pessoa percebe que perdeu tempo ou começou o dia mais ansiosa.

A impulsividade também pode estar relacionada à dificuldade de regular emoções intensas. Quando há desequilíbrio emocional, decisões rápidas e pouco refletidas tendem a aparecer com mais frequência, o que pode ampliar a sensação de desorganização mental.

Ansiedade e perda de concentração.

Uma pesquisa publicada na revista Behavioral Neuroscience apontou que pessoas que checam o celular nos primeiros 15 minutos após acordar apresentam níveis mais altos de ansiedade. O estudo também relacionou o hábito a maior dificuldade de concentração nas atividades planejadas para o dia.

O efeito pode ser explicado pela entrada imediata em um fluxo de estímulos. Mensagens, alertas, redes sociais e notícias disputam a atenção antes mesmo que a pessoa organize mentalmente sua rotina.

Ao longo do tempo, a hiperconectividade pode contribuir para consequências mais persistentes. Entre elas estão irritabilidade, dificuldade para relaxar e sensação constante de estar preso a um ritmo acelerado.

Especialistas também associam esse padrão ao estresse crônico. Quando o cérebro é repetidamente levado ao estado de alerta logo ao despertar, a manhã deixa de ser um momento de recuperação e passa a funcionar como uma extensão da pressão cotidiana.

Dependência digital se torna desafio cotidiano.

O problema não está apenas no uso do celular, mas na forma como ele ocupa os primeiros minutos do dia. Para muitas pessoas, a checagem automática do aparelho ocorre antes de qualquer outra atividade, como levantar da cama, tomar água, se arrumar ou iniciar a rotina com calma.

A repetição desse comportamento reforça a dependência do smartphone e dificulta a criação de limites. O hábito se consolida porque o celular oferece estímulos imediatos, recompensas rápidas e sensação de conexão permanente.

A psicologia alerta que, embora o gesto pareça simples, ele pode influenciar o estado emocional do usuário desde o início do dia. A forma como a manhã começa tende a afetar o humor, a produtividade e a capacidade de lidar com tarefas posteriores.

Checar o celular ao acordar, portanto, não é apenas uma escolha prática. Segundo os especialistas citados, o hábito pode revelar traços de impulsividade, ampliar a ansiedade e levar o cérebro a um estado de alerta precoce, antes que o organismo complete o processo natural de despertar.