O que deve fazer para tratar as queimaduras

Acidente com piloto da Fórmula-1 Romain Grosjean acende alerta para cuidados no tratamento de ferimentos por exposição ao calor

(Foto: Divulgação)
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Por Nicola Ferreira, da Agência Einstein - Em um dos acidentes mais graves dos últimos anos na Fórmula 1, o piloto francês Romain Grosjean se chocou, no último domingo, a 220 km/h no guard rail e viu uma grande explosão tomar conta de todo o seu carro. Graças a segurança da categoria, o piloto saiu vivo e com apenas queimaduras nas mãos e tornozelos. O episódio acende um alerta aos cuidados que devem tomados após queimaduras e em torno do tratamento. 

No caso de Grosjean, que sofreu com queimaduras de segundo grau e uma possível inalação de gases tóxicos, o primeiro passo foi seu rápido transporte para o hospital do Bahrein, onde ele recebeu os primeiros tratamentos. “Em casos de grandes acidentes, que envolvem também outras lesões pelo corpo além das queimaduras, é importante um tratamento pontual. Por conta da perda de líquidos, é necessário reposição interna, feita de maneira intravenosa”, afirma Marcelo Rodrigues da Cunha, cirurgião plástico do Hospital Israelita Albert Einstein.

Após repor o líquido, que é fundamental para evitar uma infecção e consequentemente um agravamento da queimadura, os médicos observam, nos dias posteriores ao acidente, o grau da queimação. Existem quatro: de primeiro grau, segundo grau superficial, segundo grau profundo e terceiro grau. A de primeiro grau atinge apenas a epiderme e deixando uma vermelhidão. Um indício do segundo grau profundo é o surgimento de bolhas na pele, a partir dele, a derme e outras áreas do corpo como nervos e músculos começam a ser afetadas. A partir deste grau de lesão, o tratamento pode incluir o uso de tecidos sintéticos para cobertura da área queimada ou enxerto – uso de pele retirada de outras partes do corpo, como a coxa.

E no dia a dia?

“As queimaduras mais comuns são aquelas que ocorrem em ambiente doméstico, principalmente com água e o óleo quente. Ambas geralmente chegam a ser de segundo grau superficial”, comenta Cunha.

Como não temos os mesmos aparatos e a prontidão médica de um grande prêmio de Fórmula 1, precisamos estar atentos, caso acidentes com queimaduras ocorram com algumas ações que podem inibir um agravamento. “Em qualquer tipo de queimadura, é importante interromper o processo. Por exemplo, quando há uma queimadura por água fervente, colocar água fria ajuda no processo e impede uma piora no caso. Mas é sempre recomendado ir ao hospital depois”, explica o cirurgião plástico do Einstein.

No centro médico, a equipe observa se há a necessidade de curativos na região da queimadura, e se são necessários outros procedimentos posteriores. Em casos leves, após sete ou dez dias, o paciente já pode exercer todas as funções normais do membro afetado.

Como é feito o tratamento para cada um dos graus?

Primeiro grau: geralmente ocorre após uma exposição rápida ao fogo ou prolongada do sol e seu sinal é uma vermelhidão na pele. Nesses casos, resfriar a região até a dor amenizar é a melhor solução. Se a dor continuar procure um especialista.

Segundo grau: Pode ser causada em acidentes domésticos, como óleo quente, por exemplo. Além da vermelhidão, podem aparecer bolhas. Esfrie a região queimada, não estoure as bolhas e leve o paciente ao hospital.

Terceiro grau: essa ocorre em casos mais graves como acidentes de carro ou longa exposição a altas temperaturas. Atinge partes mais profundas do corpo, como ossos, nervos e músculos. Nesses casos, é necessário rápida resposta médica, por isso é importante levar diretamente ao hospital. Retire objetos do corpo da pessoa como relógios, pulseiras e outros, pois em um possível inchaço será difícil de retirá-los.

Não use esses produtos em queimaduras: algumas crendices levam a pacientes a usarem produtos que não vão melhorar a situação e que inclusive podem piorá-la. São eles: pasta de dente, álcool e manteiga

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